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	<title>GLS Legal</title>
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		<title>Você é contra ou a favor o casamento homo?</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 21:14:45 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[causa LGBT]]></category>
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		<category><![CDATA[direito homoafetivo]]></category>
		<category><![CDATA[direitos homoafetivos]]></category>
		<category><![CDATA[direitos homoafetivos 360º]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
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		<description><![CDATA[. Uma das estratégias atuais da militância LGBT é fazer as pessoas serem a favor do casamento homoafetivo. Embora eu ache que este tipo de atitude seja importante e deva existir para consolidar sentimentos sociais, ter esta estratégia como o pilar de sua luta social é algo bastante sofrível. Em primeiro lugar, a premissa está]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Uma  das estratégias atuais da militância LGBT é fazer as pessoas serem a  favor do casamento homoafetivo. Embora eu ache que este tipo de atitude  seja importante e deva existir para consolidar sentimentos sociais, ter  esta estratégia como o pilar de sua luta social é algo bastante  sofrível.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em  primeiro lugar, a premissa está completamente errada. O que é ser a  favor do casamento homo? É dar o “aval” para que um casal homoafetivo  viva junto e busque sua felicidade? Isso não cabe a ninguém decidir e  tampouco dar o aval. Será, então, que seria a pessoa ser a favor do  reconhecimento jurídico do casamento homoafetivo? Se isto for ser “a  favor ou contra o casamento homo”, é preciso fazer algumas  considerações.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Apesar  do termo casamento se reportar a algo religioso, não estamos falando de  casamento religioso, onde cada um tem sua religião. Estamos falando de  direitos civis para TODOS OS CIDADÃOS DE UM PAÍS e portanto, de  casamento civil dentro de um Estado onde TODAS AS RELIGIÕES são  respeitadas. <strong>Quem os heterossexuais pensam ou acham que são para  se darem o direito de dizerem se são contra ou a favor o Estado  reconhecer o casamento de cidadãos homoafetivos? </strong><em>Por algum  acaso casais heterossexuais perguntaram a lésbicas e transgêneros se  eles eram a favor deles se divorciarem e criarem seus filhos em casas de  pais separados?</em> Por algum acaso alguma menina de 16 anos perguntou a algum gay se ele era a favor o Estado reconhecer   filhos de meninas tão jovens?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim, perguntar aos heterossexuais &#8211; evangélicos ou não &#8211; <strong>se  as pessoas homoafetivas têm o direito de ter o seu casamento  reconhecido pelo Estado, é colocar nas mãos dessas pessoas um poder que  não possuem ou uma decisão que não lhes cabe</strong>. Um dos objetivos  do Estado brasileiro é garantir o bem-estar de TODOS, sem quaisquer  formas de discriminação. Por algum acaso um heterossexual quando vai se  casar pergunta a opinião de todos os LGBTs da sociedade se eles têm  permissão para isso? E mesmo se estivéssemos falando de casamento  religioso, a Igreja contemporânea e alguns terreiros de candomblé fazem  estes casamentos. Por que o Estado deveria preterir essas religiões, uma  vez que a liberdade de consciência é inviolável para todas elas?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Naturalmente,  numa retórica falaciosa poderíamos dizer que os heterossexuais poderiam  decidir se o ordenamento jurídico brasileiro deveria ou não reconhecer  as famílias homoafetivas porque eles são maioria, e assim teriam o  direito de decidir sobre a vida de outros seres humanos. Tal premissa é  burra e monstruosa. Os alemães, maioria, também decidiram sobre a vida  dos judeus e ciganos durante a II Guerra Mundial. Durante a presidência  de Rodrigues Alves, a maioria também decidiu que não ia se vacinar e fez  a Revolta da Vacina. E por fim, a maioria também já elegeu Fernando  Collor de Melo, um dos presidentes mais bandidos da história brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim, nem sempre as massas fazem as decisões mais sábias. Cabe lembrar que <strong>Confúcio  dizia que a administração de um Estado devia ser feita pelos melhores –  os mais inteligentes e sábios – daí a verdadeira aristocracia formada  não pela plutocracia (riqueza) ou pelo sistema de apadrinhamento (como  ocorre no Brasil), mas através de um funcionalismo público elitizado,  intelectualizado</strong>, que tinha acesso somente aqueles que se  dedicavam a difíceis e concorridíssimos concursos públicos. Isto era o  Estado para Confúcio e não a opinião de uma gleba iletrada..</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">É  com certo pasmar que vejo as pessoas quererem colocar os direitos civis  das pessoas homoafetivas a plebiscito. Como é que o José do Nordeste,  uma pessoa totalmente preconceituosa, ignorante, que estudou até a 5ª  série, vai ter poder de decidir sobre a vida de outros seres humanos que  não tem nenhuma relação com a vida dele? Por que não colocar em  plebiscito o salário dos deputados, o destino dos criminosos, o fato de  deputados e senadores não serem eleitos, mas adquirirem seus cargos por  concurso público etc?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Alguém  sabe as dificuldades práticas e sofrimentos que LGBTs sofrem na vida?  Alguém sabe os sentimentos que há numa pessoa que não pode se casar, que  não pode viver uma vida consagrada ao lado de alguém, tendo garantias e  respaldos legais? Não, muito provavelmente não sabem porque não viveram  na pele e ficam só a elucubrar sobre a Bíblia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim, vejo que a estratégia do casamento homo não é somente fazer os heterossexuais “aceitarem” isso, <strong>até porque isso é algo que efetivamente não diz respeito a eles</strong>. <strong>Direitos  civis de outros seres humanos não precisam ser um “favor” da maioria,  mas um respeito ao HUMANISMO no sentido mais pleno deste termo</strong>.  Qual a diferença, afinal, para um heterossexual entre dois homens se  casando e sendo reconhecidos pelo Estado e dois homens “namorando” e  vivendo juntos? Para o heterossexual nenhuma, para os homossexuais,  várias. Eu realmente não consigo entender como é que alguns  heterossexuais acham que o Estado deva ser propriedade deles e fazer  leis apenas para eles.   Por que os heterossexuais acham que devem ter o monopólio sobre as  leis?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Dizer  que o casamento homo vai “destruir” a família, até agora nenhuma pessoa  conseguiu me dizer. Na Argentina, numa população de 8.000.000 de  pessoas, apenas 82 casamentos homoafetivos foram realizados. Como é que  isso destruiu todas as outras famílias heterossexuais do país? E como as  famílias heterossexuais do Canadá, Espanha, Portugal, Massachussets,  Holanda, Inglaterra, África do Sul, Dinamarca, Suécia etc foram  destruídas? Como é que um casal de lésbicas se casando no Rio Grande do  Sul pode destruir todas as famílias heterossexuais do Acre? Favor,  alguém me diga. Dizer que isso vai “influenciar” as pessoas é ridículo e  infantil, pois se um casal heterossexual tiver vontade de viver um  relacionamento homo, ele vai fazê-lo com o casamento civil ou não.&lt;  /span&gt;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Parece-me  bastante óbvio que o argumento de destruição da família não pode ser  verdadeiro, pois se assim o fosse, todos os heterossexuais dos países  acima teriam se separado, o que não ocorreu. <strong>Muitas vezes vemos  homens e mulheres heterossexuais se casando por obrigação, vivendo vidas  de aparência, baseada na violência e no desgaste e agora querem por a  culpa pelo “fim das famílias” nos homossexuais?</strong> Parece-me um  bom bode expiatório para justificar a própria incapacidade destas  pessoas de arranjarem famílias estáveis e felizes, pois quem é feliz, só  pode querer a felicidade do outro e quem é infeliz é que deseja a  infelicidade do outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não vos parece louvável que em meio a tantas dificuldades, os casais homoafetivos lutem para construir suas próprias famílias?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Por fim, há argumentos teológicos sobre os homossexuais serem “contra” o casamento homo. <strong>Um deles é que estariam incentivando o pecado.</strong> É aí que eu vejo o quão imbecil a pessoa é. Um Estado não pode discutir  as concepções de um ou de outro sobre pecado, pois o Estado é laico e  deve preservar o bem-estar de TODOS os cidadãos. Até para aqueles que  sequer são cristãos ou trabalham com o conceito de pecado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Dessa  forma, uma pessoa pode achar que casamento é apenas entre homem e  mulher e que a homoafetivossexualidade é um pecado, mas há outras  pessoas que não acham isso e que não podem ter seus direitos civis  obliterados.</strong> Todos podem conviver, como convivem no Canadá, Holanda, Espanha, Portugal, Argentina etc.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim,  a meu ver, a militância LGBT poderia ser mais agressiva, pois os  heterossexuais não precisam dar seu aval para o casamento homoafetivo,  pois o debate é JURÍDICO e que envolve a IGUALDADE entre cidadãos e não é  sobre o juízo de valor que o heterossexual x ou y com sua religião faz  do casamento dos outros. Eu particularmente posso ser católico e não  concordar com que viúvas se casem novamente. <strong>Tenho eu o direito  de impor minha opinião em uma viúva budista, por exemplo, que deseja  reconstruir a sua vida? Eu posso até continuar achando que ela não  deveria se casar, mas não posso impedir que o Estado não case-a alegando  que isso fere a minha crença religiosa.</strong> Seria muita petulância, egoísmo e arrogância de minha p  arte.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Portanto,  acho que a militância LGBT peca muito em ficar com esse discursinho  inócuo de “você é a favor ou contra o casamento homoafetivo”? Se você  for a favor, vamos bater palminha, se for contra, vamos chamar de  retrógrado e homofóbico. A militância social precisa educar as pessoas e  acho que isso poderia ser feito em torno de algumas idéias-chave.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">1-     Não cabe a nenhum heterossexual decidir sobre a vida de outros seres humanos que possuem uma sexualidade diferente da dele</p>
<p style="text-align: justify;">2-      Debate  do casamento homoafetivo é jurídico e não passa pelos conceitos  teológicos que sua religião trabalha, pois no país há pessoas de  religiões diferentes da sua</p>
<p style="text-align: justify;">3-     Desenvolvimento da idéia de igualdade jurídica entre todos os cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">4-     Mostrar  que o casamento homoafetivo não vai destruir lares heterossexuais, como  não aconteceu na Holanda, Suécia, Finlância, Dinarmarca, África do Sul,  Portugal, Espanha, Inglaterra etc.</p>
<p style="text-align: justify;">5-     Mostrar  que a homoafetividade não é “contagiosa” e que o indivíduo que pensa  assim, o faz por medos inconscientes de gostar da coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">6-     Fazer entender que ninguém precisa do juízo de valor dele para uma lei, pois um Estado deve governar para TODOS.</p>
<p style="text-align: justify;">7-     Fazê-los  compreender que ele pode continuar achando o que quiser da  homoafetivossexualidade e do casamento homo, assim como eu posso achar  errado uma mulher divorciada comungar na Igreja ou se casar novamente,  mas não posso impor meus valores de forma unilateral nas leis.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Amor e Paz</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

]]></content:encoded>
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		<title>LGBTs &#8211; mais de 10 milhões ou pobre minoria?</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 20:52:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. É com freqüência que ouço alguns ícones da militância LGBT falando que essas pessoas compõem milhões de cidadãos na sociedade brasileira e por isso os políticos deveriam dar atenção a esses grupos. No início do movimento de lésbicas, gays e transgêneros era inegável que havia ainda muita desinformação acerca desta realidade, como há até]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">É  com freqüência que ouço alguns ícones da militância LGBT falando que  essas pessoas compõem milhões de cidadãos na sociedade brasileira e por  isso os políticos deveriam dar atenção a esses grupos. No início do  movimento de lésbicas, gays e transgêneros era inegável que havia ainda  muita desinformação acerca desta realidade, como há até hoje. Por outro  lado não podemos fechar os olhos e fingir que as coisas não mudaram. As  pessoas estão mais informadas sobre sua própria condição.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Gradualmente  os cidadãos homoafetivos têm tomado consciência política de sua  condição e reivindicado direitos civis. Não obstante<strong>, este é um  processo em eterna construção e que dificilmente atingirá todo o  coletivo de LGBTs, pois as pessoas tem ideais, valores e consciências  diferentes em relação a diversos objetos na vida</strong>. Assim, por  mais que lutemos para politizar a comunidade, sempre haverá o gay  alienado que só quer saber de sexo e ouvir Beyoncé. Isso é fato; e com  essas pessoas só poderemos contar para engrossar os números das paradas  LGBTs.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">No seu alvorecer, o movimento LGBT <strong>estabeleceu como estratégia usar o número de pessoas que faziam parte desta comunidade como força de pressão política.</strong> A meu ver, isso foi e é um erro estratégico considerável. O número de  pessoas assumidamenteo gays, lésbicas e transgêneros é e sempre será uma  incógnita e isso acontece por dois motivos. Prática homossexual, embora  todo LGBT saiba que seja mais comum do que imaginamos, não significa  necessariamente identidade homossexual.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim  como há infinitos homossexuais com práticas heterossexuais, há inúmeros  heterossexuais com práticas homossexuais sem que essas pessoas se  entendam necessariamente como parte de um determinado coletivo baseado  na identidade de gênero e na prática sexual. Portanto, é difícil contar  com um número inexato de pessoas para fazer pressão política. Embora as  paradas LGBTs sejam gigantes em número, aquelas pessoas não são nada,  perto do grosso da sociedade e isso sem contarmos que boa parte dos  freqüentadores das paradas são heterossexuais “simpatizantes”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Alguns  anos depois do início do movimento LGBT, vemos políticos literalmente  apunhalando LGBTs pelas costas e fazendo alianças com segmentos  evangélicos de uma maneira acachapante. E isso é natural que ocorra.  