Transexualidade
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Diante das atuais decisões favoráveis aos homossexuais, como adoção de crianças, gostaria de colocar em debate a questão da transexualidade. Eu mesma já tive o privilégio de defender judicialmente o direito à dignidade de um transexual, no intuito de ter deferido o direito de constar em sua certidão de nascimento seu nome e sexo como masculino, proporcional a seu aspecto físico e orientação psicológica.
Lembro-me da alegria dele quando lhe informei que havia sido proferida a sentença e que havia sido procedente. Ele me disse que havia nascido de novo.
O melhor de tudo é poder perceber que o sistema judiciário está avançando e voltando-se para estas questões sociais até então pouco relatadas. E é essencial referir que, provavelmente grande parte dos transexuais por falta de informação, desconhece sê-lo e vive à margem da sociedade entre dois dilemas: Ou num conflito constante quanto a seguir o que sua orientação psicológica lhe incita pensando ser homossexual ou com aversão ao sexo que lhe foi determinado genéticamente. De qualquer forma, pelo medo do preconceito, pelo medo da sociedade, por vezes colocam-se à margem dela.
A experiência de vivenciar a situação de um transexual e poder compreender a disforia de gênero e a luta pela aceitação, aquisição da dignidade e essencialmente, a readequação deste ao sexo que se ajusta à sua orientação psicológica, é indescritível.
E o mais interessante é que não basta olhar para um transexual para identificá-lo, é preciso conhecer sua história, pois aos olhos daqueles que os veem, em nada se diferem das outras pessoas, sendo necessário conhecer os nomes que carregam que, acabam por não condizer com sua aparência, para percebermos o fardo que carregam.
Mas um detalhe cabe ressaltar, há casos em que os transexuais são gays, o que não interfere na ausência de identidade psicológica com o sexo que lhes é genético, sentindo plenamente a necessidade da redesignação sexual.
Por fim, gostaria de questionar: Aqueles que assistiram ao filme “Quanto dura o amor” perceberiam ser a atriz que interpreta uma advogada transexual, uma transexual, se tal fato não tivesse sido divulgado pela mídia?
Sue Ellen Albernaz
Advogada Sênior GLS Legal
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por GLS Legal em 4 de junho de 2010 às 21:17, e está arquivado em GLS Legal. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |





há 3 meses atrás
Olá,
Parabéns pelo post e realmente é delicado essa questão de transexualidade, queria lhe dar os parabéns por ter ganho a causa e ter conseguido realizar a vida de uma Trans ao poder adotar seu nome social nos documentos.
Concordo que para conhecer uma transexual não basta simplesmente olhar e sim conhecer a história de vida.
Parabéns Sue Ellen pelo post.
Wesley Ursão.