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Até quando teremos que aturar personagens homossexuais masculinos cheios de trejeitos, se comunicando com quase miados lânguidos de tão moles ao falar? Por que sempre com profissões como as de cabeleireiro, costureiro, cozinheiro, mordomo etc, fazendo o lado cômico das telenovelas brasileiras? Quem disse que tem que ser sempre assim?

Quando os personagens gays são “discretos”, do tipo que poderia se passar por heterossexual, é tão discreto, que acaba parecendo uma figura que: não beija, não faz carinho, não recebe carícias de sua cara metade, praticamente um assexuado, o qual vive numa relação do dia a dia praticamente perfeita, sem problema nenhum, que não reclama de nada e nem se incomoda com o aumento da conta do supermercado, quase uma existência nula.

Infelizmente a sociedade brasileira do século XXI ainda não está preparada e nem aceita a normalidade dos personagens LGBTs, mas com certeza tolera bem ou faz vista grossa quando estes fazem papeis secundários e com tom cômico, quase como um palhaço, o que não corresponde à vida real, apenas serve para divertir os preconceituosos conservadores.

Na novela da Rede Globo, Caras e Bocas (2009/10) escrita por Walcir Carrasco tinha um personagem que ficava rosa chiclete, bege bebê e por ai vai seguindo a tabela de cores. Já na novela Bela a Feia (2010) exibida na Rede Record existia um personagem que era dono de um salão de beleza fazendo a linha bicha pintosa do núcleo pobre, e outro personagem que era funcionário da agência de publicidade Mais Brasil que dava mais pinta do que uma lata de tinta, com vasto conhecimento do que é bom, com cultura e alto poder aquisitivo que fazia a linha bicha fina, todos estes, fazendo papeis secundários e/ou terciários dentro do enredo.

Em Paraíso Tropical – Rede Globo – (2007), escrita por Gilberto Braga existia um casal gay assim tipo “discretão”, mesmo nas cenas que passavam na casa deles, não havia nenhuma demonstração afetiva, até parecia que eram dois colegas de trabalho que dividiam o apartamento. Em outra novela, Vale Tudo (1988), também do mesmo autor e emissora, escrita anos antes, existia um casal de lésbicas muito discreto e uma delas morre no meio da trama e a “viúva” só refaz a sua vida ao lado de outra companheira no último capitulo, ou melhor só fica a sugestão disto.

Neste meio tempo também houve uma outra novela chamada Torre de Babel na qual as duas personagens que formavam o casal de lésbicas foram explodidas junto com o shopping que existia na historia. Segundo as más línguas da época comentaram, só uma iria morrer na explosão, a outra que sobrasse iria ser o pivô da separação dos personagens de Glória Menezes e Tarcisio Meira e teria um romance com ela. Por isto que a segunda lésbica foi explodida também.

A pergunta que não quer calar neste momento é: quando vamos ver ao menos um personagem gay e/ou lésbica com destaque nas tramas das nossas novelas? Personagens com um comportamento comum, sem soltar plumas e paetês, sem rodar a mão mais que hélice de helicóptero, vivendo a sua sexualidade livremente, pelo menos beijando e fazendo carinhos em seu par romântico e com profissão de engenheiro ou médico ou jornalista ou advogado ou professor de luta ou jogador de futebol etc?

Na televisão paga, a cabo, encontramos filmes, séries onde existem personagens homossexuais em diversas estórias. E, por mais que não sejam os principais da trama, são retratados com dignidade, sem se parecerem com caricaturas, por mais pinta que dêem, porque o enredo da estória retrata os vários seguimentos da sociedade..

A variedade do mundo LGBTs “real” é muito grande: existe o gay enrustido que morre de medo de se expor; o gay discreto que pode ser confundido com um hétero; o gay afetado, que dá muita pinta, a drag queen, a transexual, a travesti, os bissexuais (masculino e feminino), a lésbica chique (discreta), a “caminhoneira”, e mais uma grande variedade de tipos. E por ai vai, mas todos querem ser tratados com respeito pelos meios de comunicação e não fazendo parte do lado cômico por que não são palhaços. Mas por serem cidadãos do mundo real. com direitos e deveres, que querem expressar livremente o seu lado afetivo, sem medo ou vergonha.

Isto é falta de respeito com o público LGBTs que assiste aos capítulos das novelas igualzinho ao público hétero. Os LGBTs, aliás, que também trabalham igual, pagam impostos igual, tem casa igual, come comida igual, utiliza os transportes igual, e mesmo assim só vêem personagens homoafetivos como palhaços, coisinhas frágeis e frívolas, como marginais, desequilibrados ou como um fantasma do que eles gostariam de ser (quando mostram os gays bem sucedidos e discretos) nos tele folhetins.

Tudo isto por enquanto não passa de um sonho. Estes telespectadores gostariam de ver com certeza mais personagens homossexuais nas novelas com peso no enredo e retratados dignamente. Com acertos e erros, com virtudes e falhas. Nem melhores nem piores do que qualquer outro personagem da estória, que demonstre seus sentimentos e carinhos em frente às câmeras, como qualquer outro ser humano. Afinal de contas, as novelas costumam reproduzir a realidade contemporânea.

Para tornar este sonho realidade tem que haver uma maior união entre todos os seguimentos da grande comunidade LGBTs, para que todos juntos possam conquistar os seus direitos de cidadãos brasileiros, e serem retratados com dignidade e coerência nas estórias das tele novelas.

Os escritores tem pelo menos um e-mail de contato, as emissoras tem o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou algo parecido. Fazer contato seja com o autor ou com a emissora e manifestar o seu desagrado com as caricaturas lesbogay, ou com as criaturas homo perfeitas que não tem problemas, pode contribuir muito nesta mudança de visão dos personagens LGBTs.

Este texto começou a ser escrito antes da estreia da nova versão da novela Tititi na Rede Globo no horário das 19 horas. Esta versão é a junção de duas novelas, Tititi e Plumas e Paetês, ambas exibidas pela emissora há mais de 20 anos atrás.

O enredo desta nova versão apresenta um jovem casal gay, Júlio e Osmar, ao quais, surpreendentemente, não tem a fala pastosa e, nem mãos de hélice de helicóptero, nem tem um comportamento frívolo, não fazem gracinhas e ainda de quebra tem algumas demonstrações discretas de carinho e beijos no rosto, (quanto avanço para um folhetim deste horário e emissora). Mas infelizmente um deles morreu ainda no início da trama, só resta torcer que o outro continue na estória e consiga refazer a vida com um parceiro a altura.

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Oscar Neto | Jonalista e colabarador GLS Legal

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personagens homossexuais masculinos cheios de trejeitos, se comunicando com quase miados lânguidos de tão moles ao falar? Por que sempre com profissões como as de cabeleireiro, costureiro, cozinheiro, mordomo etc, fazendo o lado cômico das telenovelas brasileiras? Quem disse que tem que ser sempre assim?

Quando os personagens gays são “discretos”, do tipo que poderia se passar por heterossexual, é tão discreto, que acaba parecendo uma figura que: não beija, não faz carinho, não recebe carícias de sua cara metade, praticamente um assexuado, o qual vive numa relação do dia a dia praticamente perfeita, sem problema nenhum, que não reclama de nada e nem se incomoda com o aumento da conta do supermercado, quase uma existência nula.

Infelizmente a sociedade brasileira do século XXI ainda não está preparada e nem aceita a normalidade dos personagens LGBTs, mas com certeza tolera bem ou faz vista grossa quando estes fazem papeis secundários e com tom cômico, quase como um palhaço, o que não corresponde à vida real, apenas serve para divertir os preconceituosos conservadores.

Na novela da Rede Globo, Caras e Bocas (2009/10) escrita por Walcir Carrasco tinha um personagem que ficava rosa chiclete, bege bebê e por ai vai seguindo a tabela de cores. Já na novela Bela a Feia (2010) exibida na Rede Record existia um personagem que era dono de um salão de beleza fazendo a linha bicha pintosa do núcleo pobre, e outro personagem que era funcionário da agência de publicidade Mais Brasil que dava mais pinta do que uma lata de tinta, com vasto conhecimento do que é bom, com cultura e alto poder aquisitivo que fazia a linha bicha fina, todos estes, fazendo papeis secundários e/ou terciários dentro do enredo.

Em Paraíso Tropical – Rede Globo – (2007), escrita por Gilberto Braga existia um casal gay assim tipo “discretão”, mesmo nas cenas que passavam na casa deles, não havia nenhuma demonstração afetiva, até parecia que eram dois colegas de trabalho que dividiam o apartamento. Em outra novela, Vale Tudo (1988), também do mesmo autor e emissora, escrita anos antes, existia um casal de lésbicas muito discreto e uma delas morre no meio da trama e a “viúva” só refaz a sua vida ao lado de outra companheira no último capitulo, ou melhor só fica a sugestão disto.

Neste meio tempo também houve uma outra novela chamada Torre de Babel na qual as duas personagens que formavam o casal de lésbicas foram explodidas junto com o shopping que existia na historia. Segundo as más línguas da época comentaram, só uma iria morrer na explosão, a outra que sobrasse iria ser o pivô da separação dos personagens de Glória Menezes e Tarcisio Meira e teria um romance com ela. Por isto que a segunda lésbica foi explodida também.

A pergunta que não quer calar neste momento é: quando vamos ver ao menos um personagem gay e/ou lésbica com destaque nas tramas das nossas novelas? Personagens com um comportamento comum, sem soltar plumas e paetês, sem rodar a mão mais que hélice de helicóptero, vivendo a sua sexualidade livremente, pelo menos beijando e fazendo carinhos em seu par romântico e com profissão de engenheiro ou médico ou jornalista ou advogado ou professor de luta ou jogador de futebol etc?

Na televisão paga, a cabo, encontramos filmes, séries onde existem personagens homossexuais em diversas estórias. E, por mais que não sejam os principais da trama, são retratados com dignidade, sem se parecerem com caricaturas, por mais pinta que dêem, porque o enredo da estória retrata os vários seguimentos da sociedade..

A variedade do mundo LGBTs “real” é muito grande: existe o gay enrustido que morre de medo de se expor; o gay discreto que pode ser confundido com um hétero; o gay afetado, que dá muita pinta, a drag queen, a transexual, a travesti, os bissexuais (masculino e feminino), a lésbica chique (discreta), a “caminhoneira”, e mais uma grande variedade de tipos. E por ai vai, mas todos querem ser tratados com respeito pelos meios de comunicação e não fazendo parte do lado cômico por que não são palhaços. Mas por serem cidadãos do mundo real. com direitos e deveres, que querem expressar livremente o seu lado afetivo, sem medo ou vergonha.

Isto é falta de respeito com o público LGBTs que assiste aos capítulos das novelas igualzinho ao público hétero. Os LGBTs, aliás, que também trabalham igual, pagam impostos igual, tem casa igual, come comida igual, utiliza os transportes igual, e mesmo assim só vêem personagens homoafetivos como palhaços, coisinhas frágeis e frívolas, como marginais, desequilibrados ou como um fantasma do que eles gostariam de ser (quando mostram os gays bem sucedidos e discretos) nos tele folhetins.

Tudo isto por enquanto não passa de um sonho. Estes telespectadores gostariam de ver com certeza mais personagens homossexuais nas novelas com peso no enredo e retratados dignamente. Com acertos e erros, com virtudes e falhas. Nem melhores nem piores do que qualquer outro personagem da estória, que demonstre seus sentimentos e carinhos em frente às câmeras, como qualquer outro ser humano. Afinal de contas, as novelas costumam reproduzir a realidade contemporânea.

Para tornar este sonho realidade tem que haver uma maior união entre todos os seguimentos da grande comunidade LGBTs, para que todos juntos possam conquistar os seus direitos de cidadãos brasileiros, e serem retratados com dignidade e coerência nas estórias das tele novelas.

Os escritores tem pelo menos um e-mail de contato, as emissoras tem o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou algo parecido. Fazer contato seja com o autor ou com a emissora e manifestar o seu desagrado com as caricaturas lesbogay, ou com as criaturas homo perfeitas que não tem problemas, pode contribuir muito nesta mudança de visão dos personagens LGBTs.

Este texto começou a ser escrito antes da estreia da nova versão da novela Tititi na Rede Globo no horário das 19 horas. Esta versão é a junção de duas novelas, Tititi e Plumas e Paetês, ambas exibidas pela emissora há mais de 20 anos atrás.

O enredo desta nova versão apresenta um jovem casal gay, Júlio e Osmar, ao quais, surpreendentemente, não tem a fala pastosa e, nem mãos de hélice de helicóptero, nem tem um comportamento frívolo, não fazem gracinhas e ainda de quebra tem algumas demonstrações discretas de carinho e beijos no rosto, (quanto avanço para um folhetim deste horário e emissora). Mas infelizmente um deles morreu ainda no início da trama, só resta torcer que o outro continue na estória e consiga refazer a vida com um parceiro a altura.