Falando em termos claros, os políticos ganham muito mais agradando  evangélicos do que gays e lésbicas. Este é o preço que o movimento pagou  ao apostar todas as suas fichas na esfera política e no apoio desta  classe.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Se  no começo os líderes LGBTs assustavam os políticos com ameaças de  perder o voto dos LGBTs, hoje já está bem claro que esses votos não  representam nada,</strong> ou representam apenas a eleição de um  deputado ou de um único vereador e os candidatos já perceberam isso. Tal  fato se dá por fatos bem precisos <strong>– quem votaria num candidato que defendesse exclusivamente direitos das pessoas homoafetivas?</strong> Teoricamente, os próprios LGBTs, <strong>mas nem eles votam em candidatos que os defendem, pois a maioria é despolitizada. </strong>Também  poderíamos contar com os votos de pessoas “gay-friendly”, mas com quem  você acha que essas pessoas seriam mais comprometidos – com candidatos  que defendam os LGBTs ou com pessoas preocupada s com a redução da pobr  eza no país?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Dessa  forma, se conseguimos eleger um único deputado ou senador, como fica  todo o resto da Câmara, uma vez que LGBTs não podem votar em vários  candidatos? Assim, os “votos LGBTs” não são praticamente nada dentro do  jogo político macro e os políticos comprometidos com a causa atualmente o  fazem por questões ideológicas e de convicções pessoais.  Dessarte, poderíamos concluir que precisamos politizar a classe LGBT. Claro! Precisamos sim! <strong>Mas  hoje eu me pergunto se esta é a melhor estratégia. Mesmo se toda a  comunidade LGBT fosse politizada, será que seria possível elegermos um  presidente?</strong> JAMAIS.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O  número de LGBTs dentro da sociedade baseia-se nos hipotéticos 10 % da  população, pesquisa feita a partir dos trabalhos de Kinsey, sendo que  esta pesquisa, além de ter uma metodologia bastante criticável e nunca  ter sido confirmada posteriormente, muito provavelmente contabilizou  apenas “práticas homossexuais” e não apenas “pessoas assumidamente  homossexuais”. Assim, apesar da aparente abundância das paradas LGBTs e  da corriqueira prática da homossexualidade nos motéis deste mundo afora,  é hora de enfrentarmos a realidade<strong>: não somos “mais de 10 milhões (ao menos enquanto força política) e tampouco somos uma “enorme força política”.</strong> Nós somos de fato uma minoria.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">E  ao contrário de outras minorias, os LGBTs serão sempre minoria, pois  seu nascimento ainda é um mistério para a civilização Ocidental. Se os  negros são minoria, eles podem se reproduzir e aumentar o número de  negros. Se os judeus são minorias, eles podem se reproduzir e aumentar o  número de judeus. Se os evangélicos são minoria, eles podem converter  pessoas e aumentar o número de evangélicos, o mesmo com outras  religiões.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas  no caso dos LGBTs, não podemos “converter” as massas e tampouco podemos  “reproduzir” filhos LGBTs para aumentar nossa população. LGBTs nascem  minoria e assim sempre serão, assim como o número de cegos, deficientes  físicos e mentais, o número de crianças super dotadas etc. “Como” e “por  que” essas pessoas nascem assim, não é um assunto para o momento. Ora,  se os LGBTs fossem uma maioria tão assustadora capaz de alterar o rumo  das eleições, <strong>por que então depois da aprovação do casamento homo na Argentina, apenas 82 pessoas se casaram numa população de 8.000.000?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim,  hoje eu me pergunto se trabalhar com a força política LGBT seria a  única estratégia viável. Lembro-me dos discursos do Silas Malafaia, que  jogou na cara do Toni Reis que “os gays dizem que são mais de 10 milhões  de pessoas quando interessa, mas quando não interessa, são minoria”.  Silas está certíssimo! Devemos assumir uma postura e não ficar nesse  jogo de empurra. Quando homossexuais são assassinados, somos uma pobre  vítima da maioria opressora, quando há uma eleição, somos mais de 10  milhões.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Percebe-se que na <strong>Europa  os direitos civis homoafetivos não foram conquistados na base do “somos  milhões”, portanto vote em nós e garanta nossos direitos, caso  contrário, você perde a eleição.</strong> O discurso na Europa é e  sempre foi sobre a defesa das minorias.- um discurso bem fundamentado e  certamente decorrente do mal-estar causado pelos nazistas e sua  perseguição às minorias que não tinham como se defender. Hoje na Europa  as minorias são respeitadas não porque são uma força política, mas por  causa da experiência histórica que fez a Europa ver o quão cruel pode  ser a perseguição às minorias que não tinham como se defender – judeus,  ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais etc. <strong>E o  respeito às minorias passa necessariamente pelo humanismo e pela  valorização   do ser-humano em toda a sua plenitude e pelo respeito às diferenças e  não porque esses seres humanos são uma máquina política para fazer  votos, ideologia em cima da qual a militância LGBT no Brasil se  construiu</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim,  humildemente penso que devemos bater na tecla da verdade do que  realmente somos – uma minoria sem força e consciência política,  discriminada, que não tem ideologias políticas e religiosas fortes para  se defender e que somos perseguidos por uma maioria egoísta,  preconceituosa e fanática. Isso ficou bem claro quando começaram a dizer  que casamento homoafetivo deveria ser decidido por plebiscito. Como é  que uma maioria preconceituosa vai votar os destinos da Vida de uma  minoria tão exígua? Isso é de uma crueldade ímpar. Isso é o mesmo que  perguntar para os palestinos na Palestina se os judeus devem continuar  “vivendo” – óbvio que o “plesbicito” será negativo. Direitos humanos  JAMAIS poderão ficar nas mãos de uma maioria arbitrária e  preconceituosa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O  Estado democrático de direito pressupõe direitos iguais para TODOS os  seres humanos. Felizmente evoluímos na sociedade o suficiente para  entendermos isso, mas espero que as forças reacionárias e conservadores  não consigam tomar de assalto o Estado brasileiro e impor uma visão  obscurantista, uma “ditadura da maioria”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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		<title>Casal gay consegue autorização para adotar criança</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 18:32:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um casal de homossexuais do Paraná conseguiu o direito de adotar uma criança. O Supremo Tribunal Federal manteve a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que disse que a “limitação quanto ao sexo e à idade dos adotandos em razão da orientação sexual dos adotantes é inadmissível&#8221;. O Ministério Público do Paraná entrou com]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p>Um  casal de homossexuais do Paraná conseguiu o direito de adotar uma  criança. O Supremo Tribunal Federal manteve a decisão do Tribunal de  Justiça do Paraná, que disse que a “limitação quanto ao sexo e à idade  dos adotandos em razão da orientação sexual dos adotantes é  inadmissível&#8221;. O Ministério Público do Paraná entrou com recurso no STF  alegando a violação do artigo 226 da Constituição Federal e a  impossibilidade de configuração de união estável entre pessoas do mesmo  sexo.  As informações são do portal Jornale.</p>
<p>O Supremo negou o  pedido, com base na fundamentação do ministro Marco Aurélio, de que a  questão debatida pelo Tribunal de Justiça do Paraná foi a restrição  quanto ao sexo e à idade das crianças, e não a natureza da relação entre  o casal, que já convive há 20 anos. Segundo o ministro, o recurso  estava em “flagrante descompasso” com a decisão do Tribunal de Justiça  do Paraná.   Com a decisão do Supremo, vale a decisão do Tribunal de  Justiça do Paraná, de que o casal pode adotar em conjunto e sem  restrição quanto ao sexo ou à idade das crianças.</p>
<p>“Sinto orgulho  de o STF ter respeitado os artigos 3º e 5º da Constituição Federal, que  afirmam que não haverá discriminação no Brasil e que todos são iguais  perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, disse, em nota, Toni  Reis, que é presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays,  Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Já David Harrad se disse  “emocionado depois de cinco anos de espera&#8221;. &#8220;Agora vou realizar meu  sonho de exercer a paternidade e ser feliz ao lado do meu marido e  nossos filhos”, acrescentou.</p>
<p>Em abril de 2010, a 4ª Turma do  Superior Tribunal de Justiça reconheceu, por unanimidade, que casais  formados por homossexuais têm o direito de adotar filhos. A Turma,  formada por cinco ministros, analisou um caso de duas mulheres que  tiveram o direito de adoção reconhecido pela Justiça Federal do Rio  Grande do Sul. O Ministério Público do Estado, porém, recorreu ao STJ,  que negou o pedido do MP ao entender que em casos do tipo é a vontade da  criança que deve ser respeitada.</p>
<p>A decisão do STJ em abril  permitiu que o casal formado pela psicóloga Luciana Reis Maidana e a  fisioterapeuta Lídia Brignol Guterres adotassem duas crianças.</p>
<p>Fonte: http://www.conjur.com.br/2010-ago-26/casal-homossexual-parana-autorizacao-adotar-crianca</p>

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		<title>Casal de mulheres poderá integrar lista de adoção</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 11:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adoção homoafetiva]]></category>

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		<description><![CDATA[Casal de mulheres poderá integrar lista de adoção Por quatro votos a três, o 4º Grupo Cível do TJRS confirmou a habilitação em cadastro de adoção de um casal de mulheres. No julgamento, um dos Desembargadores mudou seu voto, passando a ser favorável à adoção, devido à recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp]]></description>
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<p><strong><span style="font-family: Arial;font-size: small">Casal de mulheres poderá integrar lista de adoção</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">Por quatro votos a  três, o 4º Grupo Cível do TJRS confirmou a habilitação em cadastro de  adoção de um casal de mulheres. No julgamento, um dos Desembargadores  mudou seu voto, passando a ser favorável à adoção, devido à recente  decisão do Superior Tribunal de Justiça (<strong>REsp 889.852-RS)</strong> que confirmou </span><a href="http://www1.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?acao=ler&amp;idNoticia=38569"><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">decisão semelhante</span></a><span style="font-family: Arial;font-size: x-small"> do TJRS.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial"><span style="font-size: x-small">Para a  maioria dos magistrados deve ser reconhecida a união estável entre as  duas mulheres e, portanto, a possibilidade que se habilitem à adoção  como casal. O Desembargador Claudir Fidélis Faccenda, que inicialmente  votou contra a habilitação conjunta, afirmou que mudaria seu voto em  razão da decisão do STJ. Salientou que já vinha reconhecendo a  possibilidade de união estável entre pessoas do mesmo sexo, pois  princípios constitucionais como o da promoção do bem de todos sem  discriminação (artigo 3º) e da igualdade (artigo 5º, caput) se sobrepõem  <em>a quaisquer outras regras, inclusive à insculpida no artigo 226, §3º, da Constituição Federal.</em></span></span></p>
<p><img src="http://www1.tjrs.jus.br/site/imagemNoticia/?idImagem=15528" alt="" /><br />
<em><span style="font-family: Arial;font-size: xx-small">imagem meramente ilustrativa<br />
(Foto: João Willrich)</span></em></p>
<p><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">O Desembargador Jorge Luís Dall´Agnol destacou que <em>aos  casais homoafetivos também deve ser alcançado tratamento digno e  igualitário, sempre que suas uniões revelem projeto de vida em comum,  amor, mútuo respeito, habitualidade e ostensiva convivência. </em>O Desembargador Rui Portanova afirmou que <em>só  existem dois caminhos: ou se reconhece o direito às relações  homossexuais (&#8230;) ou se segrega, marginaliza. A primeira hipótese  coaduna-se com a tolerância que deve permear as relações sociais. A  segunda traz o preconceito, o sectarismo, o apartheid pela opção sexual. </em>O Desembargador André Luiz Planella Villarinho, acompanhando a  maioria, afirmou que sua decisão busca preservar os interesses do menor a  ser adotado.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">O relator,  Desembargador Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, que restou  vencido, entendeu pela impossibilidade da adoção conjunta. Para o  magistrado, a relação das autoras não pode ser considerada união  estável, pois, <em>para caracterizar a união estável, é preciso que esta  seja entre um homem e uma mulher, tal como disposto no art. 226, § 2º,  da Constituição Federal, e art. 1.723 do Código Civil</em>. O voto foi acompanhado pelos Desembargadores Luiz Ari Azambuja Ramos, José Conrado de Souza Júnior. </span></p>
<p><strong><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">Adoção </span></strong></p>
<p><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">Com a ação,  ajuizada na Comarca de Santa Cruz, o casal buscava a habilitação para  adoção conjunta, porém a sentença deferiu apenas a possibilidade de que  uma das mulheres realizasse integrasse o cadastro de adotantes. Elas  recorreram ao Tribunal de Justiça, alegando que mantém um relacionamento  equivalente a união estável, com estrutura familiar e que preenchem os  requisitos necessários para habilitarem-se juntas à adoção.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">Por maioria, a 8ª  Câmara Cível reconheceu a união de duas pessoas do mesmo sexo como  entidade familiar e, dessa forma, entendeu pela possibilidade de adoção  homoparental. Da decisão foram interpostos Embargos Infringentes, e o  caso foi a julgamento pelo 4º Grupo Cível, quando foi confirmada a  decisão da Câmara.O julgamento foi encerrado no dia 13/8.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">Embargos nº 70034811810</span></p>
<hr /><em><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">EXPEDIENTE<br />
</span></em><em><span style="font-family: Arial;font-size: x-small">Texto: <span style="font-family: Arial"><span style="font-size: x-small"><em>Mariane Souza de Quadros<br />
</em></span></span>Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend<br />
<a href="mailto:imprensa@tj.rs.gov.br">imprensa@tj.rs.gov.br</a></span></em><br />
Publicação em 17/08/2010 08:30</p>
<p>Fonte: http://www1.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?acao=ler&amp;idNoticia=120768</p>

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		<title>O conceito teológico de Criação e os LGBT</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:49:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. Uma das máximas de boa parte das principais religiões do mundo é a noção de que Deus “criou” o universo e os seres humanos. Este é um conceito teológico que aparentemente não tem nenhuma relação com a vida de gays, lésbicas, transgêneros e da homossexualidade em geral, mas a despeito das aparências, uma análise]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das máximas de boa parte das principais religiões do mundo é a noção de que Deus <strong>“criou” </strong>o  universo e os seres humanos. Este é um conceito teológico que  aparentemente não tem nenhuma relação com a vida de gays, lésbicas,  transgêneros e da homossexualidade em geral, mas a despeito das  aparências, uma análise mais acurada nos mostra que eles estão  intimamente ligados.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes, porém, ressalto que o  objetivo deste texto é apenas sugerir reflexões para que outros  futuramente forneçam respostas mais sólidas para estas questões. Caso  você ache que o que está escrito aqui não lhe serve de nada e que não  tem nenhuma relação com a sua vida, perdoe-me pela audácia.</p>
<p style="text-align: justify;">Há  tempos venho dizendo que as lutas LGBTs devem se concentrar na fonte de  seus problemas – a religião e os conceitos teológicos que dela advém e  não somente no adestramento dos heterossexuais para que nos tolerem e  nos respeitem.</p>
<p style="text-align: justify;">O cerne do texto se desenvolve a partir da  premissa que o conceito teológico de Criação de alguma forma exclui  LGBTs da noção de “humanidade” e de “sociedade”.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente,  a noção de Criação implica numa divisão entre sujeito e objeto. Deus é o  Criador e o “resto” é a criação, ou seja, está “fora de Deus”.  Essa visão se relaciona ao pensamento grego de que determinada  divindade super-poderosa controla a natureza a seu bel prazer. Os  conceitos orientais e primitivos de pan-teísmo, além de ser mais  “impessoais” com relação à divindade, de modo que não existe um Deus que  ama, cuida, da carinho, carro, casa, odeia, castiga etc, eles afirmam  que a Divindade está “imanente em todas coisas”. Dentro  dessa perspectiva, as diferentes coisas que encontramos no mundo são  “gradações dessa energia única e universal” chamada Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">O  conceito de Criação traz também implícita a idéia de um “telos” daquilo  que foi criado, ou seja, um objetivo. Quando dizemos que Deus criou o  homem e a mulher para que se unissem, reproduzissem e povoassem a Terra,  eu estou dando um objetivo para a vida de milhares de homens e mulheres  no mundo. Não obstante, isso freqüentemente implica em dizer que quem  não segue esse caminho, ou seja, os LGBTs, está “fora” dos objetivos de Deus e, portanto, contrário a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Reparem que se entrarmos no universo LGBT, a visão criacionista e panteísta já oferecem perspectivas COMPLETAMENTE  diferentes. Quando afirmamos que Deus “criou” os seres humanos, implica  que os criou com determinados objetivos, pois quem cria, cria algo com  “objetivos”. Os “objetivos” de Deus, para quem ainda não reparou, são  alvo de intensos debates teológicos, nos quais os indivíduos buscam  atribuir “objetivos” à Criação de acordo com sua própria percepção da Realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Umas  Igrejas dizem que Deus criou o homem para ser feliz, outras dizem que  os seres vieram à Terra para sofrerem porque no céu serão recompensadas,  outras dizem que os 7.000.000.000 de seres humanos que existem no  planeta precisam procriar e ter uma família num padrão hetero-normativo e  serem todas iguais entre si, outras ainda dizem que o objetivo de Deus é  que cada um siga seu coração.</p>
<p style="text-align: justify;">A luta pela definição de qual o objetivo real de Deus para a sua “Criação”  é um verdadeiro campo de disputas políticas. O crente que escolheu  praticar o heterossexualismo diz que Deus fez o homem e a mulher para se  unirem, o que implica que Deus não levou em consideração os  homossexuais na sua “criação”. O crente homossexual por sua vez diz que  um suposto Deus criou os seres para serem felizes e assim segue-se um  embate violento onde cada indivíduo tenta vencer ou outro e exercer o  monopólio sobre os objetivos de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">O domínio deste monopólio  não somente dará você a satisfação egóica de vencer o outro na idéia,  como também lhe dará o controle sobre Deus e os outros seres humanos,  que estão mais ou menos próximos de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Caso as pessoas não  “cumpram” o objetivo que você acha que Deus colocou para os seres  humanos, elas estão simplesmente “fora” de Deus. Ora, mas se o outro  está “fora” dos objetivos de um suposto Deus, é porque você (ou seja, o crente) está mais “próximo”  do que o outro. Portanto, o teleologismo criacionista traz por base um  maniqueísmo hierarquizante entre os seres humanos que implica não só no  domínio de um suposto Deus e de seus objetivos, como também na cisão  entre “nós os que cumprimos o objetivo de Deus e vocês, os que estão  fora”, assim exaltando o Ego daquele que profere tal sentença  patológica.</p>
<p style="text-align: justify;">O assunto aqui é de LGBTs, mas quer um outro exemplo  claro? A Bíblia afirma quase que claramente que a natureza foi “criada”  ou “feita” para servir ao homem. Ora, isso é simplesmente um processo em  que as pessoas atribuem seus objetivos de vida a Deus. Tal conceito  teológico permitiu os seres humanos se apropriarem de imensas áreas do  mundo natural para construírem fazendas e cidades e sem complexo de  culpa nenhum com relação ao meio ambiente, afinal, estavam cumprindo o  “objetivo” da Criação de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Se os índios convivem bem com a  terra e não acham que a propriedade sobre o território é algo natural e  tampouco um “objetivo” de Deus e que os animais não devem cair sob o  jugo da exploração industrial humana, é porque eles estão “fora” dos  objetivos de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Como podemos ver, o conceito teológico de  “criação” divina implica em poderosas conseqüências político,  ideológicas e econômicas. No pensamento oriental encontramos visões mais  abrangentes como “toda vida tem seu valor”, ou “Deus está no interior  de todas as coisas e o objetivo da vida do homem é descobrir a divindade  em seu interior através das experiências de vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Reparem que  esta visão acima é fundamentalmente oposta à idéia de um “Deus criando”  as coisas com um determinado objetivo. Isso implica em questões ainda  mais profundas como “será que Deus tem um ÚNICO objetivo para os 7.000.000.000 de pessoas que existem no planeta”? E será que as pessoas que não cumprem seus objetivos é porque estão mais longe dele?</p>
<p style="text-align: justify;">O  crente sempre tenderá a responder tais questões como “no fundo Deus ama  a todos”, projetando sentimentos humanos para a idéia que eles fazem de  divindade. Não obstante, isso por si só não rompe a dicotomia entre os  que estão próximos ao objetivo de Deus e os que estão longe ou “fora”,  clivagem minorada pelos sentimentos de misericórdia divina.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem nunca ouviu alguém falando “Deus criou o homem para ser homem e a mulher para ser mulher”.  Ora, se você é um homem ou uma mulher que manifesta características  duais – masculinas e femininas – é porque você simplesmente está “fora”  de Deus. Quando dizemos que o sexo “é para a reprodução”, os seres que  possuem uma sexualidade não geradora, ou seja, predominantemente neutra,  é porque estão “fora” dos objetivos da sexualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no  pensamento primitivo, encontramos muitas formas diferentes da noção de  Criação, que admitem desde uma pluralidade de existências humanas,  quanto à de que não há um “objetivo” na Criação e que tudo existe por  causa da dança cósmica. Independentemente da validade destes diversos  conceitos teológicos, o que quero mostrar é que, apesar de tida como  natural pelos ocidentais, o conceito teológico de Criação não é “natural”. Ele  é responsável por boa parte dos imbróglios conceituais com que se  defrontam gays e lésbicas, que são tidos como “fora de um telos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente,  o que muitos vêm fazendo é ampliar a fronteira teleológica da Criação,  mas poucos capazes foram de quebrar ou renovar esta idéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu me  lembro quando assisti uma palestra sobre Cabala e o cidadão disse que  Deus criou o Homem e a Mulher. Eu solenemente perguntei quem tinha  criado as travestis, que não são nem homem e nem mulher. Ele disse que  isso daí era o carma da outra encarnação.</p>
<p style="text-align: justify;">O conceito de criação implica em dizer que há um “caminho correto” (que geralmente se assemelha ao caminho de vida de quem profere as sentenças!!!)  e se você não está neste “caminho” é porque aconteceu alguma coisa  “errada” – trauma de infância, abuso sexual, carma da outra encarnação,  mulher presa em corpo de homem, desvio genético, dano cerebral e toda  sorte de imbecilidades que a mente humana é capaz de produzir. Ou seja,  há uma divisão ontológica e valorativa bem clara entre uns seres humanos  e “os outros”.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, há um grande rio teológico. De um lado  estão as pessoas que “seguem” a Deus e seus objetivos – seja no controle  da sexualidade, nas manifestações de gênero, no controle da natureza e  do outro há uma margem de pessoas que estão longe do que “Deus quer para  elas” ou ainda que fugiram por algum “erro” ou “compensação” do  passado. Problemas ainda maiores surgem quando nos colocamos questões  como:</p>
<p style="text-align: justify;">- Ora, mas se não existisse tal clivagem, então poderíamos  dizer que um assassino ou um usuário de drogas estão tão próximos de  Deus quanto uma pessoa religiosa?</p>
<p style="text-align: justify;">Este tema tem implicações  diversas que deveremos desenvolver por meio da reflexão e meditação. Mas  cabe aqui algumas perguntas: Você tem uma visão melhor para a  divindade? Acha que devemos acabar com toda essa baboseira de  espiritualidade? Você seria capaz de desenvolver um conceito teológico  que abarcasse todos os seres humanos em suas diferenças de manifestações  e objetivos de vida? Acha que isso é inútil? Acha que a Vida segue um  objetivo proposto por uma divindade super-humana? Acha que a vida em si é  indiferente e quem dá objetivos e significados a ela somos nós?</p>
<p style="text-align: justify;">Deixo ao leitor as respostas.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor e Paz</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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		<title>A mentalidade evangélica, as crianças e homofobia</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:49:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. Boa parte das tradições espirituais do mundo fala a respeito da reencarnação e que as almas apresentam diferentes estágios de compreensão da Verdade. Portanto, as pessoas têm diferentes graus de evolução e é ela que justifica a encarnação dos seres. Se esta tese estiver certa (reparem bem, eu não disse que ela É A]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Boa parte das tradições espirituais do mundo fala a respeito da  reencarnação e que as almas apresentam diferentes estágios de  compreensão da Verdade. Portanto, as pessoas têm diferentes graus de  evolução e é ela que justifica a encarnação dos seres.  Se esta tese  estiver certa<em> (reparem bem, eu não disse que ela É A CERTA, eu supôs que ela possa estar certa ), </em>podemos  supor que as crenças religiosas refletem igualmente os graus de  compreensão e evolução das pessoas e existem crenças mais avançadas e  menos avançadas na compreensão do Todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda na  esteira deste pensamento, podemos argumentar que não existem crenças  religiosas de  per se , ou seja, desconectados de um sujeito  psicológico. Se uma crença de Deus parece mais verdadeira para uns e não  para outros, é simplesmente porque os sujeitos estão em diferentes  graus de evolução espiritual e maturação psicológica e suas crenças  religiosas, de alguma forma, refletem o quadro mental e a maturidade  daqueles que acreditam nelas.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso pode ser exemplificado de forma maravilhosa no casamento gay.  Enquanto os evangélicos no Brasil usam a  Bíblia para atacar tal  instituição, os protestantes do Norte da Europa usam o mesmo livro para  abençoar casais de sexos semelhantes, argumentando que só Deus pode  julgar a vida sexual de cada um.  Ora, se o livro é o mesmo, por que as pessoas enxergam coisas diferentes?</p>
<p style="text-align: justify;">Como podemos ver, a questão não está propriamente no objeto “Bíblia <em>(e o que ela supostamente nos informa)”</em>,  mas sim no modo como os diferentes sujeitos o utilizam de acordo com  seu grau de evolução, compreensão e desenvolvimento psicológico.  Dessarte, não se dissocia sujeito de objeto e vice-versa, tal como  pretenderam os positivistas.</p>
<p style="text-align: justify;">É de conhecimento geral  que a campanha contra o casamento gay na Califórnia foi amplamente  patrocinada por grupos fundamentalistas cristãos que argumentavam que  isso ia confundir a cabeça das crianças e que elas iam perder seus  valores e referenciais de certo e de errado. Católicos dizem no México  que gays querem ser pais para molestar as crianças  (nem vou entrar no mérito de que nossas palavras refletem nossa mente)  e evangélicos no Brasil insistem em associar homo-afetividade com pedofilia.</p>
<p style="text-align: justify;">Boa parte não só da homofobia, mas também do discurso  religioso evangélico se dá em torno das crianças. Haja vista Michael  Jackson cantando “save the children in Africa” e em suas músicas sempre  aparecem crianças felizes e sorrindo. Várias campanhas evangélicas de  caridade giram em torno do bem-estar infantil e de recolher fundos e  mantimentos para as crianças da África ( não vou entrar no mérito de que isso representa imperialismo, destruição cultural e dominação ideológica disfarçados). Crianças pra lá, crianças pra cá e tudo muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu poderia entrar pelo lado racional da questão e dizer: o  que é mais importante para um país devastado em guerra: um adulto que  trabalha e é capaz de gerar empregos e reconstruir a nação ou uma  criança que dá muito mais despesa e ajuda muito menos? Ou poderia  perguntar por que não há tanta preocupação com os idosos ou os adultos?   Por acaso o sofrimento deles é menos intenso que o das crianças com  fome?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não, não vou fazer uma análise racional disso.  A tese central deste texto baseia-se na minha desconfiança de que boa parte dos evangélicos faz ode às crianças porque isso simplesmente representa o estágio psicológico deles,  ou seja, as crianças refletem o que eles são mentalmente.  Boa parte  dos evangélicos acaba por defender as crianças, pois elas representam um  símbolo psicológico inconsciente do que essas pessoas são.  A relação  deles com a homossexualidade ilustra  <strong>MUITO BEM</strong> esta tese.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu objetivo é mostrar como atitudes mentais de uma criança se reflete  no comportamento de boa parte dos evangélicos.  Se tais atitudes são  boas ou ruins, certas ou erradas, não entre no mérito. Para atingir este  objetivo,<strong> farei um paralelo entre os comportamentos infantis e o de alguns evangélicos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Qual  é uma das principais características dos infantes?  O raciocínio  limitado!  Ora, podemos ver evangélicos acreditando em cada coisa  absurda, que só pode ser fruto de um raciocínio limitado:</p>
<p style="text-align: justify;">1-      Os homossexuais escolheram ser assim –   <strong>Claro, assim como os heterossexuais escolheram ser assim</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">2-      Se tudo mundo vier a ser homossexual, o mundo vai acabar –  <strong>Ora, se existe possibilidade de todo mundo vir a ser homossexual, e os evangélicos fazem parte do mundo, logo&#8230; </strong></p>
<p style="text-align: justify;">3-      Se uma criança vir um casal gay, ela vai virar gay –  <strong>Sim, assim como se um gay vir um casal hetero, ele vai virar praticante do heterossexualismo.<br />
</strong><br />
4-      O homossexualismo é anti-natural –  <strong>sim, assim como o ventilador, a geladeira, a luz elétrica, a comida congelada. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">5-      A Bíblia não diz que devemos comemorar aniversário, como dizem as Testemunhas de Jeová. –   <strong>Sim, assim como a Bíblia não diz que devemos toma guaraná em pó e nem usar internet. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">6-      A Terra surgiu a seis mil anos atrás –  <strong>Sim, assim como os egípcios e os homens de Neanderthal conviveram com os dinossauros. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">7-      Se o casamento gay for aprovado, toda a família vai ser destruída –  <strong>Ah?  Como Assim? Como eu me casando com meu companheiro vai afetar a vida da  Maria e do João casados, que moram num bairro distante do meu? Não  entendi. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, assim como a criança tem capacidade  de raciocínio lógico limitado, parece que algumas crenças de alguns  evangélicos correm em paralelo com este movimento mental. Existem coisas  que do ponto de vista lógico são simplesmente inacreditáveis e mesmo  assim as pessoas acreditam nelas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma outra característica da criança é o egoísmo,  o  “isso é meu, é meu”, “ele roubou meu pirulito”  (com trocadilhos,  por favor). A criança tende a querer ser a preferida e o centro das  atenções, ou seja, o pensamento delas, pelo menos num estágio primitivo,  não consegue levar os outros em consideração. Freud dizia que a criança  é fundamentalmente egocêntrica.</p>
<p style="text-align: justify;">Analogamente,  boa parte dos  evangélicos não se importam se a ausência de um cuidado por parte do  Estado dos casais homo-afetivos vai dificultar e trazer sofrimento a  vida de milhares de outros seres-humanos, o que importa é que só ela é  certa e dane-se os outros.  E tal qual uma criança mimada, eles  geralmente querem que suas verdades se sobreponham sobre as outras. É o  caso do aborto. Por que uma mulher que NÃO É CRISTÃ tem que se submeter  aos princípios do Cristianismo que diz que a vida se forma na concepção?  Por que o Estado tem que ter uma única concepção?  Simples, porque a criança acha que só ela é certa.</p>
<p style="text-align: justify;">A  relação dos evangélicos com o casamento gay ilustra bem isso. Eles se  acham privilegiados, acham que só o casamento deles deve ser reconhecido  pelo Estado, eles acham que de todas as sexualidades que existem nas 7  bilhões de pessoas que existem no planeta, só a deles é sagrada, divina,  correta, saudável e NATURAL e todo o resto é profana, satânica, errada,  doente e ANTI-NATURAL. <em>Ou seja, se a pessoa quiser ser o “certo”, o  cara tem que ser igual ao evangélico em mente e em comportamento, para  assim ambos conquistarem o céu, senão ele vai par ao inferno</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, o que é isso senão um  raciocínio ego-centrado e  egoísta , em que o infante se acha muito mais próximo do Deus (pai) do  que os outros irmãozinhos (os irmãos homossexuais). Os homossexuais  insistem em dizer que nasceram assim e os evangélicos não acreditam. O  que é isso senão uma pessoa que raciocina a partir do próprio umbigo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um outro elemento da vida infantil é a  incapacidade da criança de tomar decisões por si própria. </strong>Ora,  o que é um crente senão uma pessoa que pensa de acordo com a opinião  dos pastor ou da Bíblia ou da Igreja que ele freqüenta?  Conheço crentes  que deixam de pintar a unha ou de usar calça jeans e até de abraçar  outras pessoas porque o pastor disse que é pecado e que isso é errado.  Esta imagem se assemelha ao pai que manda a criança fazer isso ou  aquilo, de modo que ela ainda não é capaz de tomar decisões por si  própria e assumir as conseqüências disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Com relação  à propriedade do elemento Deus,  da mesma forma que uma criança acha  que o brinquedo delas deve ser melhor que o do outro coleguinha , não é  de nos surpreender quando evangélicos dizem que só vai pro céu quem  acredita em Jesus (ou seja, o brinquedo dela é melhor que o dos outros).</p>
<p style="text-align: justify;">Isso  significa dizer que não só os humanos que vieram antes de Jesus estão  no inferno, como também todos os budistas, hinduístas, taositas,  indígenas, confunccionistas, muçulmanos etc vão ou estão no inferno.  Só  o que é válido é o universo da criança/ do crente.   E nem adianta  querer discutir este ponto pois está bem expresso na Bíblia que ninguém  chega ao Pai senão por meio de Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa mesma  mentalidade de “meu brinquedo é maior e melhor que o seu (com  trocadilhos por favor!!!)”, encontramos a mentalidade de “não  existe Deus maior que o dessa Igreja”. Ora, isso significa dizer que o  Deus das outras Igrejas é menor ou é “morto”, uma vez que o Deus de  alguns é o Deus vivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda com relação à punição de céu e inferno,  isso me lembra <strong>o  desejo que as crianças têm de denunciar seus coleguinhas ou irmãos que  fazem besteira aos seu pai ou responsável (ou seja a Deus) e o prazer  mórbido que elas tem de verem os outros serem punidos. </strong>Ora,  isso não é o mesmo que  você ver seu irmãozinho ir para o inferno (se  for punido) ou para o céu (a recompensa do Grande Pai Protetor).</p>
<p style="text-align: justify;">E pior, só vai para o céu quem compartilha das crenças da criança, pois o céu é vedado a outras criancinhas <em>(ou outras religiões)</em>.  Isso é um pensamento completamente egocêntrico. Cabe lembrar que o  pensamento politeísta e o pensamento antigo, com a possibilidade de  múltiplos deuses, era muito mais tolerante e defendia um exclusivismo  muito menos intenso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um outro componente da mente infantil é o medo do escuro. </strong>Quando  digo a um evangélico que não acredito no Criacionismo, ele começa a  bradar e pergunta: Então como surgiram o Sol, os animais, as plantas  etc? Ora, o fato de não sabermos como surgiram estas coisas, não  significa dizer que Deus delas as tenha criado. De forma análoga, os  taoístas afirmam que o universo surgiu do caos e uma inteligência  impessoal deu organização ao Caos. É uma idéia completamente diversa da  noção da Criação de um Deus Pai e Protetor.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma  forma, o fato de não sabermos a datação certa da Terra, isso não  significa que ela tenha sido feita há 6.000 anos. Neste sentido, as  pessoas relutam em viver num mundo sem verdades fechadas, um mundo em  que há uma abertura mental para ver se criticar e questionar quanto a  validade de suas próprias crenças e isso é simplesmente desesperador.  Viver sem ter tanta certeza assim das coisas e manter a mente sempre  aberta para rever, questionar e repensar, isso é o escuro que a criança  tanto teme.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por fim,  um último componente  da mentalidade infantil é o medo de crescer, ou seja, de ver de alguma  forma o mundo infantil ruir e dar origem a algo novo, algo maduro</strong>, em que o adulto  tem responsabilidade sobre seus pensamentos, escolhas, tem raciocínio  completo, possuem abertura mental a novas idéias, que compreende que os  outros são diferentes de você, que todos podem coexistir no mesmo espaço  e que você e seu heterossexualismo não são melhores e nem mais próximos  de um suposto deus do que ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, o medo de  ficar no escuro é o medo de questionar suas crenças.  Esta é a síndrome  de Peter Pan, de ver o conforto da criança ruir. O modo impositivo que  alguns evangélicos tem com relação às suas crenças, representa na  verdade medo de que tudo aquilo que ele acredita possa ser falso. Ele  tem que gritar, evangelizar e convencer os outros que aquilo é  verdadeiro. Ora, quem sabe que algo é verdade, simplesmente sabe e não  precisa convencer os outros de tal.</p>
<p style="text-align: justify;">O psicólogo suíço Carl Jung  disse que o protestantismo era uma forma mais amadurecida de  Cristianismo, pois colocava no fiel o poder de interpretar a Bíblia, ou  seja, o amadurecia e fazia-o perder a relação maternal que ele tinha com  o catolicismo, onde o padre interpretava e dava as respostas. Pena que  este espírito inicial protestante morreu ou redundou em maluquice e  histeria coletiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se a tese de Jung tiver certa, podemos encarar alguns setores evangélicos como adolescentes.<strong> Ora,  o que os adolescentes fazem senão se reunirem em “grupinhos” que tem por objetivo ser melhor que os outros? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">É com admiração que às vezes vejo na televisão alguns pastores falar:  o povo deste ministério é escolhido e especial. Ou seja, o nosso grupinho tem o Deus vivo, enquanto os outros grupinhos (o do Deus morto),  não tão com nada! Longe de uma aparente ingenuidade, tais movimentos  mentais representam uma sofisticada técnica de controle mental que os  pastores conhecem muito bem, que é a diferenciação entre  nós e os  outros</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, um outro elemento que me permitiu aprofundar esta tese foi o fato de eu não saber como alguns insistem em associar a homossexualidade à pedofilia.  Isso pode ter causas tanto no passado da pessoa, quanto causa  simbólica. Ora, a pedofilia que senadores como Magno Malta se refere é  sempre a masculina. Uma vez que o crente é a criança e o Deus é o pai  todo poderoso, será que há um elemento inconsciente aí de que esse pai  possa de alguma forma molestá-lo ou traí-lo com relação à validade de  suas crenças? Freud explica!</p>
<p style="text-align: justify;">E finalmente, no que tange à visão  evangélica de Deus, temos uma perspectiva de um Senhor Deus Pai. Esta  visão tem origem no termo bíblico em latim que se refere a Deus, que é  Dominus; ora, este termo representa justamente o senhor de terra romano.  A idéia cristã de Deus, portanto, é de um ser superior ao homem, tal  qual a relação do camponês para com os patrícios romanos. Ora, a relação  de proteção que Deus mantém com o fiel, é a mesma que o Pai estabelece  com um filho.  Ao invocar o Deus, o crente se coloca na posição de uma  criança, um filho que pede ao pai.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, Deus é o pai que cuida da criança. É  muito mais confortável ter o pastor ou a Igreja cuidando da vida delas,  pensando por elas, dando respostas prontas e fechadas e a solução de  todos os problemas da vida, tal qual a  criança prefere mil vezes que a  mãe e o pai preparem a comida, peguem água e arrumem o quarto delas do  que se esforçarem para fazer essas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é menos verdade o  conformismo de alguns fiéis do Cristianismo, onde a pessoa pobre que  não tem plano de saúde morreu  porque Deus quis . E se o pai mandou, é  melhor obedecer e ficar quietinho e não se revoltar com as condições  sociais dos homens, afinal, Deus quer assim.</p>
<p style="text-align: justify;">As  condições sociais miseráveis e de dificuldades materiais das pessoas são  a alavanca do atual Deus empresário de algumas seitas eletrônicas  evangélicas, que o pastor convence a pessoa de que ele tem uma ligação  direta e especial com um Deus materialista, em detrimento de outros  seres humanos. <strong>Aí, o pensamento infantil do crente se reproduz na idéia da criança de  MEU pai, MEU herói<br />
</strong><br />
E para quem tem dúvidas de que esta tese é ao menos  parcialmente verdadeira, coloco aqui as frases do próprio Jung com  relação ao crente Ocidental em seu livro:  “Psicologia e Religião  Oriental”:</p>
<p style="text-align: justify;"><em> &#8221; Inversamente, a atitude de fé  mostra-nos como as pessoas resistem em acolher a crítica filosófica.  Mostra-nos também como é grande o temor de terem de abandonar a  segurança da infância para se lançarem a um mundo estranho e  desconhecido, mundo regido por forças para as quais o homem é  indiferente.&#8221; –p. 8</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8221; O crente, por outro lado, procura  manter-se em um estado espiritual primitivo por motivos meramente  sentimentais. Não se mostra disposto a abandonar a relação infantil  primitiva com as imagens criadas pelo espírito. Prefere continuar  gozando da segurança e da confiança que lhe oferece um mundo em que pais  poderosos, responsáveis e bondosos exercem a vigilância. A fé implica,  potencialmente, um  sacrificum intellectus  (desde que exista intelecto  para ser sacrificado), mas nunca um sacrifício dos sentimentos. Assim,  os crentes permanecem em estado infantil, em vez de se tornarem   crianças *, e não encontram a sua vida, porque não a perdem.&#8221; – p. 9<br />
</em><br />
*  Na minha interpretação, o tornar-se criança que Jung se referiu ai, tem  a ver com o estado puro da alma que acabou de se reencarnar e não a  mentalidade infantil que ele mesmo critica no crente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> ADENDO:<br />
</strong><br />
Quero deixar claro que respeito todas as religiões e as concepções de Deus do coração e da compreensão de cada um. O que eu REALMENTE não respeito é  essas pessoas quererm ter o direito de fazer o Estado não reconhecer  meu relacionamento como válido e querer achar que os homossexuais são  fora da natureza. