GLS Legal
Você é contra ou a favor o casamento homo?
27/08/10
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Uma das estratégias atuais da militância LGBT é fazer as pessoas serem a favor do casamento homoafetivo. Embora eu ache que este tipo de atitude seja importante e deva existir para consolidar sentimentos sociais, ter esta estratégia como o pilar de sua luta social é algo bastante sofrível.
Em primeiro lugar, a premissa está completamente errada. O que é ser a favor do casamento homo? É dar o “aval” para que um casal homoafetivo viva junto e busque sua felicidade? Isso não cabe a ninguém decidir e tampouco dar o aval. Será, então, que seria a pessoa ser a favor do reconhecimento jurídico do casamento homoafetivo? Se isto for ser “a favor ou contra o casamento homo”, é preciso fazer algumas considerações.
Apesar do termo casamento se reportar a algo religioso, não estamos falando de casamento religioso, onde cada um tem sua religião. Estamos falando de direitos civis para TODOS OS CIDADÃOS DE UM PAÍS e portanto, de casamento civil dentro de um Estado onde TODAS AS RELIGIÕES são respeitadas. Quem os heterossexuais pensam ou acham que são para se darem o direito de dizerem se são contra ou a favor o Estado reconhecer o casamento de cidadãos homoafetivos? Por algum acaso casais heterossexuais perguntaram a lésbicas e transgêneros se eles eram a favor deles se divorciarem e criarem seus filhos em casas de pais separados? Por algum acaso alguma menina de 16 anos perguntou a algum gay se ele era a favor o Estado reconhecer filhos de meninas tão jovens?
Assim, perguntar aos heterossexuais – evangélicos ou não – se as pessoas homoafetivas têm o direito de ter o seu casamento reconhecido pelo Estado, é colocar nas mãos dessas pessoas um poder que não possuem ou uma decisão que não lhes cabe. Um dos objetivos do Estado brasileiro é garantir o bem-estar de TODOS, sem quaisquer formas de discriminação. Por algum acaso um heterossexual quando vai se casar pergunta a opinião de todos os LGBTs da sociedade se eles têm permissão para isso? E mesmo se estivéssemos falando de casamento religioso, a Igreja contemporânea e alguns terreiros de candomblé fazem estes casamentos. Por que o Estado deveria preterir essas religiões, uma vez que a liberdade de consciência é inviolável para todas elas?
Naturalmente, numa retórica falaciosa poderíamos dizer que os heterossexuais poderiam decidir se o ordenamento jurídico brasileiro deveria ou não reconhecer as famílias homoafetivas porque eles são maioria, e assim teriam o direito de decidir sobre a vida de outros seres humanos. Tal premissa é burra e monstruosa. Os alemães, maioria, também decidiram sobre a vida dos judeus e ciganos durante a II Guerra Mundial. Durante a presidência de Rodrigues Alves, a maioria também decidiu que não ia se vacinar e fez a Revolta da Vacina. E por fim, a maioria também já elegeu Fernando Collor de Melo, um dos presidentes mais bandidos da história brasileira.
Assim, nem sempre as massas fazem as decisões mais sábias. Cabe lembrar que Confúcio dizia que a administração de um Estado devia ser feita pelos melhores – os mais inteligentes e sábios – daí a verdadeira aristocracia formada não pela plutocracia (riqueza) ou pelo sistema de apadrinhamento (como ocorre no Brasil), mas através de um funcionalismo público elitizado, intelectualizado, que tinha acesso somente aqueles que se dedicavam a difíceis e concorridíssimos concursos públicos. Isto era o Estado para Confúcio e não a opinião de uma gleba iletrada..
É com certo pasmar que vejo as pessoas quererem colocar os direitos civis das pessoas homoafetivas a plebiscito. Como é que o José do Nordeste, uma pessoa totalmente preconceituosa, ignorante, que estudou até a 5ª série, vai ter poder de decidir sobre a vida de outros seres humanos que não tem nenhuma relação com a vida dele? Por que não colocar em plebiscito o salário dos deputados, o destino dos criminosos, o fato de deputados e senadores não serem eleitos, mas adquirirem seus cargos por concurso público etc?
Alguém sabe as dificuldades práticas e sofrimentos que LGBTs sofrem na vida? Alguém sabe os sentimentos que há numa pessoa que não pode se casar, que não pode viver uma vida consagrada ao lado de alguém, tendo garantias e respaldos legais? Não, muito provavelmente não sabem porque não viveram na pele e ficam só a elucubrar sobre a Bíblia.
Assim, vejo que a estratégia do casamento homo não é somente fazer os heterossexuais “aceitarem” isso, até porque isso é algo que efetivamente não diz respeito a eles. Direitos civis de outros seres humanos não precisam ser um “favor” da maioria, mas um respeito ao HUMANISMO no sentido mais pleno deste termo. Qual a diferença, afinal, para um heterossexual entre dois homens se casando e sendo reconhecidos pelo Estado e dois homens “namorando” e vivendo juntos? Para o heterossexual nenhuma, para os homossexuais, várias. Eu realmente não consigo entender como é que alguns heterossexuais acham que o Estado deva ser propriedade deles e fazer leis apenas para eles. Por que os heterossexuais acham que devem ter o monopólio sobre as leis?
Dizer que o casamento homo vai “destruir” a família, até agora nenhuma pessoa conseguiu me dizer. Na Argentina, numa população de 8.000.000 de pessoas, apenas 82 casamentos homoafetivos foram realizados. Como é que isso destruiu todas as outras famílias heterossexuais do país? E como as famílias heterossexuais do Canadá, Espanha, Portugal, Massachussets, Holanda, Inglaterra, África do Sul, Dinamarca, Suécia etc foram destruídas? Como é que um casal de lésbicas se casando no Rio Grande do Sul pode destruir todas as famílias heterossexuais do Acre? Favor, alguém me diga. Dizer que isso vai “influenciar” as pessoas é ridículo e infantil, pois se um casal heterossexual tiver vontade de viver um relacionamento homo, ele vai fazê-lo com o casamento civil ou não.< /span>
Parece-me bastante óbvio que o argumento de destruição da família não pode ser verdadeiro, pois se assim o fosse, todos os heterossexuais dos países acima teriam se separado, o que não ocorreu. Muitas vezes vemos homens e mulheres heterossexuais se casando por obrigação, vivendo vidas de aparência, baseada na violência e no desgaste e agora querem por a culpa pelo “fim das famílias” nos homossexuais? Parece-me um bom bode expiatório para justificar a própria incapacidade destas pessoas de arranjarem famílias estáveis e felizes, pois quem é feliz, só pode querer a felicidade do outro e quem é infeliz é que deseja a infelicidade do outro.
Não vos parece louvável que em meio a tantas dificuldades, os casais homoafetivos lutem para construir suas próprias famílias?
Por fim, há argumentos teológicos sobre os homossexuais serem “contra” o casamento homo. Um deles é que estariam incentivando o pecado. É aí que eu vejo o quão imbecil a pessoa é. Um Estado não pode discutir as concepções de um ou de outro sobre pecado, pois o Estado é laico e deve preservar o bem-estar de TODOS os cidadãos. Até para aqueles que sequer são cristãos ou trabalham com o conceito de pecado.
Dessa forma, uma pessoa pode achar que casamento é apenas entre homem e mulher e que a homoafetivossexualidade é um pecado, mas há outras pessoas que não acham isso e que não podem ter seus direitos civis obliterados. Todos podem conviver, como convivem no Canadá, Holanda, Espanha, Portugal, Argentina etc.
Assim, a meu ver, a militância LGBT poderia ser mais agressiva, pois os heterossexuais não precisam dar seu aval para o casamento homoafetivo, pois o debate é JURÍDICO e que envolve a IGUALDADE entre cidadãos e não é sobre o juízo de valor que o heterossexual x ou y com sua religião faz do casamento dos outros. Eu particularmente posso ser católico e não concordar com que viúvas se casem novamente. Tenho eu o direito de impor minha opinião em uma viúva budista, por exemplo, que deseja reconstruir a sua vida? Eu posso até continuar achando que ela não deveria se casar, mas não posso impedir que o Estado não case-a alegando que isso fere a minha crença religiosa. Seria muita petulância, egoísmo e arrogância de minha p arte.
Portanto, acho que a militância LGBT peca muito em ficar com esse discursinho inócuo de “você é a favor ou contra o casamento homoafetivo”? Se você for a favor, vamos bater palminha, se for contra, vamos chamar de retrógrado e homofóbico. A militância social precisa educar as pessoas e acho que isso poderia ser feito em torno de algumas idéias-chave.
1- Não cabe a nenhum heterossexual decidir sobre a vida de outros seres humanos que possuem uma sexualidade diferente da dele
2- Debate do casamento homoafetivo é jurídico e não passa pelos conceitos teológicos que sua religião trabalha, pois no país há pessoas de religiões diferentes da sua
3- Desenvolvimento da idéia de igualdade jurídica entre todos os cidadãos.
4- Mostrar que o casamento homoafetivo não vai destruir lares heterossexuais, como não aconteceu na Holanda, Suécia, Finlância, Dinarmarca, África do Sul, Portugal, Espanha, Inglaterra etc.
5- Mostrar que a homoafetividade não é “contagiosa” e que o indivíduo que pensa assim, o faz por medos inconscientes de gostar da coisa.
6- Fazer entender que ninguém precisa do juízo de valor dele para uma lei, pois um Estado deve governar para TODOS.
7- Fazê-los compreender que ele pode continuar achando o que quiser da homoafetivossexualidade e do casamento homo, assim como eu posso achar errado uma mulher divorciada comungar na Igreja ou se casar novamente, mas não posso impor meus valores de forma unilateral nas leis.
Amor e Paz
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LGBTs – mais de 10 milhões ou pobre minoria?
27/08/10
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É com freqüência que ouço alguns ícones da militância LGBT falando que essas pessoas compõem milhões de cidadãos na sociedade brasileira e por isso os políticos deveriam dar atenção a esses grupos. No início do movimento de lésbicas, gays e transgêneros era inegável que havia ainda muita desinformação acerca desta realidade, como há até hoje. Por outro lado não podemos fechar os olhos e fingir que as coisas não mudaram. As pessoas estão mais informadas sobre sua própria condição.
Gradualmente os cidadãos homoafetivos têm tomado consciência política de sua condição e reivindicado direitos civis. Não obstante, este é um processo em eterna construção e que dificilmente atingirá todo o coletivo de LGBTs, pois as pessoas tem ideais, valores e consciências diferentes em relação a diversos objetos na vida. Assim, por mais que lutemos para politizar a comunidade, sempre haverá o gay alienado que só quer saber de sexo e ouvir Beyoncé. Isso é fato; e com essas pessoas só poderemos contar para engrossar os números das paradas LGBTs.
No seu alvorecer, o movimento LGBT estabeleceu como estratégia usar o número de pessoas que faziam parte desta comunidade como força de pressão política. A meu ver, isso foi e é um erro estratégico considerável. O número de pessoas assumidamenteo gays, lésbicas e transgêneros é e sempre será uma incógnita e isso acontece por dois motivos. Prática homossexual, embora todo LGBT saiba que seja mais comum do que imaginamos, não significa necessariamente identidade homossexual.
Assim como há infinitos homossexuais com práticas heterossexuais, há inúmeros heterossexuais com práticas homossexuais sem que essas pessoas se entendam necessariamente como parte de um determinado coletivo baseado na identidade de gênero e na prática sexual. Portanto, é difícil contar com um número inexato de pessoas para fazer pressão política. Embora as paradas LGBTs sejam gigantes em número, aquelas pessoas não são nada, perto do grosso da sociedade e isso sem contarmos que boa parte dos freqüentadores das paradas são heterossexuais “simpatizantes”.
Alguns anos depois do início do movimento LGBT, vemos políticos literalmente apunhalando LGBTs pelas costas e fazendo alianças com segmentos evangélicos de uma maneira acachapante. E isso é natural que ocorra. Falando em termos claros, os políticos ganham muito mais agradando evangélicos do que gays e lésbicas. Este é o preço que o movimento pagou ao apostar todas as suas fichas na esfera política e no apoio desta classe.
Se no começo os líderes LGBTs assustavam os políticos com ameaças de perder o voto dos LGBTs, hoje já está bem claro que esses votos não representam nada, ou representam apenas a eleição de um deputado ou de um único vereador e os candidatos já perceberam isso. Tal fato se dá por fatos bem precisos – quem votaria num candidato que defendesse exclusivamente direitos das pessoas homoafetivas? Teoricamente, os próprios LGBTs, mas nem eles votam em candidatos que os defendem, pois a maioria é despolitizada. Também poderíamos contar com os votos de pessoas “gay-friendly”, mas com quem você acha que essas pessoas seriam mais comprometidos – com candidatos que defendam os LGBTs ou com pessoas preocupada s com a redução da pobr eza no país?
Dessa forma, se conseguimos eleger um único deputado ou senador, como fica todo o resto da Câmara, uma vez que LGBTs não podem votar em vários candidatos? Assim, os “votos LGBTs” não são praticamente nada dentro do jogo político macro e os políticos comprometidos com a causa atualmente o fazem por questões ideológicas e de convicções pessoais. Dessarte, poderíamos concluir que precisamos politizar a classe LGBT. Claro! Precisamos sim! Mas hoje eu me pergunto se esta é a melhor estratégia. Mesmo se toda a comunidade LGBT fosse politizada, será que seria possível elegermos um presidente? JAMAIS.
O número de LGBTs dentro da sociedade baseia-se nos hipotéticos 10 % da população, pesquisa feita a partir dos trabalhos de Kinsey, sendo que esta pesquisa, além de ter uma metodologia bastante criticável e nunca ter sido confirmada posteriormente, muito provavelmente contabilizou apenas “práticas homossexuais” e não apenas “pessoas assumidamente homossexuais”. Assim, apesar da aparente abundância das paradas LGBTs e da corriqueira prática da homossexualidade nos motéis deste mundo afora, é hora de enfrentarmos a realidade: não somos “mais de 10 milhões (ao menos enquanto força política) e tampouco somos uma “enorme força política”. Nós somos de fato uma minoria.
E ao contrário de outras minorias, os LGBTs serão sempre minoria, pois seu nascimento ainda é um mistério para a civilização Ocidental. Se os negros são minoria, eles podem se reproduzir e aumentar o número de negros. Se os judeus são minorias, eles podem se reproduzir e aumentar o número de judeus. Se os evangélicos são minoria, eles podem converter pessoas e aumentar o número de evangélicos, o mesmo com outras religiões.
Mas no caso dos LGBTs, não podemos “converter” as massas e tampouco podemos “reproduzir” filhos LGBTs para aumentar nossa população. LGBTs nascem minoria e assim sempre serão, assim como o número de cegos, deficientes físicos e mentais, o número de crianças super dotadas etc. “Como” e “por que” essas pessoas nascem assim, não é um assunto para o momento. Ora, se os LGBTs fossem uma maioria tão assustadora capaz de alterar o rumo das eleições, por que então depois da aprovação do casamento homo na Argentina, apenas 82 pessoas se casaram numa população de 8.000.000?
Assim, hoje eu me pergunto se trabalhar com a força política LGBT seria a única estratégia viável. Lembro-me dos discursos do Silas Malafaia, que jogou na cara do Toni Reis que “os gays dizem que são mais de 10 milhões de pessoas quando interessa, mas quando não interessa, são minoria”. Silas está certíssimo! Devemos assumir uma postura e não ficar nesse jogo de empurra. Quando homossexuais são assassinados, somos uma pobre vítima da maioria opressora, quando há uma eleição, somos mais de 10 milhões.
Percebe-se que na Europa os direitos civis homoafetivos não foram conquistados na base do “somos milhões”, portanto vote em nós e garanta nossos direitos, caso contrário, você perde a eleição. O discurso na Europa é e sempre foi sobre a defesa das minorias.- um discurso bem fundamentado e certamente decorrente do mal-estar causado pelos nazistas e sua perseguição às minorias que não tinham como se defender. Hoje na Europa as minorias são respeitadas não porque são uma força política, mas por causa da experiência histórica que fez a Europa ver o quão cruel pode ser a perseguição às minorias que não tinham como se defender – judeus, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais etc. E o respeito às minorias passa necessariamente pelo humanismo e pela valorização do ser-humano em toda a sua plenitude e pelo respeito às diferenças e não porque esses seres humanos são uma máquina política para fazer votos, ideologia em cima da qual a militância LGBT no Brasil se construiu.
Assim, humildemente penso que devemos bater na tecla da verdade do que realmente somos – uma minoria sem força e consciência política, discriminada, que não tem ideologias políticas e religiosas fortes para se defender e que somos perseguidos por uma maioria egoísta, preconceituosa e fanática. Isso ficou bem claro quando começaram a dizer que casamento homoafetivo deveria ser decidido por plebiscito. Como é que uma maioria preconceituosa vai votar os destinos da Vida de uma minoria tão exígua? Isso é de uma crueldade ímpar. Isso é o mesmo que perguntar para os palestinos na Palestina se os judeus devem continuar “vivendo” – óbvio que o “plesbicito” será negativo. Direitos humanos JAMAIS poderão ficar nas mãos de uma maioria arbitrária e preconceituosa.
O Estado democrático de direito pressupõe direitos iguais para TODOS os seres humanos. Felizmente evoluímos na sociedade o suficiente para entendermos isso, mas espero que as forças reacionárias e conservadores não consigam tomar de assalto o Estado brasileiro e impor uma visão obscurantista, uma “ditadura da maioria”.
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O conceito teológico de Criação e os LGBT
14/08/10
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Uma das máximas de boa parte das principais religiões do mundo é a noção de que Deus “criou” o universo e os seres humanos. Este é um conceito teológico que aparentemente não tem nenhuma relação com a vida de gays, lésbicas, transgêneros e da homossexualidade em geral, mas a despeito das aparências, uma análise mais acurada nos mostra que eles estão intimamente ligados.
Antes, porém, ressalto que o objetivo deste texto é apenas sugerir reflexões para que outros futuramente forneçam respostas mais sólidas para estas questões. Caso você ache que o que está escrito aqui não lhe serve de nada e que não tem nenhuma relação com a sua vida, perdoe-me pela audácia.
Há tempos venho dizendo que as lutas LGBTs devem se concentrar na fonte de seus problemas – a religião e os conceitos teológicos que dela advém e não somente no adestramento dos heterossexuais para que nos tolerem e nos respeitem.
O cerne do texto se desenvolve a partir da premissa que o conceito teológico de Criação de alguma forma exclui LGBTs da noção de “humanidade” e de “sociedade”.
Primeiramente, a noção de Criação implica numa divisão entre sujeito e objeto. Deus é o Criador e o “resto” é a criação, ou seja, está “fora de Deus”. Essa visão se relaciona ao pensamento grego de que determinada divindade super-poderosa controla a natureza a seu bel prazer. Os conceitos orientais e primitivos de pan-teísmo, além de ser mais “impessoais” com relação à divindade, de modo que não existe um Deus que ama, cuida, da carinho, carro, casa, odeia, castiga etc, eles afirmam que a Divindade está “imanente em todas coisas”. Dentro dessa perspectiva, as diferentes coisas que encontramos no mundo são “gradações dessa energia única e universal” chamada Deus.
O conceito de Criação traz também implícita a idéia de um “telos” daquilo que foi criado, ou seja, um objetivo. Quando dizemos que Deus criou o homem e a mulher para que se unissem, reproduzissem e povoassem a Terra, eu estou dando um objetivo para a vida de milhares de homens e mulheres no mundo. Não obstante, isso freqüentemente implica em dizer que quem não segue esse caminho, ou seja, os LGBTs, está “fora” dos objetivos de Deus e, portanto, contrário a ele.
Reparem que se entrarmos no universo LGBT, a visão criacionista e panteísta já oferecem perspectivas COMPLETAMENTE diferentes. Quando afirmamos que Deus “criou” os seres humanos, implica que os criou com determinados objetivos, pois quem cria, cria algo com “objetivos”. Os “objetivos” de Deus, para quem ainda não reparou, são alvo de intensos debates teológicos, nos quais os indivíduos buscam atribuir “objetivos” à Criação de acordo com sua própria percepção da Realidade.
Umas Igrejas dizem que Deus criou o homem para ser feliz, outras dizem que os seres vieram à Terra para sofrerem porque no céu serão recompensadas, outras dizem que os 7.000.000.000 de seres humanos que existem no planeta precisam procriar e ter uma família num padrão hetero-normativo e serem todas iguais entre si, outras ainda dizem que o objetivo de Deus é que cada um siga seu coração.
A luta pela definição de qual o objetivo real de Deus para a sua “Criação” é um verdadeiro campo de disputas políticas. O crente que escolheu praticar o heterossexualismo diz que Deus fez o homem e a mulher para se unirem, o que implica que Deus não levou em consideração os homossexuais na sua “criação”. O crente homossexual por sua vez diz que um suposto Deus criou os seres para serem felizes e assim segue-se um embate violento onde cada indivíduo tenta vencer ou outro e exercer o monopólio sobre os objetivos de Deus.
O domínio deste monopólio não somente dará você a satisfação egóica de vencer o outro na idéia, como também lhe dará o controle sobre Deus e os outros seres humanos, que estão mais ou menos próximos de Deus.
Caso as pessoas não “cumpram” o objetivo que você acha que Deus colocou para os seres humanos, elas estão simplesmente “fora” de Deus. Ora, mas se o outro está “fora” dos objetivos de um suposto Deus, é porque você (ou seja, o crente) está mais “próximo” do que o outro. Portanto, o teleologismo criacionista traz por base um maniqueísmo hierarquizante entre os seres humanos que implica não só no domínio de um suposto Deus e de seus objetivos, como também na cisão entre “nós os que cumprimos o objetivo de Deus e vocês, os que estão fora”, assim exaltando o Ego daquele que profere tal sentença patológica.
O assunto aqui é de LGBTs, mas quer um outro exemplo claro? A Bíblia afirma quase que claramente que a natureza foi “criada” ou “feita” para servir ao homem. Ora, isso é simplesmente um processo em que as pessoas atribuem seus objetivos de vida a Deus. Tal conceito teológico permitiu os seres humanos se apropriarem de imensas áreas do mundo natural para construírem fazendas e cidades e sem complexo de culpa nenhum com relação ao meio ambiente, afinal, estavam cumprindo o “objetivo” da Criação de Deus.
Se os índios convivem bem com a terra e não acham que a propriedade sobre o território é algo natural e tampouco um “objetivo” de Deus e que os animais não devem cair sob o jugo da exploração industrial humana, é porque eles estão “fora” dos objetivos de Deus.
Como podemos ver, o conceito teológico de “criação” divina implica em poderosas conseqüências político, ideológicas e econômicas. No pensamento oriental encontramos visões mais abrangentes como “toda vida tem seu valor”, ou “Deus está no interior de todas as coisas e o objetivo da vida do homem é descobrir a divindade em seu interior através das experiências de vida”.
Reparem que esta visão acima é fundamentalmente oposta à idéia de um “Deus criando” as coisas com um determinado objetivo. Isso implica em questões ainda mais profundas como “será que Deus tem um ÚNICO objetivo para os 7.000.000.000 de pessoas que existem no planeta”? E será que as pessoas que não cumprem seus objetivos é porque estão mais longe dele?
O crente sempre tenderá a responder tais questões como “no fundo Deus ama a todos”, projetando sentimentos humanos para a idéia que eles fazem de divindade. Não obstante, isso por si só não rompe a dicotomia entre os que estão próximos ao objetivo de Deus e os que estão longe ou “fora”, clivagem minorada pelos sentimentos de misericórdia divina.
Quem nunca ouviu alguém falando “Deus criou o homem para ser homem e a mulher para ser mulher”. Ora, se você é um homem ou uma mulher que manifesta características duais – masculinas e femininas – é porque você simplesmente está “fora” de Deus. Quando dizemos que o sexo “é para a reprodução”, os seres que possuem uma sexualidade não geradora, ou seja, predominantemente neutra, é porque estão “fora” dos objetivos da sexualidade.
Ainda no pensamento primitivo, encontramos muitas formas diferentes da noção de Criação, que admitem desde uma pluralidade de existências humanas, quanto à de que não há um “objetivo” na Criação e que tudo existe por causa da dança cósmica. Independentemente da validade destes diversos conceitos teológicos, o que quero mostrar é que, apesar de tida como natural pelos ocidentais, o conceito teológico de Criação não é “natural”. Ele é responsável por boa parte dos imbróglios conceituais com que se defrontam gays e lésbicas, que são tidos como “fora de um telos”.
Infelizmente, o que muitos vêm fazendo é ampliar a fronteira teleológica da Criação, mas poucos capazes foram de quebrar ou renovar esta idéia.
Eu me lembro quando assisti uma palestra sobre Cabala e o cidadão disse que Deus criou o Homem e a Mulher. Eu solenemente perguntei quem tinha criado as travestis, que não são nem homem e nem mulher. Ele disse que isso daí era o carma da outra encarnação.
O conceito de criação implica em dizer que há um “caminho correto” (que geralmente se assemelha ao caminho de vida de quem profere as sentenças!!!) e se você não está neste “caminho” é porque aconteceu alguma coisa “errada” – trauma de infância, abuso sexual, carma da outra encarnação, mulher presa em corpo de homem, desvio genético, dano cerebral e toda sorte de imbecilidades que a mente humana é capaz de produzir. Ou seja, há uma divisão ontológica e valorativa bem clara entre uns seres humanos e “os outros”.
E assim, há um grande rio teológico. De um lado estão as pessoas que “seguem” a Deus e seus objetivos – seja no controle da sexualidade, nas manifestações de gênero, no controle da natureza e do outro há uma margem de pessoas que estão longe do que “Deus quer para elas” ou ainda que fugiram por algum “erro” ou “compensação” do passado. Problemas ainda maiores surgem quando nos colocamos questões como:
- Ora, mas se não existisse tal clivagem, então poderíamos dizer que um assassino ou um usuário de drogas estão tão próximos de Deus quanto uma pessoa religiosa?
Este tema tem implicações diversas que deveremos desenvolver por meio da reflexão e meditação. Mas cabe aqui algumas perguntas: Você tem uma visão melhor para a divindade? Acha que devemos acabar com toda essa baboseira de espiritualidade? Você seria capaz de desenvolver um conceito teológico que abarcasse todos os seres humanos em suas diferenças de manifestações e objetivos de vida? Acha que isso é inútil? Acha que a Vida segue um objetivo proposto por uma divindade super-humana? Acha que a vida em si é indiferente e quem dá objetivos e significados a ela somos nós?
Deixo ao leitor as respostas.
Amor e Paz
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A mentalidade evangélica, as crianças e homofobia
14/08/10
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Boa parte das tradições espirituais do mundo fala a respeito da reencarnação e que as almas apresentam diferentes estágios de compreensão da Verdade. Portanto, as pessoas têm diferentes graus de evolução e é ela que justifica a encarnação dos seres. Se esta tese estiver certa (reparem bem, eu não disse que ela É A CERTA, eu supôs que ela possa estar certa ), podemos supor que as crenças religiosas refletem igualmente os graus de compreensão e evolução das pessoas e existem crenças mais avançadas e menos avançadas na compreensão do Todo.
Ainda na esteira deste pensamento, podemos argumentar que não existem crenças religiosas de per se , ou seja, desconectados de um sujeito psicológico. Se uma crença de Deus parece mais verdadeira para uns e não para outros, é simplesmente porque os sujeitos estão em diferentes graus de evolução espiritual e maturação psicológica e suas crenças religiosas, de alguma forma, refletem o quadro mental e a maturidade daqueles que acreditam nelas.
Isso pode ser exemplificado de forma maravilhosa no casamento gay. Enquanto os evangélicos no Brasil usam a Bíblia para atacar tal instituição, os protestantes do Norte da Europa usam o mesmo livro para abençoar casais de sexos semelhantes, argumentando que só Deus pode julgar a vida sexual de cada um. Ora, se o livro é o mesmo, por que as pessoas enxergam coisas diferentes?
Como podemos ver, a questão não está propriamente no objeto “Bíblia (e o que ela supostamente nos informa)”, mas sim no modo como os diferentes sujeitos o utilizam de acordo com seu grau de evolução, compreensão e desenvolvimento psicológico. Dessarte, não se dissocia sujeito de objeto e vice-versa, tal como pretenderam os positivistas.
É de conhecimento geral que a campanha contra o casamento gay na Califórnia foi amplamente patrocinada por grupos fundamentalistas cristãos que argumentavam que isso ia confundir a cabeça das crianças e que elas iam perder seus valores e referenciais de certo e de errado. Católicos dizem no México que gays querem ser pais para molestar as crianças (nem vou entrar no mérito de que nossas palavras refletem nossa mente) e evangélicos no Brasil insistem em associar homo-afetividade com pedofilia.
Boa parte não só da homofobia, mas também do discurso religioso evangélico se dá em torno das crianças. Haja vista Michael Jackson cantando “save the children in Africa” e em suas músicas sempre aparecem crianças felizes e sorrindo. Várias campanhas evangélicas de caridade giram em torno do bem-estar infantil e de recolher fundos e mantimentos para as crianças da África ( não vou entrar no mérito de que isso representa imperialismo, destruição cultural e dominação ideológica disfarçados). Crianças pra lá, crianças pra cá e tudo muito bom.
Eu poderia entrar pelo lado racional da questão e dizer: o que é mais importante para um país devastado em guerra: um adulto que trabalha e é capaz de gerar empregos e reconstruir a nação ou uma criança que dá muito mais despesa e ajuda muito menos? Ou poderia perguntar por que não há tanta preocupação com os idosos ou os adultos? Por acaso o sofrimento deles é menos intenso que o das crianças com fome?
Mas não, não vou fazer uma análise racional disso. A tese central deste texto baseia-se na minha desconfiança de que boa parte dos evangélicos faz ode às crianças porque isso simplesmente representa o estágio psicológico deles, ou seja, as crianças refletem o que eles são mentalmente. Boa parte dos evangélicos acaba por defender as crianças, pois elas representam um símbolo psicológico inconsciente do que essas pessoas são. A relação deles com a homossexualidade ilustra MUITO BEM esta tese.
Meu objetivo é mostrar como atitudes mentais de uma criança se reflete no comportamento de boa parte dos evangélicos. Se tais atitudes são boas ou ruins, certas ou erradas, não entre no mérito. Para atingir este objetivo, farei um paralelo entre os comportamentos infantis e o de alguns evangélicos.
Qual é uma das principais características dos infantes? O raciocínio limitado! Ora, podemos ver evangélicos acreditando em cada coisa absurda, que só pode ser fruto de um raciocínio limitado:
1- Os homossexuais escolheram ser assim – Claro, assim como os heterossexuais escolheram ser assim.
2- Se tudo mundo vier a ser homossexual, o mundo vai acabar – Ora, se existe possibilidade de todo mundo vir a ser homossexual, e os evangélicos fazem parte do mundo, logo…
3- Se uma criança vir um casal gay, ela vai virar gay – Sim, assim como se um gay vir um casal hetero, ele vai virar praticante do heterossexualismo.
4- O homossexualismo é anti-natural – sim, assim como o ventilador, a geladeira, a luz elétrica, a comida congelada.
5- A Bíblia não diz que devemos comemorar aniversário, como dizem as Testemunhas de Jeová. – Sim, assim como a Bíblia não diz que devemos toma guaraná em pó e nem usar internet.
6- A Terra surgiu a seis mil anos atrás – Sim, assim como os egípcios e os homens de Neanderthal conviveram com os dinossauros.
7- Se o casamento gay for aprovado, toda a família vai ser destruída – Ah? Como Assim? Como eu me casando com meu companheiro vai afetar a vida da Maria e do João casados, que moram num bairro distante do meu? Não entendi.
Portanto, assim como a criança tem capacidade de raciocínio lógico limitado, parece que algumas crenças de alguns evangélicos correm em paralelo com este movimento mental. Existem coisas que do ponto de vista lógico são simplesmente inacreditáveis e mesmo assim as pessoas acreditam nelas.
Uma outra característica da criança é o egoísmo, o “isso é meu, é meu”, “ele roubou meu pirulito” (com trocadilhos, por favor). A criança tende a querer ser a preferida e o centro das atenções, ou seja, o pensamento delas, pelo menos num estágio primitivo, não consegue levar os outros em consideração. Freud dizia que a criança é fundamentalmente egocêntrica.
Analogamente, boa parte dos evangélicos não se importam se a ausência de um cuidado por parte do Estado dos casais homo-afetivos vai dificultar e trazer sofrimento a vida de milhares de outros seres-humanos, o que importa é que só ela é certa e dane-se os outros. E tal qual uma criança mimada, eles geralmente querem que suas verdades se sobreponham sobre as outras. É o caso do aborto. Por que uma mulher que NÃO É CRISTÃ tem que se submeter aos princípios do Cristianismo que diz que a vida se forma na concepção? Por que o Estado tem que ter uma única concepção? Simples, porque a criança acha que só ela é certa.
A relação dos evangélicos com o casamento gay ilustra bem isso. Eles se acham privilegiados, acham que só o casamento deles deve ser reconhecido pelo Estado, eles acham que de todas as sexualidades que existem nas 7 bilhões de pessoas que existem no planeta, só a deles é sagrada, divina, correta, saudável e NATURAL e todo o resto é profana, satânica, errada, doente e ANTI-NATURAL. Ou seja, se a pessoa quiser ser o “certo”, o cara tem que ser igual ao evangélico em mente e em comportamento, para assim ambos conquistarem o céu, senão ele vai par ao inferno.
Ora, o que é isso senão um raciocínio ego-centrado e egoísta , em que o infante se acha muito mais próximo do Deus (pai) do que os outros irmãozinhos (os irmãos homossexuais). Os homossexuais insistem em dizer que nasceram assim e os evangélicos não acreditam. O que é isso senão uma pessoa que raciocina a partir do próprio umbigo?
Um outro elemento da vida infantil é a incapacidade da criança de tomar decisões por si própria. Ora, o que é um crente senão uma pessoa que pensa de acordo com a opinião dos pastor ou da Bíblia ou da Igreja que ele freqüenta? Conheço crentes que deixam de pintar a unha ou de usar calça jeans e até de abraçar outras pessoas porque o pastor disse que é pecado e que isso é errado. Esta imagem se assemelha ao pai que manda a criança fazer isso ou aquilo, de modo que ela ainda não é capaz de tomar decisões por si própria e assumir as conseqüências disso.
Com relação à propriedade do elemento Deus, da mesma forma que uma criança acha que o brinquedo delas deve ser melhor que o do outro coleguinha , não é de nos surpreender quando evangélicos dizem que só vai pro céu quem acredita em Jesus (ou seja, o brinquedo dela é melhor que o dos outros).
Isso significa dizer que não só os humanos que vieram antes de Jesus estão no inferno, como também todos os budistas, hinduístas, taositas, indígenas, confunccionistas, muçulmanos etc vão ou estão no inferno. Só o que é válido é o universo da criança/ do crente. E nem adianta querer discutir este ponto pois está bem expresso na Bíblia que ninguém chega ao Pai senão por meio de Jesus.
Nessa mesma mentalidade de “meu brinquedo é maior e melhor que o seu (com trocadilhos por favor!!!)”, encontramos a mentalidade de “não existe Deus maior que o dessa Igreja”. Ora, isso significa dizer que o Deus das outras Igrejas é menor ou é “morto”, uma vez que o Deus de alguns é o Deus vivo.
Ainda com relação à punição de céu e inferno, isso me lembra o desejo que as crianças têm de denunciar seus coleguinhas ou irmãos que fazem besteira aos seu pai ou responsável (ou seja a Deus) e o prazer mórbido que elas tem de verem os outros serem punidos. Ora, isso não é o mesmo que você ver seu irmãozinho ir para o inferno (se for punido) ou para o céu (a recompensa do Grande Pai Protetor).
E pior, só vai para o céu quem compartilha das crenças da criança, pois o céu é vedado a outras criancinhas (ou outras religiões). Isso é um pensamento completamente egocêntrico. Cabe lembrar que o pensamento politeísta e o pensamento antigo, com a possibilidade de múltiplos deuses, era muito mais tolerante e defendia um exclusivismo muito menos intenso.
Um outro componente da mente infantil é o medo do escuro. Quando digo a um evangélico que não acredito no Criacionismo, ele começa a bradar e pergunta: Então como surgiram o Sol, os animais, as plantas etc? Ora, o fato de não sabermos como surgiram estas coisas, não significa dizer que Deus delas as tenha criado. De forma análoga, os taoístas afirmam que o universo surgiu do caos e uma inteligência impessoal deu organização ao Caos. É uma idéia completamente diversa da noção da Criação de um Deus Pai e Protetor.
Da mesma forma, o fato de não sabermos a datação certa da Terra, isso não significa que ela tenha sido feita há 6.000 anos. Neste sentido, as pessoas relutam em viver num mundo sem verdades fechadas, um mundo em que há uma abertura mental para ver se criticar e questionar quanto a validade de suas próprias crenças e isso é simplesmente desesperador. Viver sem ter tanta certeza assim das coisas e manter a mente sempre aberta para rever, questionar e repensar, isso é o escuro que a criança tanto teme.
Por fim, um último componente da mentalidade infantil é o medo de crescer, ou seja, de ver de alguma forma o mundo infantil ruir e dar origem a algo novo, algo maduro, em que o adulto tem responsabilidade sobre seus pensamentos, escolhas, tem raciocínio completo, possuem abertura mental a novas idéias, que compreende que os outros são diferentes de você, que todos podem coexistir no mesmo espaço e que você e seu heterossexualismo não são melhores e nem mais próximos de um suposto deus do que ninguém.
Portanto, o medo de ficar no escuro é o medo de questionar suas crenças. Esta é a síndrome de Peter Pan, de ver o conforto da criança ruir. O modo impositivo que alguns evangélicos tem com relação às suas crenças, representa na verdade medo de que tudo aquilo que ele acredita possa ser falso. Ele tem que gritar, evangelizar e convencer os outros que aquilo é verdadeiro. Ora, quem sabe que algo é verdade, simplesmente sabe e não precisa convencer os outros de tal.
O psicólogo suíço Carl Jung disse que o protestantismo era uma forma mais amadurecida de Cristianismo, pois colocava no fiel o poder de interpretar a Bíblia, ou seja, o amadurecia e fazia-o perder a relação maternal que ele tinha com o catolicismo, onde o padre interpretava e dava as respostas. Pena que este espírito inicial protestante morreu ou redundou em maluquice e histeria coletiva.
Mas se a tese de Jung tiver certa, podemos encarar alguns setores evangélicos como adolescentes. Ora, o que os adolescentes fazem senão se reunirem em “grupinhos” que tem por objetivo ser melhor que os outros?
É com admiração que às vezes vejo na televisão alguns pastores falar: o povo deste ministério é escolhido e especial. Ou seja, o nosso grupinho tem o Deus vivo, enquanto os outros grupinhos (o do Deus morto), não tão com nada! Longe de uma aparente ingenuidade, tais movimentos mentais representam uma sofisticada técnica de controle mental que os pastores conhecem muito bem, que é a diferenciação entre nós e os outros
Por fim, um outro elemento que me permitiu aprofundar esta tese foi o fato de eu não saber como alguns insistem em associar a homossexualidade à pedofilia. Isso pode ter causas tanto no passado da pessoa, quanto causa simbólica. Ora, a pedofilia que senadores como Magno Malta se refere é sempre a masculina. Uma vez que o crente é a criança e o Deus é o pai todo poderoso, será que há um elemento inconsciente aí de que esse pai possa de alguma forma molestá-lo ou traí-lo com relação à validade de suas crenças? Freud explica!
E finalmente, no que tange à visão evangélica de Deus, temos uma perspectiva de um Senhor Deus Pai. Esta visão tem origem no termo bíblico em latim que se refere a Deus, que é Dominus; ora, este termo representa justamente o senhor de terra romano. A idéia cristã de Deus, portanto, é de um ser superior ao homem, tal qual a relação do camponês para com os patrícios romanos. Ora, a relação de proteção que Deus mantém com o fiel, é a mesma que o Pai estabelece com um filho. Ao invocar o Deus, o crente se coloca na posição de uma criança, um filho que pede ao pai.
Nesse sentido, Deus é o pai que cuida da criança. É muito mais confortável ter o pastor ou a Igreja cuidando da vida delas, pensando por elas, dando respostas prontas e fechadas e a solução de todos os problemas da vida, tal qual a criança prefere mil vezes que a mãe e o pai preparem a comida, peguem água e arrumem o quarto delas do que se esforçarem para fazer essas coisas.
Não é menos verdade o conformismo de alguns fiéis do Cristianismo, onde a pessoa pobre que não tem plano de saúde morreu porque Deus quis . E se o pai mandou, é melhor obedecer e ficar quietinho e não se revoltar com as condições sociais dos homens, afinal, Deus quer assim.
As condições sociais miseráveis e de dificuldades materiais das pessoas são a alavanca do atual Deus empresário de algumas seitas eletrônicas evangélicas, que o pastor convence a pessoa de que ele tem uma ligação direta e especial com um Deus materialista, em detrimento de outros seres humanos. Aí, o pensamento infantil do crente se reproduz na idéia da criança de MEU pai, MEU herói
E para quem tem dúvidas de que esta tese é ao menos parcialmente verdadeira, coloco aqui as frases do próprio Jung com relação ao crente Ocidental em seu livro: “Psicologia e Religião Oriental”:
” Inversamente, a atitude de fé mostra-nos como as pessoas resistem em acolher a crítica filosófica. Mostra-nos também como é grande o temor de terem de abandonar a segurança da infância para se lançarem a um mundo estranho e desconhecido, mundo regido por forças para as quais o homem é indiferente.” –p. 8
” O crente, por outro lado, procura manter-se em um estado espiritual primitivo por motivos meramente sentimentais. Não se mostra disposto a abandonar a relação infantil primitiva com as imagens criadas pelo espírito. Prefere continuar gozando da segurança e da confiança que lhe oferece um mundo em que pais poderosos, responsáveis e bondosos exercem a vigilância. A fé implica, potencialmente, um sacrificum intellectus (desde que exista intelecto para ser sacrificado), mas nunca um sacrifício dos sentimentos. Assim, os crentes permanecem em estado infantil, em vez de se tornarem crianças *, e não encontram a sua vida, porque não a perdem.” – p. 9
* Na minha interpretação, o tornar-se criança que Jung se referiu ai, tem a ver com o estado puro da alma que acabou de se reencarnar e não a mentalidade infantil que ele mesmo critica no crente.
ADENDO:
Quero deixar claro que respeito todas as religiões e as concepções de Deus do coração e da compreensão de cada um. O que eu REALMENTE não respeito é essas pessoas quererm ter o direito de fazer o Estado não reconhecer meu relacionamento como válido e querer achar que os homossexuais são fora da natureza. Sei que alguns crentes sentir-se-ão ofendidos, mas se se ofenderam, é porque isso bateu no Ego delas.
Conforme afirmei acima, não pretendo ofender a crença de ninguém, pois meu objetivo foi apenas estabelecer paralelos entre a atividade mental de uma criança, as crenças evangélicas e o modo como estes elementos são simbolicamente ligados através da preocupação evangélica com as crianças da relação da homossexualidade com as mesmas, como no caso da sistemática associação entre homo-afetividade e pedofilia.
Ao vermos alguns cultos evangélicos, observamos que eles nunca exploram a razão in totum, mas sim um sentimentalismo infantil baseada na proteção de um Deus Pai Divino e que exploram a catarse coletiva. É possível repensar a imagem de Deus?
Por outro lado, sei que a crença evangélica da Divindade pode dar conforto e auxílio a muitos seres que estão sofrendo e admiro e respeito o que de positivo é encontrado no seio de algumas instituições religiosas, mas não posso admitir que o obscurantismo religioso contagie as mentalidades do mundo moderno sem ao menos questioná-lo. Sei que no seio desses rituais acontecem de fato milagres que tem ajudado muitas pessoas. Mas será que compreendemos plenamente os mecanismos espirituais, materiais, psicológicos e científicos destes milagres? Ou eles são a atuação de um Deus em si mesmo?.. E se forem a atuação deste mesmo Deus, será que tal imagem-símbolo é da mesma forma como os evangélicos a compreendem?
Claro que não são todos os evangélicos que pensam da forma como coloquei no texto, mas se pararmos para pensar com boa vontade, veremos que boa parte deles assumi uma ou mais das posturas mentais descritas acima. Não sei qual é a melhor concepção de Deus para todos os seres, mas apesar de não saber o que quero, sei exatamente o que não quero.
Para mim, a melhor concepção de Deus é a Divindade da nossa compreensão e da nossa compreensão e um modo menos impositivo de tratar esta divindade, sobretudo no que tange aos direitos dos seres homo-afetivos. Lembro que sempre admito que posso estar errado em minhas conclusões, pois sou um metamorfose ambulante e que toda e qualquer crítica construtiva é sempre bem vinda .
E novamente ressalto que este texto não é um ataque a quem quer que seja; ele é antes de tudo uma forma de entendermos nossos inimigos – sua mentalidade e comportamento – para que da próxima vez em que formos conversar com um, talvez seja bom tratá-los da forma como eles se nos apresentam a nós. E lembremo-nos que uma boa forma de se educar uma criança é com EDUCAÇÃO, exemplo, diálogo, compreensão e boa-vontade e nunca na base da violência. Sei que é difícil, mas não conheço outro caminho
Amor e Paz
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Macho e Fêmea – As Leis da Natureza e os LGBT – Parte I
14/08/10
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Este é um texto que tem como objetivo mostrar como alguns postulados metafísicos e espirituais têm tirado LGBTs da noção de natureza e mostrar como estes mesmos postulados são mal compreendidos e neles estão a semente de uma nova compreensão do mundo. Se você não gosta destes assuntos, NÃO LEIA, POIS NÃO VAI COMPREENDER O QUE ESTÁ DITO.
Muitos dizem que a natureza é dividida entre macho e fêmea, entre o masculino e o feminino e isto é uma Lei Universal. Ainda que muitos LGBTs virem a cara para questões metafísicas, eles não percebem que é graças a muitos destes postulados que eles são discriminados e postos para fora da noção de “humanidade”. Mulheres masculinizadas, homens afeminados e pessoas que mudam de sexo são postos para fora da noção das “leis da natureza”
Não só a própria natureza física e humana de gays, lésbicas e transgêneros é degradada como também a sua sexualidade predominante – que foge ao modelo macho – fêmea.
A penetração do homem na vagina da mulher é tido como a “lei natural”, um princípio da natureza e tudo o que foge a essa simplicidade unicista é tida como fora da natureza. Alguns “iluminados” das ciências ocultas e esotéricas do Ocidente, imbuídos de um falso humanismo, dizem que devemos “tolerar” os homossexuais ou ter “pena” deles, que devemos “amar” a todos (mas desde que não se rompa as barreiras entre o natural e o anti-natural, entre o normal e o anormal, ou seja, aquela barreira que coloca homens e mulheres heterossexuais dentro da natureza e LGBTs homossexuais fora do Universo).
Portanto, um postulado que tira gays e lésbicas da dinâmica do universo é o que diz que eles não estão dentro da dualidade positivo – negativo do Univero. Os rosacruzes trabalham com a Lei do triângulo, que diz que toda manifestação perfeita obedece à união de duas polaridades opostas, que dará origem a uma terceira manifestação. Dessa forma, a união do homem e da mulher, (positivo + negativo) dá origem a uma criança. Assim, a polaridade negativa com a polaridade positiva dá origem à eletricidade, que sem a união de pólos opostos, não aconteceria.
Antes de qualquer coisa, admito que eu possa estar errado na tese que formularei a seguir, mas a meu ver, a exclusão de LGBTs e da homossexualidade da Natureza baseada nas noções de masculino e feminino, expressa uma compreensão muito mal do tema.
O que é masculino e o que é feminino no campo filosófico? Masculino, ou seja, positivo, é tudo aquilo que penetra e feminino, é tudo aquilo que é penetrado. Numa dimensão global, quando colocamos água num copo, a água é positiva porque penetra o copo e este é negativo porque é penetrado. Ao colocarmos açúcar na água, esta é passiva, receptiva, e o açúcar é ativo, ou seja, penetra. Quando bebemos a água, esta é ativa e nossa boca é passiva.
Esta dualidade ativo-passivo existe em basicamente todos os fenômenos da natureza, que se processa numa espiral de fenômenos universais, que se reproduzem do infinitamente micro ao infinitamente macro. Quando ouvimos uma música, as vibrações sonoras são “masculinas”, ou seja, penetram, e nossos ouvidos são a condição negativa, ou seja, são penetrados. Ao juntarmos os dois pólos opostos (a vibração musical e o nosso ouvido), temos o fenômenos conhecido como “música”. O mesmo ocorre com o fenômeno “cor”. A luz que os objetos reflete penetra (+) os nossos olhos (-) e acontece o fenômenos cor (a terceira ponta).
Os estudantes avançados de metafísica sabem como usar a lei do triângulo de uma forma quase mágica, a ponto de criar fenômenos fora do comum, mas isso é assunto restrito aos estudantes do misticismo.
A mesma lei se aplica em fenômenos como telepatia, por exemplo. A mensagem, gravada numa vibração mental, penetra (ou seja, é ativa, masculina +), na mente de quem recebe a “intuição” (ou seja, esta é passiva -). Quando as duas condições opostas se encontram, se processa a lei do triângulo, ou seja, a terceira ponta.
Portanto, a lei do triângulo e a lei da união dos opostos como forma de deslegitimar a homossexualidade, é mal compreendida, porque estes “opostos” continuam existindo em tudo que há na natureza. Se você está lendo este texto agora, o texto é a condição ativa, masculina, aquele que penetra a sua consciência, que é passiva, receptiva, feminina. Mas quando você repassa este texto para alguém, você é o ativo e o texto é passivo, ou seja, recebe a ação. Quando você escreve um texto, o papel é “passivo” e a caneta é “ativa”, mas quando você pega a caneta, ela é passiva e sua mão é ativa e assim infinitamente. Mas o seu sistema nervoso é “ativo” porque enviou a energia nervosa para o seu corpo, que é “passivo” e assim passa a existir vários “micro-triângulos”.
Quando digo que esta lei do triângulo aplicada aos casais de sexos semelhantes é mal compreendida é porque de fato o é. Quando um homem faz sexo oral em outro, quem está sendo chupado é a condição “ativa”, ou seja, penetra, e a boca de quem chupa é a condição passiva. O mesmo se aplica quando ele é penetrado por um pênis. Este homem assume uma condição “passiva”, ou seja, receptiva. A união destas duas condições opostas é que dá origem à excitação sexual.
Quando uma mulher coloca a língua no corpo de outra, a língua dela é “masculina” e o corpo de outra é “feminino”, ou seja, receptivo. Desta forma, a união destas duas condições “opostas” dá origem à excitação sexual.
Dessa forma, quando dizemos em união dos opostos, estamos falando de “fases” de atuação e estas fases estão o tempo todo mudando. Na sexualidade, quando um homem penetra uma mulher, ele é ativo e a mulher é passiva. Não obstante, quando uma mulher lambe os mamilos de um homem, ela é ativa e o corpo do homem é passivo, ou seja, recebe.
Mais do que uma “lei universal”, a lei do triângulo aludida pelos rosacruzes e a união dos pólos opostos não se processa a partir de uma foda homem e mulher somente, mas sim, ocorre em micro-ações no cotidiano. Claro que as coisas não são sempre tão claras. Quando uma mulher faz felação num homem, seria a boca dela ativa (porque esta “atuando”) e o falo do homem seria a condição receptiva (porque está recebendo)? Nem sempre as coisas estão claras, mas nos seus contornos gerais, é assim que se processa a tal “lei triangular” da natureza.
Dessa forma, a condição “passiva” carrega algum grau da condição “ativa” e vice-versa. Particularmente creio que é sobre esta característica que o símbolo Yin-Yang alude ao mostrar a parte branca tendo uma bola preta e a parte preta como tendo uma parte branca. A caneta, que é “passiva” para minha mão, é “ativa” em relação ao papel. Isto é um exemplo trivial, mas estas reflexões guardam consigo dimensões filosóficas enormes que deixarei a cargo da capacidade de vocês se aprofundar no tema.
Um outro postulado interessante da Lei do Triângulo é que ela afirma que pólos semelhantes se repelem e pólos dissemelhantes se atraem. Isso é usado para afirmar que a atração entre casais de sexos semelhantes é “fora da natureza”. Ora, mas então este tipo de “atração” (entre sexos semelhantes) não deveria existir, não concordam?
Aliás, se pólos opostos se atraem, então se eu tiver pensamentos positivos, vou atrair coisas negativas para minha vida? Consequentemente, se eu levar uma vida “negativa”, vou atrair coisas boas para mim? Novamente há um problema não só de compreensão sobre a lei do Triângulo como também conceitual.
Haveria muito mais para se falar sobre este tema, mas sem entrar em detalhes que iria requerer não somente um background metafísico complexo sobre as escalas vibratórias do universo e o modo como as diferentes oitavas se harmonizam entre si, usarei um exemplo para mostrar como a “atração entre opostos” é mal compreendida.
O fato de eu ter pensamentos positivos e atrair coisas negativas, não constitui “opostos”. Na verdade, ao emitir pensamentos positivos para o universo, eu sou a condição “positiva e o universo é a condição negativa”. No movimento cósmico pendular, conhecido pela lei do carma ou lei de compensação, o universo exerce um movimento contrário, mandando para nós as influências positivas do Cósmico.
Quando o universo nos envia este influxo positivo, ele passa a ser o positivo (ou seja, o ativo, o que penetra) e nossa consciência e o mundo ao nosso redor é a condição negativa (ou seja, receptiva, passiva). Se esta tese estiver certa, é assim que os “pólos” opostos funcionam.
A falta de compreensão deste princípio é usado para atacar a homossexualidade dizendo que ela não preenche a “lei do triângulo”. Mas é pura falta de compreensão e burrice mesmo. Como podemos observar, não tem nada a ver com “bem e mal” ou com o corpo masculino e feminino necessariamente. Este fenômeno se processa em outras dimensões, que se relaciona a fases de atuação nos diferentes fenômenos.
Portanto, os casais de sexos semelhantes não são contrários à “lei da natureza”. A única coisa que vai contrária à natureza é a nossa compreensão. A sexualidade entre sexos semelhantes obedece às leis místicas do triângulo, da dualidade e da polaridade, como vimos aqui e aprofundaremos na parte dois.
Fim da parte I
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Você me diz que seus pais não entendem, mas você entende seus pais?
14/08/10
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Este texto é sobre a conflituosa relação entre pais e seus filhos LGBTs. Sei que hoje há felizes casos de filhos LGBTs perfeitamente absorvidos na família. E sei também que há casos patológicos cujos pais são ignorantes, obscurantistas e fanáticos e que não apresentam qualquer abertura para o diálogo. Não me proponho a ter respostas e soluções para todos os casos do mundo. Estes casos são realmente difíceis de resolver.
Também não acho que haja uma fórmula mágica para resolver todos os problemas do mundo e tampouco acredito que se reconciliar com os pais seja o objetivo de todos. Cada situação é um desafio particular.
Apesar das gloriosas exceções, em boa parte dos casos, a relação entre filhos gays, lésbicas e transgêneros e seus pais é tensa, marcada de conflitos, dores e ofensas que ambos guardam a maior parte de suas vidas. São dores difíceis de cicatrizar e que costumam sumir somente com o passar dos anos. Seja na adolescência ou vida adulta, geralmente existem muitas brigas e discussões.
Este texto é um convite ao diálogo, à compreensão mútua e ao ouvir o outro lado com amor, compaixão, comiseração, compreensão, paciência, bondade, tolerância e paz. Apesar de tantas situações e tantos conflitos, cabe a pergunta: Você já parou para tentar entender o sentimento dos seus pais? Já ouviu suas angústias, dores, medos e aflições? Já ouviu o outro lado?
É! Este é um texto que fala de Amor, Paz, Tolerância, Perdão, Superação e Aprendizado. Não, não acho que essas coisas se tornaram clichê. Nem acho que sou um Cristão disfarçado. Essas coisas não são propriedade de nenhuma religião, filosofia ou de alguma moda ultrapassada. Estas coisas pertencem à filosofia Universal, à filosofia humana. Essas virtudes são parte daquilo que nos torna verdadeiramente humanistas e humanos.
Sei que o diálogo e a expressão sincera dos sentimentos, bem como a boa-vontade para se resolver problemas e desafios não é bem uma prática cultural das famílias brasileiras, mas é preciso tentar. E não espere o outro começar, dê você mesmo o primeiro passo. Seja você mesmo as transformações que deseja ver no mundo e não fique sentado no seu sofá, indignado com a “falta de diálogo entre pais e filhos”.
É comum ouvirmos gays e lésbicas reclamaram “meus pais não me aceitam”, “eles não me amam”, “minha mãe me odeia”. Já ouvi casos de a mãe separar os talheres que o filho gay ia comer, porque tinha medo do resto da família pegar HIV (sendo que o filho gay nem tinha HIV!). Para LGBTs, seu universo minoritário é extremamente natural, mas eles se esquecem que este mesmo universo é uma incógnita para boa parte das pessoas.
Esse é o tipo de coisa que a gente só percebe quando atinge uma certa maturidade. Hoje, penso que, atrás das aparências de “meus pais não me amam”, na verdade, o que ocorre, é exatamente o contrário. Eles te amam sim e muito. Eles apenas não sabem como lidar com isso. Mas a culpa não é deles. A culpa é da ignorância, da falta de diálogo e boa vontade mútua.
Olhe para ti mesmo e se pergunte: quantos preconceitos você mesmo não tem com relação a LGBTs? “Ninguém quer nada sério”, “os gays são promíscuos”, “a homossexualidade é errada”, “em boate gay só tem putaria” etc. Se você, que é um LGBT e vive no meio, é cheio de visões distorcidas sobre seus semelhantes, por que seus pais haveriam de ter menos preconceitos que você, sendo que nunca viveram esta realidade?
Certa vez um amigo meu se assumiu para os pais e seu pai na frente da mãe e dele, o xingava, virava a cara, mas de noite, quando meu amigo ia para boate, ele chorava feito criança e dizia que tinha medo do filho pegar AIDS. Não é somente ignorância. Isso não é “opressão dos pais homofóbicos” (no melhor estilo maniqueísta – eu, vítima inocente e meus pais, homofóbicos malignos). Isso é preocupação com o filhote, dor e desespero, que ocorrem devido à ignorância, falta de diálogo, falta de conhecimento e falta de referenciais positivos sobre LGBTs.
Quem nunca já ouviu gracinhas dos seus pais? Algo como “preferia ter um filho bandido a ter um filho viado?” ou “dois homens casando é uma aberração” ou ainda “homossexualidade é errada”. Pense que seus pais são ignorantes mesmo, assim como você o é em muitas coisas. Naturalmente, também há casos maravilhosos, onde após essas tensões, os pais chegaram para os filhos, pediram desculpas e os dois se abraçaram amorosamente, invocando o perdão e a reconciliação.
Esses daí souberam transmutar a dor, a ignorância e ignomínia humana no amor, na bondade e na Paz. Eles conseguiram a alquimia espiritual tão aludida pelos alquimistas do século XVII, alquimia que nada mais é do que transformar os nossos sentimentos torpes em sentimentos sublimes.
No caso deste amigo citado acima, o pai, depois de tomar umas doses de cachaça, disse para ele que se sentia muito culpado por aquilo, que se sentia culpado pelo filho ser homo-vai ao cinema, homo-vai ao shopping, homo-namora, homo-faz carinho, homo-etc. No fundo, o pai deste menino deve ter pensado “E de pensar nisso tudo, eu homem feito, tive medo e não consegui dormir” (Teatro dos Vampiros – Renato Russo). Igual a ele deve haver milhares de pais que não foram ensinados a expor seus sentimentos, angústias e conflitos, que não foram ensinados a dialogar com seus filhos e tampouco que não foram ensinados a dar um outro tipo de educação baseada no respeito aos sentimentos dos rebentos.
Lembra da frase do Renato Russo em “Pais e Filhos”: “quero colo, vou fugir de casa. Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo, tive um pesadelo, só vou voltar depois das três.”?Já parou para pensar que esta frase pode não se referir aos filhos, mas justamente aos pais? Os pais querem o melhor para os filhos, já dizia Renatinho “Meu filho vai ter nome de santo. Quero o nome mais bonito.”, e a vida LGBT não é exatamente um bom referencial.
Este é um texto que visa à reconciliação de filhos LGBTs e seus pais. Caso tenha acontecido com você algo assim, aprenda a relevar e a perdoar. Ora, o que é o verdadeiro perdão senão dar ao outro a mesma capacidade de errar que você gostaria de ter? As pessoas não nascem sabendo. Seus pais, assim como você, estão aprendendo e eles têm o tempo certo deles.
Olhe seu pai e sua mãe, olhe o esforço que eles fizeram para te criar. Entenda que de alguma forma você pode ter quebrado algumas expectativas deles, afinal, eles não vão ter netos! Mas pelo poder do amor e do diálogo, mostre a eles seu lado, diga que não é uma escolha. Diga que você é feliz assim pelo diálogo e boa vontade.
Haverão muitos conflitos, mas lembre-se que a verdadeira PAZ não está na ausência de conflitos, mas sim na maneira como os solucionamos. A verdadeira PAZ não é uma situação exterior, mas uma condição interna, é aquele coração que arde em perfeita sintonia com o amor, comiseração, paciência, tolerância, compreensão e diálogo.
Seria o nosso objetivo compreender o outro, sua lógica e seus sentimentos, e ao mesmo tempo nos colocar assertivamente de modo a fazer o outro compreender-nos? Fácil na teoria, não é? Mas o desafio está lançado. Só depende de você. O esforço nosso de cada dia em prol do Amor, e da Paz é o que vale a vida valer à pena. Não espere o governo ou os traficantes do Rio lutarem pela Paz e pelo Amor. Essas coisas começam em você, no seu pequenino Universo.
Já dizia o maior ídolo e poeta que esta terra brasilis já teve “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar para pensar, a verdade não há”. Hoje, o pai e a mãe que te oprime, que impede você de exercer sua afetividade e sexualidade livremente, hoje aqueles pais que te xingam, porque no fundo estão preocupados e não sabem como lidar com essa nova situação, representam um obstáculo para você. Mas quando eles se forem, quando não estiverem mais ao seu lado, talvez você sinta uma enorme falta daquele colo que se preocupa com você. Preocupação de pai e mãe não tem igual e namorado ou marido nenhum pode substituí-la, a despeito das ilusões que temos sobre o amor romântico.
Antes que isso aconteça, levante e dê um abraço e tua mãe, em teu pai ou em quem te criou. E diga seu “muito obrigado”, perdoe sinceramente, pois de uma forma ou de outra, tudo o que vivemos contribuiu para nos tornarmos humanos e aprendermos alguma coisa, por mais que não tenhamos imediata consciência disso. Ora, a experiência de vida é o que dá o brilho à vida e nos faz aprender e no fundo, é o que vale a vida valer a pena.
Imagina você crescendo num mundo homofóbico em que os afeminados são espancados, as sapatas são discriminadas, os gays tem maior risco de pegar AIDS, onde essas pessoas não tem relações estáveis, não tem o conforto de uma família, não há filhos para cuidar deles no futuro, onde LGBTs tem o risco de perderem seus empregos, de serem serem discriminados, de serem alvo de fofoca na rua. Imagine o sentimento de seu pai e de sua mãe e a angústia que eles sentem. Acha que eles são simples “homofóbicos opressores?”
Mediante o risco de tudo isso, você acha que seus pais simplesmente não gostam de você? Você acha que eles não te amam? Não. Eles são pessoas que vivem num mundo injusto, discriminador, num mundo muito louco. E o que eles simplesmente não sabem fazer porque não aprenderam é conviver com isso e pior ainda, ter um filho dentro deste universo. Como você reagiria no lugar deles?
“Você culpa seus pais por tudo. Isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?”. Isso é o que lhe pergunto. Seus pais são cheios de erros, assim como você.
- É possível que você aprenda a lidar com a dificuldade deles?
- O que você quer para você? Que eles aceitem teu companheiro ou tua companheira em casa e te considerem como parte da família?
- Ou você prefere fuder nos becos escuros ou ir para a boate sem que eles nunca saibam da sua vida?
- Você prefere guardar tudo o que eles te disseram de ruim ou prefere dialogar com eles e tentar resolver os problemas?
O que você quer ser quando você crescer? Onde você quer chegar na sua relação com seus pais? Você prefere definir uma meta e envidar todos os esforços mentais para chegar até ela, ou você prefere deixar estar, fingindo que sempre ta tudo bem? Essas respostas, só você pode responder.
Por pior que seja a situação, no fundo, o que seus pais sentem, é amor. Aprenda a compreender o outro, suas dificuldades e medos. “Eu sei a barra de viver, mas se Deus quiser, tudo, tudo vai dar pé.” (by Gilberto Gil). Você pode dizer que ser LGBT é algo muito bom e muito rico e ficar reclamando que “a riqueza que nós temos ninguém consegue perceber”, mas é certo que se você não mostrar a riqueza de seu interior, se não for você mesmo um foco irradiador de paz, amor, boa-vontade, diálogo e compreensão, ninguém vai perceber mesmo.
Talvez essas não sejam as melhores formas de se resolver as coisas, mas não custa nada tentar. No fundo, o que importa mesmo não é a relação entre você e o outro, mas entre você com você mesmo. Faça a escolha. Se a solução for o diálogo, então tá bom. Se a solução for o “sentir pena”, então tá bom. Se a solução for a hipocrisia, então ta bom. Mas não se furte a tentar um outro mundo e uma outra forma de conduzir a relação com seus pais.
Mesmo se eles não “aceitarem”, perdoe-os mesmo assim. Dê ao outro a mesma oportunidade de errar que você gostaria de ter. Mesmo se as dores e mágoas forem muito grandes e não for possível uma aproximação física, do fundo de seu ser, envie pensamentos de amor e paz para seus pais, e deseje e visualize do fundo de seu coração que tudo se resolve e fique em Paz e Harmonia
A superação do mal é a grande meta da vida humana. Mas mais que isso, não só a superação do mal, mas a transformação deste, em experiência de vida positiva e transformadora é a grande meta de todos nós. Tem um carinha ai que disse uma vez uma frase. Esse carinha ta meio ultrapassado e fora de moda, mas algumas coisas que ele disse, nos servem até hoje:
Paz na Terra aos homens de boa vontade.
Amor e Paz
http://www.evolucaolgbt.blogspot.com/
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Gays podem usar a palavra família e casamento?
14/08/10
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Recentemente tenho acompanhado o pensamento de algumas pessoas, por vezes contrárias e por vezes favoráveis ao reconhecimento por parte do Estado das uniões homoafetivos. Embora haja uma gama infindável de argumentações pró e contra, um elemento que pode ser identificado nestes discursos é que alguns até são favoráveis às uniões civis homoafetivas, mas que não acha certo usar a palavra casamento e família para designar estas uniões.
O argumento destas pessoas é que a palavra casamento originalmente foi criada para designar a união entre um homem e uma mulher e igualmente a palavra família designaria o mesmo. Confesso que não procurei a origem etimológica dos conceitos de família e casamento. E também confesso que estou pouco me lixando para tal conhecimento, até porque, é bem provável que eles estejam certos. Mas ao ler este argumento etimológico para deslegitimar o casamento e as famíilas homoparentais, eu me pergunto: Isso é sério mesmo? As pessoas estão REALMENTE fazendo isso?
Então vamos lá. Se tal argumento fosse verdadeiro, não deveríamos mais usar a palavra átomo, pois originalmente este termo significa algo indivisível e hoje sabemos que o átomo é divisível. Portanto, vamos abolir a palavra átomo. Assim, não deveríamos usar a palavra democracia, pois a democracia originalmente era bem diferente do que temos hoje e as eleições não eram por voto, mas por sorteio. Portanto, vamos abolir a palavra democracia. Assim, mulheres não deveriam ter patrimônio, pois originalmente essa palavra era algo que se relacionava ao pai e ao homem. Portanto, vamos abolir a palavra patrimônio. Assim, também não deveríamos usar a palavra política pois originalmente ela significava a relação nas cidades-estado gregas, algo bem diferente das megalópoles modernas.
Assim, também não deveríamos usar o conceito de Jesus Cristo, pois Cristo era o que ele era e não o seu “nome”. Igualmente, não deveria usar o conceito de religião para designar o hinduísmo, pois tal conceito provém de religare no latim, que significa religar o Homem à Deus e para o hinduismo o Ser-humano e Deus nunca estiveram separados.
Também não deveríamos usar pneu, pois este conceito vem do grego pneuma e significa “ar”, enquanto que pneus são feitos de borracha. Também não devemos usar televisão, pois isso significa visão à distância e no caso da televisão, além de ver, também ouvimos, logo é um conceito que as pessoas não deveriam usar. Também não deveríamos usar a palavra lésbica, pois ela originalmente significava os habitantes de uma ilha grega.
Assim, eu poderia fazer uma pesquisa rasa, com um parco conhecimento de grego e de latim para mostrar que boa parte das palavras que usamos hoje tinham originalmente uma concepção bem diferente da que temos hodiernamente. Portanto, querer usar a origem etimológica de uma palavra para deslegitimar os casamentos homoafetivos e suas famílias é simplesmente RÍDICULO. A pessoa que se utiliza deste argumento é, dentro outras classificações possíveis, imbecil, idiota, sem caráter, pessoa que age de má-fé ou simplesmente burra e ignorante mesmo, com nenhum conhecimento de história, de lingüística e menos ainda de etimologia.
Quer ser “contra” o casamento homoafetivo, tudo bem. Mas por favor, utilize argumentos coerentes e inteligentes ou então pare de usar palavras como átomo, democracia, patrimônio, política, Jesus Cristo, pneu, religião, televisão, lésbica etc. As palavras simplesmente se transformam, mudam, se adaptam e ampliam seu escopo de significados e significantes. E os conceitos de “casamento” e de “família”, apesar de sagrado para os heterossexuais, não são diferente disso. Aliás, gostaria de lembrar aos heterossexuais que são contra o uso da palavra casamento para pessoas homoafetivas, que este conceito originalmente significava uma união para a vida toda. Que tal avisarmos isso para heterossexuais divorciados? Eles estão contra a origem etimológica do casamento.
Também gostaria de lembrar aos incautos, aos burros e aos ignorantes, que na Idade Média, A Igreja achava que o casamento de um homem mais velho com meninas de 13 anos já era uma família. Oh! E agora, como fica a origem etimológica das coisas? As idéias mudam e os conceitos se adaptam a elas.
Amor e Paz
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Da diferença entre gay e two-spirit
14/08/10
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Este artigo trata das formas que as diferentes sociedades ao redor do mundo viam ou ainda vêem os seres diversos do homem e da mulher comuns e da homo-afetivo-sexualidade.
Como todos sabemos, o conceito de gay ou homossexual tem base na civilização ocidental, judaico-cristã que divide o mundo em homens e mulheres. Modernamente incorporaram-se à nossa civilização identidades sociais baseadas no objeto pelo qual você sente desejo sexual. Até então inexistiam tais “identidades” sociais legitimadas e reconhecidas. Pederasta, viado, sodomita, sapatão etc eram quase xingamentos, mas representavam uma característica do ser, tal qual “gordo” ou “preto” e não um ser específico (claro, com muitas considerações a se fazer sobre isso).
Dessa forma, por mais que um homem seja afeminado ou uma mulher masculinizada, a base da sua alteridade e da sua identidade social está no seu desejo sexual e não nas características masculinas e femininas que eles manifestam. Por mais que um homem seja masculinizado, se ele tiver desejo por outro homem, ele já é jogado em outro grupo.
Cabe lembrar que tal postura mental não é universal; nos países árabes esta noção de identidade pelo desejo sexual inexiste (ao menos da mesma forma como a conhecemos) e há uma identidade diferenciada apenas para os afeminados e os sexualmente passivos, que por se igualarem à mulher, ganham um status inferiorizado. Assim, o “homossexual masculino e ativo” é simplesmente um homem como outro qualquer.
Se a identidade de gay nos parece tão natural, ela não é universal. Para entendermos melhor as diferentes classificações acerca deste fenômeno, nada melhor do que voltar às sociedades indígenas norte-americanas.
Quando os europeus estiveram em contato com estes povos perceberam que havia índios-mulheres e mulheres-homens indígenas que desempenhavam alguns papéis específicos.
Infelizmente o preconceito religioso da época relegou estas pessoas a um limbo no registro histórico, onde esses seres, para não chocar a mentalidade da época, eram frequentemente registrados como mulheres ou simplesmente como índios, pois mencionar travestis poderia causar escândalo à mentalidade dos jesuítas.
Em muitas tribos norte-americanas estes índios eram tidos como possuidores de duas almas, uma masculina e outra feminina e pela sua natureza singular a eles eram dados papéis específicos em alguns rituais. Isso é assim até hoje em algumas tribos, particularmente entre os navajos. Para maiores informações busquem o livro “Cartas do Caminho Sagrado”.
A eles eram dadas tarefas especiais, pois como podiam ver o mundo com olhos tanto de homem quanto de mulher, podiam prever o futuro, eram mais aptos às atividades xamânicas, responsáveis por cuidar das crianças e repassá-lhes os mitos etc. Cabe nos perguntar se isso faz parte de uma “natureza” destes índios ou se essas funções eram mais sociais do que espirituais, pois uma vez que não se reproduziam, tinham mais tempo para se dedicar a atividades outras que não a caça ou a cuidar dos filhos.
Não obstante, os historiadores se esbarram com uma questão que não está muito clara nos registros: Até que ponto a identidade destes índios de duas almas estavam relacionados à homossexualidade? Será também que havia alguma diferença entre um gay mais ou menos afeminado e uma travesti?
Os registros não deixam claro, mas sabe-se que muitos índios de duas almas viviam maritalmente tanto com o sexo oposto quanto com o sexo semelhante. O que, do ponto de vista da nossa experiência atual, é normal, pois sabemos que a sexualidade humana é plural e diversa. Contudo, será que um índio homem masculinizado que se relacionava com alguém do sexo semelhante era automaticamente categorizado como tendo “duas almas”? .
Até agora parece-nos que não. Isso acontece pelo simples fato de que parece que não havia uma identidade social para com quem você faz sexo, mas sim pela qualidade dos princípios masculinos e femininos que você manifestava, independentemente da prática sexual.
Algumas tribos indígenas tinham até nove gêneros, como os antigos navajo. Esta postura talvez explicaria a pergunta se eles faziam alguma diferença entre os diferentes graus de afeminamento e masculinização que observamos no mundo LGBT. Também é provável que embora tais identidades não sejam “orientações sexuais”, algumas tribos categorizassem por nomes aqueles que podiam se reproduzir e aqueles que não iriam se reproduzir.
Conforme os europeus foram destruindo essas sociedades essas tradições e conhecimentos foram se perdendo e a heteronormatividade imposta pela escola, pela televisão, jornais, cristianização etc foi ganhando cada vez mais força. Hoje conhece-se registros de tribos declaradamente homofóbicas, mas é muito difícil saber se isto era original da tribo, se isso é influência dos europeus, se isso foi alterado nos registros históricos ou se foi uma má interpretação dos europeus “historiadores”.
Sabe-se inclusive que algumas dessas tribos tinham cerimônias de “união” especiais para casais de sexos semelhantes. Nem precisa dizer que tudo isso se perdeu, sobretudo porque o governo norte-americano até recentemente tinha uma lei que tornava crime a propagação da crenças “pagãs” dos índios. MUITA COISA SE PERDEU. Lamentável.
Na década de 90 LGBTs indígenas norte-americanos, que sofriam grande preconceito em suas tribos redescobriram essa qualidade dos índios de duas almas associados aos seres LGBT, muito embora tal prática ainda continue em algumas tribos. E a partir desta década eles cunharam o conceito two-spirit, unificando diversos conceitos indígenas diferentes. Entre os navajo eles eram chamados de índios Nadleeh, outras tribos os chamavam de índios Ma-ho.
Cabe lembrar que os espanhóis chamavam esses índios duais de berdaches, mas este não é um termo nativo e origina de um termo árabe para prostituto. Há uma região no México que a tolerância aos LGBTs indígenas permanece até hoje como parte da cultura local e chama-se Oaxaca. Quem quiser mais informações, procurem o filme Muxes.
Atualmente muitos LGBTs com origem indígena norte-americana não são gays e nem lésbicas, mas sim two-spirits, o que é muito bom, pois representa um novo entendimento acerca de si mesmo e um descolamento deles da cultura Ocidental que tanto destruiu suas vidas. Esta não é uma identidade de prática sexual, mas um conceito de gênero “espiritual”. Alguns amigos meus que fizeram iniciações nos “mistérios” mais profundos da espiritualidade xamânica garantem que two-spirit não é uma orientação sexual APENAS, mas um princípio da natureza. Infelizmente, eles não me disseram tudo, mas fica a dica para quem quiser se aprofundar. Maiores detalhes podem ser obtidos por meio de meditação individual.
Independentemente da validade dos conceitos ocidentais ou indígenas, podemos tirar algumas conclusões importantes:
- A noção de identidade pela prática sexual de uma pessoa não é universal e tampouco imutável. Parece que muitos índios vivam maritalmente com sexo semelhantes sem que isso designasse uma identidade com índios de duas almas. Em nossa sociedade isso é muito visível quando olhamos a brutal diferença entre gays e HSH* . Os primeiros sabem que são diferentes em algum nível dos homens comuns, mas os HSH, embora façam o mesmo sexo que os gays, são completamente indiferentes a estas identidades.
- A possibilidade de identidades baseadas nos princípios masculinos e femininos que gays, lésbicas e transgêneros manifestam de maneira dual. Tal conceito existe em boa parte do mundo dito primitivo e em muitas sociedades “pagãs”. Para maiores informações procurem a entrevista na internet com Malidoma Some, um dos responsáveis pelos mistérios esotéricos da tribo dos Dogons na África. Em boa parte dessas culturas a existência de pessoas “duais” significava possuir poderes diferentes da maioria.
Para o pensamento moderno isto soa como fantasia. Portanto, será que é sábio “importar” essas culturas? – indago-me.
- Também podemos nos perguntar: será que são tão necessárias assim identidades para definirmos com quem a gente ta fudendo? Poderia haver outros princípios para a identificação? Não obstante, isso esbarra na recusa de LGBTs de se identificarem como sendo seres duais e também na recusa do pensamento materialista de admitir qualquer dimensão espiritualizada para esta condição, tal como acontecia nessas sociedades indígenas.
Ainda há muitas perguntas sobre as identidades dos índios two-spirits, mas sabe-se que eles eram predominantemente os modernos LGBTs. Assim como, também há muitos limbos no entendimento do que é ser gay. Ninguém até hoje sabe se gay é um tipo de homem, é uma característica, se eles devem ou não ser chamados assim etc.
Enfim, o conhecimento humano ao longo das inúmeras sociedades parece ser dinâmico e se amplia com os novos entendimentos. Independentemente de como os índios-norte americanos “eram” ou “são” é importante entendermos essas visões do passado para compreendermos nossa própria natureza atual e revermos nossas visões sobre temas que nos parecem tão naturais, mas que não o são.
Amor e Paz
*HSH: homens que fazem sexo com homens, sem necessariamente serem homossexuais. É o que ocorre, por exemplo, nos presídios, onde, na falta da figura feminina, alguns homens, mesmo heterossexuais, passam a se relacionar sexualmente com outros homens. O mesmo podemos identificar nos casos de pedofilia religiosa, onde os clérigos, cuja sexualidade é tolhida pelos dogmas da Igreja, vêem nos indefesos mais próximos a si (geralmente meninos, os coroinhas, pois são os indefesos que mais convivem com os clérigos) as suas vítimas preferidas para expressar a sua libido aprisionada.
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HJE – o que aconteceu DE FATO
14/08/10
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Como todos sabem, recentemente fui “expulso” da comunidade Homofobia Já Era. A expulsão foi apenas simbólica, pois eu já havia saído dela há mais de uma semana antes de tudo acontecer.
Por questões culturais que não convém falar agora, raramente entro em debates ou discussões de qualquer natureza, com exceção de criticar o multiculturalismo, o islamismo ou discursos homofóbicos torpes e retardados. Esses são os debates que realmente me dou ao trabalho de entrar. Muitos não concordam com minha postura, mas paciência! Não podemos agradar a todos.
Apesar de não entrar em debates, muitas pessoas tem vindo até mim lamentar o que fizeram na HJE e é unicamente por este fato que acho que as pessoas merecem uma explicação sobre o que realmente aconteceu. No entanto, gostaria de deixar claro que este assunto morreu para mim e não quero mais saber disso. Mas é bom que se deixe registrado o que de fato ocorreu. Tenho minha consciência tranqüila quanto à hombridade de minhas ações e uma vez tendo esta certeza, não preciso dar explicações e gritar para “provar a minha versão”.
Eu confesso que não li tudo o que foi postado na HJE sobre este assunto, pois tenho mais o que fazer. Mas aqui vão as seguintes observações:
A SITUAÇÃO ANTERIOR
É bem verdade que eu muitas vezes dava umas catucadas na Moderação por não concordar com essa ou aquela atitude. Até aí eu não vejo nada de mal, pois TODOS temos o direito de criticar quem quer que seja, sobretudo no país democrático em que vivemos. Várias pessoas ficavam falando em Off para mim ou num burburinho virtual paralelo que acham um absurdo o modo parcial que a Moderação da HJE moderava. E por PURA IRONIA eu nunca dei pano para manga, apenas aquiescia que não concordava com isso ou aquilo, mas nunca ataquei ninguém, pois sei que moderar mais de 70.000 pessoas não é mole.
Mas eu comecei a ver o quanto a Moderação se comportava de modo parcial quando alguém se exaltava e falava mal das idéias de outros, era logo expulso por discordar de membros-chave da comunidade. Um tal de Adriano disse uma vez que filosofia de botequim era melhor que meus textos. Não gostar do que eu escrevo e dar uma opinião é uma coisa, detratar as pessoas dessa maneira, é outra coisa. Isso é algo respeitoso? Deixo ao leitor as reflexões.
Eu, ao invés de detratar as pessoas, esperei que a Moderação desse uma chamada no membro, e esta por sua vez JAMAIS me deu um retorno sequer. Até aí tudo bem. Depois eu lia críticas virulentas aos textos que eu postava, sob a argumentação de que eram “debates teológicos”, o que é mentira, pois nunca quis “debater” com ninguém, apenas expressar opiniões e pontos de vista. No entanto, se as pessoas não sabem ler algo que não concordem e simplesmente discordar ou concordar para si, se elas sentem a necessidade de VENCER O ARGUMENTO DOS OUTROS e prova-los falso e achar que os outros é quem provocam briga, tudo bem também. Sei que há diferentes formas de abordagem.
Mas se os meus textos estavam fora do foco da Homofobia – já era, por que calhas d´água eu NUNCA recebi um aviso da Moderação pedindo para eu parar de postar textos com conteúdo “metafísico, religioso” ou qualquer outra coisa? Não seria a coisa mais ética e justa a se fazer? Mas tudo bem, as pessoas podem gostar ou não gostar do que elas quiserem. Aliás, quem ler a carta de intenções do meu blog saberá que nunca quis veicular nenhuma “verdade”, apenas espraiar idéias e reflexões para as pessoas usarem ou não.
Lembro-me que escrevi um texto sobre “Heteros no meio gay – invasão ou inclusão”, onde muitas pessoas entenderam completamente errado o que quis passar e fui OFENDIDO pela Ana Paula. Aliás, ela disse “pega os seus “textinhos” e vai embora”, me ofendeu por eu postar o endereço do meu blog ao final de alguns textos e posts. Reclamei com a Moderação e novamente, NENHUMA RESPOSTA. Moderação parcial porque a Ana Paula é “amiga”? – indago-me.Se postar o endereço do seu blog ao final de um post é crime, por que a Moderação nunca me advertiu? Acho que poderia pelo menos haver um aviso e não uma advertência vinda de outros membros que eu não fazia a menor idéia que tinha ligação com a Moderação. Ressalto que eu JAMAIS respondi a qualquer tipo de provocação, mesmo sendo provocado de várias maneiras e elogiado de muitas outras, é verdade. Mas isso não faz diferença para mim. Tanto é que nunca me imiscui nas discussões decorrentes do que entendiam do que escrevia.
Até que um dia eu escrevi num fórum que na minha opinião gays e lésbicas eram gêneros sociais tal como calabai e calalai são gêneros na sociedade dos Bugis na ilha de Sulawesi na Indonésia. As pessoas vieram cheias de agressividade, dizendo “não acredito no que eu estou lendo”, “a máscara do Revolucionário está caindo”, “blábláblá”. Ora, não era muito mais simples perguntarem: “Revolucionário, eu não entendi o que você quis dizer. Qual é seu entendimento do conceito de gênero?” E pronto! Eu ia explicar e tudo ia se resolver.
Mas Moderação parcial nunca foi um problema para mim. A moderação não é um Estado, são pessoas humanas (sic) que tem sua rede de amizades e questionamentos e reflexões próprias. Talvez se eu estivesse na Moderação não cometeria estes erros, mas cometeria outros. É a vida!!!
A SITUAÇÃO DE FATO
Depois do membro Paulo ter sido expulso da HJE (Ou advetido, sei lá! Não sei e também não quero saber), ele fez um texto criticando a postura autoritária da Moderação e mandou para o espaço do GLS Legal, que o publicou no seu site. Cabe ressaltar que o GLS Legal tem um espaço público, aberto à participação de TODOS que quiserem enviar seus textos e o Paulo apenas fez uso deste espaço, o que não configura qualquer trabalho do GLS Legal contra a HJE. Paralelo a isso, o Wesley Ursão fez um texto criticando o que ele não concordava com a Moderação da HJE. E também o Cara Laio de criou um topico da HJE – Off Topic perguntando o que estava acontecendo com a Moderação.
Eu poderia citar váaaaaarios nomes de pessoas que vieram até mim reclamando das atitudes da Moderação, mas por questões éticas, eu não o farei. Será que tem tanta gente assim errada e a Moderação SEMPRE CERTA? Pode ser que sim! Sobretudo porque eu sempre fui defensor de uma Moderação firme e sei da capcidade e da hombridade do Arthur, um dos Moderadores. Quando dos textos do Paulo e do Wesley, a Moderação exerceu seu natural e sagrado direito de defesa. (E acho que deveria ter feito isso mesmo). Só há algo que quero deixar registrado. Se é bem verdade que a Moderação agiu pensando no melhor, é inegável que há um contigente enorme de pessoas reclamando da mesma.
Nisso eu posso usar minha própria experiência. Há no meu blog textos enormes de pessoas que decidiram criticar as minhas idéias, me mandam e-mails toda semana dizendo que concordam com isso e discordam daquilo. Os textos que escreveram no meu blog estão todos lá, criticando-me, estão lá. Eu não os retirei, pois acho que a evolução se dá sobretudo no confrontamento amistoso de idéias, assim, o processo dialético que efetua o aprendizado se efetua.
E assim, depois da Moderação ter se defendido, começaram um extenso debate no orkut, onde as partes sequer foram chamadas para se defender (o que caracteriza um forte senso de justiça). Eu confesso que não li tudo, até porque quem mais escreveu foram pessoas que eu IGNORO completamente e só leio por alto. Pelo que pude entender, o Cara Laio de foi se defender das acusações que estavam fazendo contra ele, pois ele tinha falado inverdades como as de que o GLS Legal tinha sido expulso da HJE. Mas o que mais me deixou impressionado é que algumas pessoas puseram na cabeça que o Revolucionário e Cara Laio de são a mesma pessoa e NÃO SÃO! E as pessoas continuavam insistindo nisso e achando que o Rev estava usando o perfil “fake” do Cara Laio de para atacar a HJE.
Ainda disseram, ao que me consta, que o GLS Legal estava usando aquele espaço da comunidade para se auto-promover, o que é falso. Pois o rapaz é completamente sincero em seus ideais, embora o fato empresarial também faça parte disso. E qual o problema em juntar serviços para o público LGBT e militância política? A meu ver, não há nenhum.
A questão é que se o que o GLS Legal vinha fazendo era “errado”, por que nunca deram um aviso a ele, apenas apagavam autoritariamente seus tópicos? E aí as pessoas foram concordando entre si, discordando, uns achando que o Revolucionário era uma coisa etc etc… Enfim, esse assunto para mim já deu o que tinha que dar. Se eles possuem a “verdade”, então tá bom!
A OPÇÃO DA MODERAÇÃO
A Moderação da HJE fez uma opção – a de excluir toda e qualquer pessoa que tenha uma opção preconceituosa. Eu particularmente tenho uma visão diferente. Acho que nem todo mundo tem a formação acadêmica e a capacidade intelectual de muitos ali e que ao invés de “excluirmos” quem diz que bissexuais não existe ou que viadinhos queimam o filme dos gays, por que não dialogar e mostrar a essa pessoa com argumentos, que ela poderia ter uma visão melhor.
Eu acho que sai mentalmente da HJE de fato quando li num post que “não havia espaço na HJE para quem tinha achado a reportagem da Veja boa”. Ok, que a reportagem da Veja foi uma merda, tudo bem. Mas como assim? Quem não tem o rebuscamento de questionar uma reportagem mal intencionada da Veja não tem espaço ali? É assim que funciona coisas como tolerância? Aprendizado? Capacidade de argumentar? Ora, se a pessoa simplesmente achou a reportagem de Veja boa, que ache.
A Moderação fez uma opção de construir uma comunidade como um bloco mental homogêneo de pessoas que embora muito bem capacitadas em suas críticas e questionamentos, não sabe tolerar quem simplesmente diverge deles. Nem todo mundo que acha que bissexuais são promíscuos é troll, e nem todo mundo que acha que a reportagem da Veja foi boa é semeador da discórdia (dando exemplos bem rasteiros). Às vezes simplesmente são pessoas desinformadas ou que simplesmente pensam diferente. Claro, dizer isso é ser acusado de defender tolerância absoluta.
Mas uma coisa eu concordo: Quem não está satisfeito, que saia. Como diz o Adriano, em sua soberba educação “Tchau fofa”. Foi o que eu fiz antes de isso tudo acontecer. Só fiquei com pena do Vitor Mattoso, que nada tinha a ver com a história, a não ser de ceder um espaço para alguém exercer um direito democrático – o direito de crítica.
Claro que há muitas coisas a falar como o caso da Mila que ofendeu o Wesley e vai “processá-lo” (Meu Deus, será que ela REALMENTE acha que o Ministério Público da União é tão desocupado assim?). Há coisas como as minhas cutucadas na Moderação, há coisas como o fato de o Marcelo ter posto na cabeça dele que eu abri o tópico “Afinal, o que é identidade de gênero?” para criticar o PLC 122. Ora, o que EU, principal interessado no assunto, ganharia questionando o PLC 122. Mas ele deve ter poderes e saber mais da minha vida do que eu. Acontece!!!
Mas fofos, eu recomendo. Se estão incomodados, que saiam como o Adriano deixou claro. Criem uma nova comunidade, afinal, ficar de franco atirador no trabalho dos outros (A Moderação) é mole, o dificil mesmo é se dar ao trabalho de criar uma comunidade que se adapte às suas aspirações. É por isso que não estou falando”mal” da moderação propriamente dito, apenas me senti na obrigação de esclarecer o que houve, do meu ponto de vista.. Mas uma coisa é certa: a HJE tem seus méritos e espero que ela continue fazendo seu trabalho de forma profícua como sempre fez.
Talvez eles estejam certos mesmo – é preciso uma moderação firme, não autoritária, mas Autoridade (seja lá o que se entende por isso!). E talvez eu esteja errado mesmo por não ter feito nada nessa história toda. Espero que a Moderação continue assim mesmo, firme, em prol da luta contra a homofobia, contra toda e qualquer tipo de critica e atitude preconceituosa por parte dos LGBTs. A HJE tem que ter uma atitude firme pois ela representa a comunidade LGBT e não pode tolerar em seu seio quem acha que bissexuais são promíscuos, negros são assim ou assado, hetero são homofóbicos etc. E neste sentido, parabenizo ao Moderador, que sem titubetear, fez a maior expulsão da história para garantir a Paz na comunidade visando aquilo que ele achava certo..São poucas as pessoas que possuam tanta firmeza nas atitudes. Só espero que tais ações não gerem mais animosidade com relação à HJE. Da minha parte, este assunto morre aqui!
Os fatos acima foram expostos com pureza d´alma e sinceridade, sem interpretações errôneas sobre ninguém ou distorções. E quem quiser criticar ou questionar, ou apoiar, ou qualquer outra coisa, será bem vindo! É só deixar seu coment aqui em baixo que ele ficará ali e não expulsarei ninguém. Vendo hoje com mais calma, da minha posição e lendo os textos do Arthur, o que posso dizer sobre isso é que o que aconteceu de verdade foi um IMENSO MAL ENTENDIDO, FALTA DE DIÁLOGO E BOA VONTADE MÚTUAS EM ACEITAR CRÍTICA, EM REVER POSICIONAMENTOS E PRUDÊNCIA NO JULGAR OS OUTROS E SUAS ATITUDES. Mas enfim, este assunto MORREU PARA MIM.
É só um Orkut!
Amor e Paz
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Juíza de Goiás reconhece união homoafetiva de casa
09/08/10
O fato de o parágrafo 3º, do artigo 226 da Constituição Federal, reconhecer a união estável apenas entre homens e mulheres não exclui “diversas outras possibilidades de entidades familiares, até porque não caberia ao constituinte enumerar na Carta Magna todas as possíveis formas de constituição de entidades famliares que irão compor a nossa sociedade”. O entendimento é da juíza Sirlei Martins da Costa, da 3ª Vara de Família, Sucessões e Cível de Goiânia, que reconheceu a união homoafetiva de um casal de homens que vivem juntos há 28 anos. Cabe recurso.
A juíza mencionou também o parágrafo 4º, do artigo 226 da Constituição, para fundamentar sua posição. Segundo ela, o dispositivo evidencia que se trata de uma enumeração exemplificativa da entidade familiar. Além de duas testemunhas, o casal também utilizou fotos que comprovaram a união por 28 anos.
Para Sirlei, a falta de reconhecimento da união homoafetiva atenta contra os princípios da própria Constituição. Isso porque o artigo 3º estabelece que “é objetivo fundamental do Estado promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Além disso, ela lembrou que há decisões que reconhecem a união homoafetiva como verdadeira entidade familiar.
O Manual de Direito de Família, de Maria Berenice Dias, serviu para embasar o entendimento da juíza. Ela menciou na sentença o seguinte trecho: “A Constituição Federal, ao outorgar proteção à família, independentemente da celebração do casamento, vincou um novo conceito, o da entidade familiar, albergando vínculos afetivos outros. No entanto, é meracamente exemplificativo o enunciado constitucional ao fazer referência expressa somente à união estável entre um homem e uma mulher e às relações de um dos ascendentes com sua prole. O caput do artigo 226 é cláusula geral de inclusão, não sendo admissível excluir qualquer entidade que preencha os requisitos de afetividade, estabilidade e ostensibilidade”.
De acordo com a juíza, “é tranquila a questão referente à possibilidade jurídica do pedido, ante os princípios fundamentais da Constituição, que vedam discriminação, inclusive quanto ao sexo“. O pedido de reconhecimento foi feito pela advogada do casal, Chyntia Barcellos.
Clique aqui para ler a íntegra da sentença.
Fonte: http://www.conjur.com.br/2010-ago-09/juiza-reconhece-uniao-homoafetiva-casal-convive-28-anos
Guest post: O que significa e o que é ser T-Lover?
04/08/10
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Olá leitores do site GLS Legal,
Venho aqui com este post de convidado compartilhar convosco o que significa T-Lover. Mas antes gostaria de me apresentar a vocês. Meu nome é Wesley e sou conhecido como Wesley Ursão ou simplesmente Ursão. Sou dono do blog Diário T-Lover, nasci em 1988 e trabalho com blogs desde 2006. Neste post irei abordar essa questão do significado T-Lover, pois muita gente desconhece o que significa isso ou tem uma visão errada sobre esse termo.
T-Lover vem do termo “Trans Lover”, ou seja, homens que curtem, amam e admiram as travestis e transexuais. Esse termo “T-Lover” é utilizado no mundo Trans para definir aquele homem que tem atração por travestis. O homem que gosta de travestis não é gay e nem bissexual (no meu ponto de vista), pois o T-Lover gosta da figura feminina com um “detalhe” a mais. A dualidade em um corpo feminino é que chama a atenção dos T-Lovers.
Além de ver um corpo feminino com o genital masculino o que chama atenção também dos admiradores de travestis é o jeito que as travestis se produzem, se arrumam, andam e se comportam. A travesti tem um jeito tão feminino que isso desperta interesse nos homens, às vezes algumas travestis conseguem ser mais femininas que as próprias mulheres genéticas (Sem desconsiderar as mulheres genéticas).
Muitos me perguntam por que eu gosto de travestis se eu posso ficar com uma mulher genética eu lhes respondo que a travesti tem algo dentro de si, podemos dizer uma energia que deixa os homens apaixonados e excitados com tanta feminidade e por você saber que naquele corpão de mulher, cinturinha fina, cabelos longos, lindos seios, etc. Existe um genital masculino. Isso mexe muito com a nossa cabeça.
Mas nada me impede de eu gostar também de mulheres genéticas que também gosto muito. E como vivemos numa sociedade que ainda tem preconceito contra as travestis e transexuais, muitos tem medo ou vergonha de assumir esse gosto para a sociedade. Muitos saem com travestis na calada da noite e as escondidas para os amigos de trabalho, esposa, filhos e família não ficarem sabendo que você está saindo com uma travesti.
Casais do mesmo sexo podem declarar o companheiro como dependente no Imposto de Renda
30/07/10
Casais de mesmo sexo poderão declarar o companheiro – ou a companheira – como dependente do Imposto de Renda. Para tanto, basta cumprir os mesmos requisitos estabelecidos pela lei para casais com união estável. O Parecer 1.503/2010, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional foi aprovado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e deverá ser publicado esta semana no Diário Oficial da União.
O parecer é resultado de uma consulta feita por uma servidora pública que desejava incluir a companheira – isenta no Imposto de Renda – como sua dependente. Com isso, abre-se precedente para outros casais de mesmo sexo na mesma situação.
Com base no princípio da isonomia de tratamento, o parecer lembra que a legislação prevê a inclusão de companheiros heterossexuais de uniões estáveis como dependentes no Imposto de Renda e que o mesmo deve ser garantido aos parceiros homoafetivos. “O direito tributário não se presta à regulamentação e organização das conveniências ou opções sexuais dos contribuintes”, diz o documento. “A afirmação da homossexualidade da união, preferência individual constitucionalmente garantida, não pode servir de empecilho à fruição de direitos assegurados à união heterossexual”, consta do parecer.
O Brasil não reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo, mas a Justiça – e agora o Executivo – tem concedido a esses relacionamentos o mesmo tratamento legal dado aos casais heterossexuais.
Em junho, a Advocacia-Geral da União reconheceu que a união homoafetiva estável dá direito ao recebimento de benefícios previdenciários para trabalhadores do setor privado. O argumento é o de que a Constituição não permite a discriminação com base na orientação sexual. Decisão no mesmo sentido veio da Justiça de Minas Gerais, que manteve a inclusão de um funcionário aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais para fins previdenciários.
Em Mato Grosso, a Corregedoria de Justiça chegou a publicar decisão que regulamenta a união entre pessoas do mesmo sexo. A medida estabelece que casais homossexuais poderão procurar os cartórios para pedir escritura pública declarando a união homoafetiva.
O Superior Tribunal de Justiça, em 2008, foi favorável à inclusão de um companheiro de mesmo sexo no plano de saúde do parceiro. E, em abril deste ano, manteve a adoção de uma criança por um casal homossexual.
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Fonte: http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=45683&page=1
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Seguro saúde
27/07/10
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A Corte dos Direitos Humanos da União Europeia já se posicionou no sentido de que os Estados europeus não são obrigados a garantir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, na semana passada, decidiu que é descriminação o Estado negar a um casal homossexual os mesmos direitos que possui um casal heterossexual. A corte condenou a Áustria a pagar indenização de 10 mil euros por danos morais para um casal gay. O governo austríaco havia negado o direito de um servidor público colocar o seu companheiro como dependente no seguro saúde. Clique aqui para ler a decisão em inglês.
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Fonte:
http://www.conjur.com.br/2010-jul-27/direito-europa-haia-julga-2011-pais-reu-justica-outro
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Enviado por Gustavo Rocha, diretor da Consultoria GestaoAdvBr, parceiro do porta GLS Legal
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Não somos caricaturas de nós mesmos!
22/07/10
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Até quando teremos que aturar personagens homossexuais masculinos cheios de trejeitos, se comunicando com quase miados lânguidos de tão moles ao falar? Por que sempre com profissões como as de cabeleireiro, costureiro, cozinheiro, mordomo etc, fazendo o lado cômico das telenovelas brasileiras? Quem disse que tem que ser sempre assim?
Quando os personagens gays são “discretos”, do tipo que poderia se passar por heterossexual, é tão discreto, que acaba parecendo uma figura que: não beija, não faz carinho, não recebe carícias de sua cara metade, praticamente um assexuado, o qual vive numa relação do dia a dia praticamente perfeita, sem problema nenhum, que não reclama de nada e nem se incomoda com o aumento da conta do supermercado, quase uma existência nula.
Infelizmente a sociedade brasileira do século XXI ainda não está preparada e nem aceita a normalidade dos personagens LGBTs, mas com certeza tolera bem ou faz vista grossa quando estes fazem papeis secundários e com tom cômico, quase como um palhaço, o que não corresponde à vida real, apenas serve para divertir os preconceituosos conservadores.
Na novela da Rede Globo, Caras e Bocas (2009/10) escrita por Walcir Carrasco tinha um personagem que ficava rosa chiclete, bege bebê e por ai vai seguindo a tabela de cores. Já na novela Bela a Feia (2010) exibida na Rede Record existia um personagem que era dono de um salão de beleza fazendo a linha bicha pintosa do núcleo pobre, e outro personagem que era funcionário da agência de publicidade Mais Brasil que dava mais pinta do que uma lata de tinta, com vasto conhecimento do que é bom, com cultura e alto poder aquisitivo que fazia a linha bicha fina, todos estes, fazendo papeis secundários e/ou terciários dentro do enredo.
Em Paraíso Tropical – Rede Globo – (2007), escrita por Gilberto Braga existia um casal gay assim tipo “discretão”, mesmo nas cenas que passavam na casa deles, não havia nenhuma demonstração afetiva, até parecia que eram dois colegas de trabalho que dividiam o apartamento. Em outra novela, Vale Tudo (1988), também do mesmo autor e emissora, escrita anos antes, existia um casal de lésbicas muito discreto e uma delas morre no meio da trama e a “viúva” só refaz a sua vida ao lado de outra companheira no último capitulo, ou melhor só fica a sugestão disto.
Neste meio tempo também houve uma outra novela chamada Torre de Babel na qual as duas personagens que formavam o casal de lésbicas foram explodidas junto com o shopping que existia na historia. Segundo as más línguas da época comentaram, só uma iria morrer na explosão, a outra que sobrasse iria ser o pivô da separação dos personagens de Glória Menezes e Tarcisio Meira e teria um romance com ela. Por isto que a segunda lésbica foi explodida também.
A pergunta que não quer calar neste momento é: quando vamos ver ao menos um personagem gay e/ou lésbica com destaque nas tramas das nossas novelas? Personagens com um comportamento comum, sem soltar plumas e paetês, sem rodar a mão mais que hélice de helicóptero, vivendo a sua sexualidade livremente, pelo menos beijando e fazendo carinhos em seu par romântico e com profissão de engenheiro ou médico ou jornalista ou advogado ou professor de luta ou jogador de futebol etc?
Na televisão paga, a cabo, encontramos filmes, séries onde existem personagens homossexuais em diversas estórias. E, por mais que não sejam os principais da trama, são retratados com dignidade, sem se parecerem com caricaturas, por mais pinta que dêem, porque o enredo da estória retrata os vários seguimentos da sociedade..
A variedade do mundo LGBTs “real” é muito grande: existe o gay enrustido que morre de medo de se expor; o gay discreto que pode ser confundido com um hétero; o gay afetado, que dá muita pinta, a drag queen, a transexual, a travesti, os bissexuais (masculino e feminino), a lésbica chique (discreta), a “caminhoneira”, e mais uma grande variedade de tipos. E por ai vai, mas todos querem ser tratados com respeito pelos meios de comunicação e não fazendo parte do lado cômico por que não são palhaços. Mas por serem cidadãos do mundo real. com direitos e deveres, que querem expressar livremente o seu lado afetivo, sem medo ou vergonha.
Isto é falta de respeito com o público LGBTs que assiste aos capítulos das novelas igualzinho ao público hétero. Os LGBTs, aliás, que também trabalham igual, pagam impostos igual, tem casa igual, come comida igual, utiliza os transportes igual, e mesmo assim só vêem personagens homoafetivos como palhaços, coisinhas frágeis e frívolas, como marginais, desequilibrados ou como um fantasma do que eles gostariam de ser (quando mostram os gays bem sucedidos e discretos) nos tele folhetins.
Tudo isto por enquanto não passa de um sonho. Estes telespectadores gostariam de ver com certeza mais personagens homossexuais nas novelas com peso no enredo e retratados dignamente. Com acertos e erros, com virtudes e falhas. Nem melhores nem piores do que qualquer outro personagem da estória, que demonstre seus sentimentos e carinhos em frente às câmeras, como qualquer outro ser humano. Afinal de contas, as novelas costumam reproduzir a realidade contemporânea.
Para tornar este sonho realidade tem que haver uma maior união entre todos os seguimentos da grande comunidade LGBTs, para que todos juntos possam conquistar os seus direitos de cidadãos brasileiros, e serem retratados com dignidade e coerência nas estórias das tele novelas.
Os escritores tem pelo menos um e-mail de contato, as emissoras tem o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou algo parecido. Fazer contato seja com o autor ou com a emissora e manifestar o seu desagrado com as caricaturas lesbogay, ou com as criaturas homo perfeitas que não tem problemas, pode contribuir muito nesta mudança de visão dos personagens LGBTs.
Este texto começou a ser escrito antes da estreia da nova versão da novela Tititi na Rede Globo no horário das 19 horas. Esta versão é a junção de duas novelas, Tititi e Plumas e Paetês, ambas exibidas pela emissora há mais de 20 anos atrás.
O enredo desta nova versão apresenta um jovem casal gay, Júlio e Osmar, ao quais, surpreendentemente, não tem a fala pastosa e, nem mãos de hélice de helicóptero, nem tem um comportamento frívolo, não fazem gracinhas e ainda de quebra tem algumas demonstrações discretas de carinho e beijos no rosto, (quanto avanço para um folhetim deste horário e emissora). Mas infelizmente um deles morreu ainda no início da trama, só resta torcer que o outro continue na estória e consiga refazer a vida com um parceiro a altura.
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Oscar Neto | Jonalista e colabarador GLS Legal
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personagens homossexuais masculinos cheios de trejeitos, se comunicando com quase miados lânguidos de tão moles ao falar? Por que sempre com profissões como as de cabeleireiro, costureiro, cozinheiro, mordomo etc, fazendo o lado cômico das telenovelas brasileiras? Quem disse que tem que ser sempre assim?
Quando os personagens gays são “discretos”, do tipo que poderia se passar por heterossexual, é tão discreto, que acaba parecendo uma figura que: não beija, não faz carinho, não recebe carícias de sua cara metade, praticamente um assexuado, o qual vive numa relação do dia a dia praticamente perfeita, sem problema nenhum, que não reclama de nada e nem se incomoda com o aumento da conta do supermercado, quase uma existência nula.
Infelizmente a sociedade brasileira do século XXI ainda não está preparada e nem aceita a normalidade dos personagens LGBTs, mas com certeza tolera bem ou faz vista grossa quando estes fazem papeis secundários e com tom cômico, quase como um palhaço, o que não corresponde à vida real, apenas serve para divertir os preconceituosos conservadores.
Na novela da Rede Globo, Caras e Bocas (2009/10) escrita por Walcir Carrasco tinha um personagem que ficava rosa chiclete, bege bebê e por ai vai seguindo a tabela de cores. Já na novela Bela a Feia (2010) exibida na Rede Record existia um personagem que era dono de um salão de beleza fazendo a linha bicha pintosa do núcleo pobre, e outro personagem que era funcionário da agência de publicidade Mais Brasil que dava mais pinta do que uma lata de tinta, com vasto conhecimento do que é bom, com cultura e alto poder aquisitivo que fazia a linha bicha fina, todos estes, fazendo papeis secundários e/ou terciários dentro do enredo.
Em Paraíso Tropical – Rede Globo – (2007), escrita por Gilberto Braga existia um casal gay assim tipo “discretão”, mesmo nas cenas que passavam na casa deles, não havia nenhuma demonstração afetiva, até parecia que eram dois colegas de trabalho que dividiam o apartamento. Em outra novela, Vale Tudo (1988), também do mesmo autor e emissora, escrita anos antes, existia um casal de lésbicas muito discreto e uma delas morre no meio da trama e a “viúva” só refaz a sua vida ao lado de outra companheira no último capitulo, ou melhor só fica a sugestão disto.
Neste meio tempo também houve uma outra novela chamada Torre de Babel na qual as duas personagens que formavam o casal de lésbicas foram explodidas junto com o shopping que existia na historia. Segundo as más línguas da época comentaram, só uma iria morrer na explosão, a outra que sobrasse iria ser o pivô da separação dos personagens de Glória Menezes e Tarcisio Meira e teria um romance com ela. Por isto que a segunda lésbica foi explodida também.
A pergunta que não quer calar neste momento é: quando vamos ver ao menos um personagem gay e/ou lésbica com destaque nas tramas das nossas novelas? Personagens com um comportamento comum, sem soltar plumas e paetês, sem rodar a mão mais que hélice de helicóptero, vivendo a sua sexualidade livremente, pelo menos beijando e fazendo carinhos em seu par romântico e com profissão de engenheiro ou médico ou jornalista ou advogado ou professor de luta ou jogador de futebol etc?
Na televisão paga, a cabo, encontramos filmes, séries onde existem personagens homossexuais em diversas estórias. E, por mais que não sejam os principais da trama, são retratados com dignidade, sem se parecerem com caricaturas, por mais pinta que dêem, porque o enredo da estória retrata os vários seguimentos da sociedade..
A variedade do mundo LGBTs “real” é muito grande: existe o gay enrustido que morre de medo de se expor; o gay discreto que pode ser confundido com um hétero; o gay afetado, que dá muita pinta, a drag queen, a transexual, a travesti, os bissexuais (masculino e feminino), a lésbica chique (discreta), a “caminhoneira”, e mais uma grande variedade de tipos. E por ai vai, mas todos querem ser tratados com respeito pelos meios de comunicação e não fazendo parte do lado cômico por que não são palhaços. Mas por serem cidadãos do mundo real. com direitos e deveres, que querem expressar livremente o seu lado afetivo, sem medo ou vergonha.
Isto é falta de respeito com o público LGBTs que assiste aos capítulos das novelas igualzinho ao público hétero. Os LGBTs, aliás, que também trabalham igual, pagam impostos igual, tem casa igual, come comida igual, utiliza os transportes igual, e mesmo assim só vêem personagens homoafetivos como palhaços, coisinhas frágeis e frívolas, como marginais, desequilibrados ou como um fantasma do que eles gostariam de ser (quando mostram os gays bem sucedidos e discretos) nos tele folhetins.
Tudo isto por enquanto não passa de um sonho. Estes telespectadores gostariam de ver com certeza mais personagens homossexuais nas novelas com peso no enredo e retratados dignamente. Com acertos e erros, com virtudes e falhas. Nem melhores nem piores do que qualquer outro personagem da estória, que demonstre seus sentimentos e carinhos em frente às câmeras, como qualquer outro ser humano. Afinal de contas, as novelas costumam reproduzir a realidade contemporânea.
Para tornar este sonho realidade tem que haver uma maior união entre todos os seguimentos da grande comunidade LGBTs, para que todos juntos possam conquistar os seus direitos de cidadãos brasileiros, e serem retratados com dignidade e coerência nas estórias das tele novelas.
Os escritores tem pelo menos um e-mail de contato, as emissoras tem o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou algo parecido. Fazer contato seja com o autor ou com a emissora e manifestar o seu desagrado com as caricaturas lesbogay, ou com as criaturas homo perfeitas que não tem problemas, pode contribuir muito nesta mudança de visão dos personagens LGBTs.
Este texto começou a ser escrito antes da estreia da nova versão da novela Tititi na Rede Globo no horário das 19 horas. Esta versão é a junção de duas novelas, Tititi e Plumas e Paetês, ambas exibidas pela emissora há mais de 20 anos atrás.
O enredo desta nova versão apresenta um jovem casal gay, Júlio e Osmar, ao quais, surpreendentemente, não tem a fala pastosa e, nem mãos de hélice de helicóptero, nem tem um comportamento frívolo, não fazem gracinhas e ainda de quebra tem algumas demonstrações discretas de carinho e beijos no rosto, (quanto avanço para um folhetim deste horário e emissora). Mas infelizmente um deles morreu ainda no início da trama, só resta torcer que o outro continue na estória e consiga refazer a vida com um parceiro a altura.
Comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina
18/07/10
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Paulo Nassar
De São Paulo
Novos desafios para a comunicação empresarial são presentes e também trazidos pelo futuro. O ontem, embora próximo, está marcado por regulamentações de todo tipo, produto da cultura de controlar os empregados e pela necessidade de conquistar metas quantitativas, de qualidade total ou de redução de problemas provocados por assédio sexual e moral no trabalho, o que resulta na imensa quantidade de manuais e códigos de ética, de conduta, segurança, meio ambiente, saúde.
Mas tome nota: o ambiente empresarial será novo, marcado pela liberdade do empregado para afirmar sua identidade: o somatório das dimensões subjetivas e objetivas de homens e mulheres.
Nos últimos 50 anos, o entendimento da comunicação pela administração experimentou uma evolução sem precedentes, provocada de fora para dentro das empresas. Essa transformação, no Brasil, provocou uma nova visão comunicacional e relacional em três grandes movimentos. O primeiro, nos anos 1980, foi conseqüência da democratização do país, quando demanda de trabalhador deixou de ser assunto de polícia e alcançou a mesa de negociação. Um segundo movimento, no início dos anos 1990, estava ligado à internacionalização da economia brasileira, que provocou mudança nos processos de produção para promover ganhos de produtividade e competitividade e minimizar os impactos ambientais e sociais. A comunicação empresarial atuou fortemente na capacitação e no comprometimento de trabalhadores semi-analfabetos com as causas das empresas. E um terceiro, a conscientização crescente do empreendedor sobre o conceito de empresa produtiva e afetiva, uma extensão da sociedade. Ou seja, a empresa não cresce ou se mantém sustentável se o administrador não considerar os desejos, os sonhos de seus empregados e os acontecimentos sociais, históricos e culturais no âmbito da sociedade – tudo o que era visto como fator externo ao processo de produção.
Portanto, a administração deve assumir novas formas de se relacionar com a diversidade comportamental, etária, étnica, religiosa. Imagine, neste momento, no mundo do trabalho, tão regulamentado e preconceituoso, as mudanças inevitáveis de áreas como comunicação e recursos humanos diante da conquista de direitos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada recentemente na Argentina e em discussão no Brasil.
O gestor conectado no mundo, já entendeu que é preciso preparar a empresa, aprender a se relacionar, beneficiar e capacitar pessoas diversas, surgidas e legitimadas pela afirmação positiva dos homossexuais, das mulheres, dos índios, dos negros, dos mulatos, na sociedade. Em breve, teremos uma comunicação empresarial mais gay, mais feminina, mais mestiça. E por isso, mais humana.
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Fonte:
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Concedida adoção de criança por casal homossexual no litoral norte de SC
06/07/10
A juíza Joana Ribeiro Zimmer, que atua no litoral norte de Santa Catarina, deferiu o pedido de adoção de menor por um casal homossexual. A criança estava sob a guarda do casal desde os primeiros dias de vida, em razão do parentesco de uma das companheiras com a criança, e os pais biológicos confirmaram a intenção de entregá-la à adoção, mesmo ciente do relacionamento homoafetivo das adotantes.
Na sentença, a magistrada enfatizou que a criança está recebendo toda a assistência e atenção, pelo que apresenta desenvolvimento sadio e seguro. Adiantou ser salutar garantir à criança duas fontes de cuidados e obrigações, quais sejam, a obrigação de alimentos e a garantia do direito de herança.
Ela observou que apesar da situação ser atípica, o Superior Tribunal de Justiça teve entendimento inédito, no sentido de ser possível a adoção de criança por casal de homossexuais. “Desta forma, entendo que, apesar de não estar expressamente prevista em lei a possibilidade de adoção por um casal de homossexuais, não há como negar que não há proibição”, concluiu Joana.
Na sentença, a magistrada destacou, ainda, que as correntes mais vanguardistas do direito de família e infância lamentam que a nova Lei de Adoção não tenha acolhido expressamente essa situação, mas não há dúvidas de que o maior interesse da criança abarca tal possibilidade.
Neste sentido, citou o exemplo da juíza fluminense Andrea Pacha, que iniciou o projeto de Cadastro Único da Adoção, no Conselho Nacional de Justiça – CNJ. “Portanto, sob este prisma, entendo que estão preenchidos todos os requisitos para a adoção, de tal sorte que a procedência da ação é a medida que desponta necessária para a garantia dos direitos e do bem-estar da criança em questão”, finalizou a magistrada.
Fonte: http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=45229&page=1
Colaboração enviada por Gustavo Rocha, diretor da Consultoria GestãoAdvBr, parceria do site GLS Legal
HOMOFOBIA JÁ ERA – MAS INTOLERÂNCIA, NÃO
05/07/10
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Algumas pessoas estão impossibilitadas de fazer uso de uma das armas mais importantes de todo ser humano: a opinião.
Esse tópico é mais um retrato da triste situação dessa comunidade, em que poucas vozes têm direito a ecoar. Represálias são válidas pelo conteúdo das mensagens; não pelo simples fato de discordar. Uma pena.
Por causa dessas mensagens, fui excluído sumariamente da comunidade do Orkut “Homofobia Já Era” (HJE), da qual fazia parte há cerca de dois anos.
Na verdade, esse episódio não é esporádico ou exclusivo meu. De uns tempos para cá, vários membros têm sido expulsos da mesma forma – arbitrária e sem justificativas razoáveis. De comum entre as expulsões, o fato de as pessoas manifestarem opiniões diversas das de alguns membros-chaves da comunidade (os quais, imagino, também compõem a moderação ou são bastante próximos dela).
Venho representando muitos indivíduos que discordam da atual política da moderação da comunidade – opressora e que não aceita questionamentos a seu discurso unilateral, por mais que os comentários não contenham ofensas, xingamentos e similares. O fato é que eu já sentia pouquíssima vontade de acompanhar as discussões pela HJE. Também observava diversas pessoas inconformadas e que deixaram a comunidade, seja de forma voluntária ou compulsória.
O cabresto da expressão
A HJE peca ao ignorar e oprimir as discussões. Quem se aventura a compartilhar um pensamento sobre questões polêmicas que destoe da opinião dos membros-chave, é tachado de relativista, troll, semeador de discórdia, “deslegitimador da comunidade” (seja lá o que signifique isso) e afins.
Obviamente, há indivíduos que disseminam opiniões polêmicas apenas para bagunçar os tópicos e desferir ataques. Eles devem, sim, ser advertidos e eventualmente expulsos. Mas eu não sou troll – e conheço vários membros que também não o são, mas estão sendo suprimidos como se fossem. É uma questão de, no mínimo, péssima moderação, exemplificada na parca análise dos debates individuais que têm se instaurado.
Na HJE, há uma minoria, opressora, que se julga mais sábia para defender anseios que não são de boa parte das pessoas pelas quais ela diz lutar. Será que representa o desejo da maioria? Meu palpite é: não, nem de longe.
Falam muito do perigo da segregação do movimento LGBT, que estaria cada vez mais fraco e com pouca amplitude. Porém, a adoção de posicionamentos veementes e irredutíveis como a de alguns membros do supracitado fórum só contribui para isso. Vivemos em um tempo em que radicalismos, mesmo os da chamada militância LGBT tradicional, terão cada vez menos espaços para a maioria. Deve-se lutar por igualdade, mas com respeito. Se não se consegue respeito já na base do movimento, como pretendemos alcançá-lo para com a sociedade em geral?
Sete cores reduzidas a uma
No fórum, os membros-chaves concordam uns com os outros; reiteram-se; batem palmas para opiniões de seu círculo de amizades já conhecido de todos. Pergunto-me como essas pessoas pretendem ampliar seu senso crítico convivendo em uma comunidade em que apenas os mesmos indivíduos trazem as suas posições, impermeáveis como pedras.
Aqui segue um argumento dos membros que defendem a atual radicalização da comunidade.
“Se a garantia da defesa incondicional da diversidade, pelas regras, é opressora, eu não tenho o menor interesse nesse simulacro de ‘liberdade’ apregoado.”
A frase se trai nas primeiras palavras. O que propõem não é a defesa da diversidade, mas o oposto. Imagino que oprimir pensamentos divergentes, excluir membros sem aviso prévio, bloquear-se a debates e atacar quem possui uma visão minimamente destoante não representem “defender a diversidade”.
Nessa empreitada de excluir quem têm pensamentos mais coloridos, muitos usuários que contribuíam e contribuem para debates sadios têm sido oprimidos. Parece que a moderação da HJE não entende que eu e ela temos, em um nível profundo, os mesmos desejos: construir uma realidade social mais justa e menos homofóbica. E constatar isso me deixa extremamente magoado. Caramba: eu, como bom ativista, só tentava ampliar o debate e procurar esclarecer e ser esclarecido.
Com a ação opressora da moderação da HJE, acontece justamente o que todos temiam: presença de mais animosidades entre os gays ativistas, o que contribui para a desorganização na luta pela ampliação dos direitos civis. De maneira geral, pode-se depreender desse episódio que o movimento e a identidade LGBT passam por uma crise. E, a meu ver, a atitude da HJE só aumenta a rachadura.
Você que lê esse texto pode discuti-lo logo aqui embaixo. Comentários, desde que respeitosos, são válidos. Você não será punido por discordar. Afinal, diversidade inclui também respeito a pensamentos diferentes, certo?
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Autor: por uma questão pessoal, o autor pediu para não ser identificado.
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Relação homoafetiva pode ser equiparada à união estável
30/06/10
A 1ª Turma do TRF da 1ª Região manteve inclusão do companheiro de funcionário público aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) como beneficiário da pensão vitalícia.
Alega o funcionário que vive há mais de 20 anos em união homoafetiva, que a relação com o companheiro é pública, contínua e duradoura, à semelhança de verdadeira união estável. Defende o direito de indicar o companheiro ao benefício, conforme disposto no art. 217 da Lei nº 8.112/90.
Mensagem da Equipe GLS Legal
28/06/10
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Muitas pessoas nos perguntam sobre a existência de empresas que oferecem serviços ao público LGBT e se somos de alguma forma inéditos. Apesar do pioneirismo do GLS Legal no que diz respeito a algumas formas de operação, é importante ressaltar que o mercado brasileiro já conta com iniciativas direcionadas ao atendimento jurídico a este público.
No entanto, o pioneirismo do GLS Legal é que ele é um Centro de Excelência que tem como um dos seus objetivos fundamentais a construção de um mundo com mais respeito, educação e dignidade. Assim sendo, pensamos que toda marca que tenha alvos semelhantes aos nossos são atividades complementares que se unem em prol de um objetivo comum, que é a transformação social associada com a prestação de serviços da melhor qualidade, profissionalismo e seriedade. Nossa diferença se destaca pela formas diferentes de operar os sistemas de proteção aos Direitos Homoafetivos, valorizando e chamando para si a participação de todos os que possam se interessar na construção deste sistema.
A principal vertente do GLS Legal é cultivar em cada colaborador a certeza de que ele é muito importante, e fazemos isso quando abrimos um espaço exclusivo dentro do nosso site, no qual ele poderá ter os seus artigos e textos publicados. Esta ideia, associada à prestação de serviços jurídicos, psicológicos, médicos, etc, se alinha com o conceito de 360º, que permite uma atuação em diversos níveis.
Respeitamos e temos com maior estima todos os serviços e ideias semelhantes anteriores a nós e por isso acreditamos que a colaboração e a complementariedade pacífica dos serviços seja a melhor forma de construirmos um mundo melhor.
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Equipe GLS Legal
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Transexual responde como mulher no civil e no penal
28/06/10
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Em uma decisão inédita, em outubro de 2009, o Superior Tribunal de Justiça autorizou a mudança do nome e gênero na certidão de nascimento de um transexual sem que conste anotação no registro. O autor fez uma cirurgia de mudança de sexo. A relatora, ministra Nancy Andrighi, determinou que a alteração conste apenas nos livros cartorários. Oito meses depois, as instâncias inferiores aderiram ao entendimento da Corte Superior. A tese, porém, gera questionamentos sobre como essas pessoas responderão às regras da sociedade no futuro.
As dúvidas não são poucas: O transexual vai responder na Justiça como uma mulher? Se for condenada, vai para uma prisão feminina? Num casamento, responderá como mulher de fato? Em caso de separação, terá os mesmo direitos que uma mulher?
Direitos Homoafetivos – O indivíduo em uma organização do trabalho
27/06/10
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É impressionante como em pleno século XXI, mesmo após constatarmos na história elevados índices de violência, mortes, entre outras coisas, motivadas por preconceitos e racismos; a sociedade persiste em preconceitos banais.
Homem que mudou de sexo consegue se aposentar com idade mínima para mulheres
25/06/10
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Um homem britânico casado que mudou de sexo aos 58 anos ganhou na Justiça o direito de receber aposentadoria a partir dos 60 anos, idade mínima para as mulheres se aposentarem.
Livro aponta casos de união homossexual e decisões
21/06/10
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“Histórias de Amor num País sem Leis”. Esse é o título do livro da advogada Sylvia Maria Mendonça do Amaral com lançamento marcado para esta terça-feira (22/6), a partir das 19h, na Livraria Cultura do Market Place Shopping Center (avenida Dr. Chucri Zaidan, 902 – Zona Sul da Capital paulista). Sylvia Maria diz que pinta um retrato de como a homoafetividade é vista pelos tribunais do país e promete revelar dramas reais de gente de carne e osso que luta pelos seus direitos.
Especialista em Direito Homoafetivo, a autora da nova obra, que também escreveu o “Manual Prático dos Direitos de Homossexuais e Transexuais”, traz casos reais sobre união estável, partilha de bens na separação e herança, além de adoção, inseminação artificial e registro de crianças em nome de casais do mesmo sexo.
O Direito de o Homoafetivo ter Direito
20/06/10
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Primeiramente devemos definir o que é direito. Direito são normas editadas pelo Estado, que disciplinam as relações entre os indivíduos que vivem em grupo social. Em se tratando de estado democrático de direito, as normas são elaboradas por representantes eleitos pelo povo. O direito de uma pessoa sempre se volta contra outra pessoa ou o próprio Estado. Portanto, a todo direito corresponde um dever de respeitar o direito do outro. Podemos dizer que o direito é uma rua de mão dupla, pois ao mesmo tempo em que respeito alguém, quero ser respeitado também.
A INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL E OS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS
17/06/10
A INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL E OS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS (uma breve análise da ADIN 4.277 e da ADPF 132, sob as luzes da liberdade, da igualdade e da fraternidade)[1]
Luís Carlos Martins Alves Jr.
Bacharel em Direito, Universidade Federal do Piauí – UFPI;
Doutor em Direito Constitucional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG;
Professor de Direito Constitucional, Centro Universitário de Brasília – CEUB;
Procurador da Fazenda Nacional perante o Supremo Tribunal Federal
“O senhor… Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.” (Guimarães Rosa: Grande Sertão Veredas).
RESUMO: O presente texto visita os temas da interpretação constitucional e dos direitos dos homossexuais, tendo como pano de fundo a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 4.277 e a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 132, que objetivam, em síntese, o reconhecimento jurídico como entidade familiar da união estável homoafetiva ou homossexual, perspectivando o citado fenômeno constitucional sob as luzes da liberdade, da igualdade e da fraternidade.
Evolução e Racionalidade
11/06/10
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“Eu te amo!”
Não há expressão mais perfeita que esta – obviamente, se dita com toda a força do sentimento que ela carrega. Por que? Porque o amor é sublime. Não dá para explicar exatamente o que é o amor, apenas senti-lo. Com grande simplicidade, podemos dizer que é a união de carinho, cuidado, preocupação, esmero, respeito, atenção, apoio, força, alegria, incentivo, cumplicidade, e, principalmente, incondicionalidade. Porque amar não é escolha, ele simplesmente acontece – e nunca ninguém conseguiu explicar por que.
Cartilha Eletrônica de Direitos Homoafetivos – 1ª edição
10/06/10
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O GLS Legal apresenta a 1ª edição da Cartilha Eletrônica de Direitos Homoafetivos.
Para fazer o download do arquivo, clique no link ou na figura abaixo:
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Cartilha Eletrônica de Direitos Homoafetivos – 1ª edição
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O poder dos gays
06/06/10
Não é de hoje que afirmo que aos gays é dado mais poder do que eles realmente têm, por parte de algumas pessoas heterossexuais. Eu nunca vi nenhuma outra categoria social com tanto poder para “destruir todas as famílias do Brasil, degenerar toda a juventude do Brasil, influenciar milhões de pessoas ao redor do mundo e até mesmo gerar terremotos, furacões e tsnuamis”.
Mas paralelo a isso, vocês já repararam que a fonte de tais impropérios é, em sua maioria, originada de homens heterossexuais para com os gays e nunca para com as lésbicas? Vai entender, né? Deve haver algum bom motivo para tal… Mas vamos ver como os gays são poderosos?
Transexual pode manter mudança de sexo em sigilo
06/06/10
O transexual que tenha se submetido a cirurgia de mudança de sexo pode trocar nome e gênero em registro sem que conste anotação no documento. O sigilo é para manter a harmonia social e combater o comportamento preconceituoso da sociedade. Esse é o entendimento do juiz José Walter Chacon Cardoso, da 8ª Vara Cível de Campinas (SP), que aceitou o pedido de um transexual para alterar seu sexo e nome no registro de nascimento, sem que conste anotação no documento.
AGU aprova pensão do INSS para casal gay
05/06/10
BRASÍLIA. A Advocacia Geral da União (AGU) deu parecer favorável ao pagamento de benefício previdenciário para parceiros de trabalhadores da iniciativa privada nas relações homoafetivas.
O parecer impede o governo de recorrer de qualquer decisão judicial que determine o pagamento da pensão. O parecer, no entanto, não é válido para os servidores públicos federais, segundo a AGU.
Transexualidade
04/06/10
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Diante das atuais decisões favoráveis aos homossexuais, como adoção de crianças, gostaria de colocar em debate a questão da transexualidade. Eu mesma já tive o privilégio de defender judicialmente o direito à dignidade de um transexual, no intuito de ter deferido o direito de constar em sua certidão de nascimento seu nome e sexo como masculino, proporcional a seu aspecto físico e orientação psicológica.
Empresas “Gay-Friendly”: Diminuindo o preconceito e aumentando o rendimento
19/05/10
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A maior parte das empresas instaladas no Brasil ainda não está de fato adaptada a nova realidade social que, invariavelmente, causa reflexos nas relações empresariais e comerciais existentes.
Em primeiro lugar, é necessário termos em mente a seguinte verdade: diminuindo o preconceito, aumentaremos o rendimento. Simples assim.
É possível ser cristão e a favor da união homo?
19/05/10
A união civil homoafetiva é um tema sempre permeado de polêmicas. No entanto, as polêmicas inerentes e ele são fruto dedesinformação, falta de diálogo entre as partes e de raciocínios tortos. Gostaria de ressaltar que sou heterossexual, pai de família e evangélico praticante, portanto, falo de um ponto de vista fora de qualquer militância política.
Dizem que ser cristão é ser contra a união civil homoafetiva. Ora, em primeiro lugar cabe lembrar que o Cristianismo não é um bloco único. Existe não somente diversas igrejas pipocando por aí, cada uma delas afirmando ter certeza de que possui a verdade, como também há diversas interpretações individuais sobre as escrituras. Assim, cabe nos perguntar: qual igreja tem a verdade? A Assembléia de Deus, a Católica, a Igreja Universal ou a Igreja Contemporânea, que acolhe pessoas homoafetivas?
O melhor elogio que já recebemos até agora!
19/05/10
Ao longo desses seis meses de vida, diversos foram o elogios que já recebemos, referentes a todas as partes de compõe a estrutura operacional do GLS Legal.
Entre esses elogios, um se destacou: “o site do GLS Legal choca pela seriedade!”
Para nós, isso é, de fato, a conquista de um objetivo perseguido dia e noite pela equipe: passar o que realmente fazemos: um trabalho sério, baseado no conceito de Excelência Total.
Agradeço, em nome de toda a equipe GLS Legal, pela confiança depositada em nosso trabalho!
Atenciosamente,
Vitor Mattoso
Diretor Executivo | GLS Legal
Atendimento no Hospital Universitário Pedro Ernesto
19/05/10
O GLS Legal dispõe de um serviço especial, que consiste no acompanhamento presencial de clientes que desejam realizar a cirurgia de redesignação sexual.
Por enquanto estamos operando no Rio de Janeiro, no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), devido a maior carência que os serviços oferecidos pelo Governo apresentam.
Atualmente, sou o responsável pelos acompanhamentos. Isso é feito para que eu tenha certeza que, ao ser substituído, tenho perfeita noção do que passará o próximo responsável.
O nosso objetivo é o seu bem-estar
12/05/10
Dias atrás, durante uma ligação, tive que fazer algumas analogias para que a cliente entendesse a importância do nosso trabalho. Acompanhem comigo o que foi dito:
“Da mesma forma que o médico cuida da sua saúde física e busca o seu bem-estar, nós cuidaremos da sua saúde social, e também buscaremos o seu bem-estar. Os caminhos são diferentes, mas o objetivo é o mesmo: a sua tranquilidade, felicidade e satisfação”.
GLS Legal recomenda: Tango, Bolero e Cha Cha Cha
10/05/10
Ontem fui ver a peça Tango, Bolero e Cha Cha Cha, de Eloy Araújo, no teatro Clara Nunes. Trata-se da história de uma transexual e sua relação com a família, a qual deixou há dez anos.
Alguns poderiam levantar o seguinte questionamento: “Vocês viram? Essa coisa de homossexualidade só pode dar em problemas!”. Ledo engano!
Após revelar para a família a razão da ausência por tão longo tempo, “Daniel”, agora conhecido como “Lana Lee”, reserva uma surpresa incrivelmente agradável para toda a família – a antiga e nova!
Carta resposta à CNBB.
04/05/10
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Recentemente o Superior Tribunal de Justiça deu uma decisão favorável à decisão de adoção conjunta de duas crianças por um casal homoafetivo. Em resposta a esta decisão, Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB afirmou “Nem sempre o que é legal é moral e ético. “Cremos que a questão da adoção por casais homossexuais fere o direito da criança de crescer nessa referência familiar.”
Bem, inicialmente é preciso nos perguntar qual é o objetivo deste homem: prejudicar a vida de um casal buscando a construção de sua família e sua felicidade ou “ajudar as crianças”?
Sejam muito bem-vindos ao GLS Legal.
04/05/10

Senhoras e senhores,
Sejam muito bem-vindos ao novo site do GLS Legal.
Atenciosamente,
Equipe GLS Legal.

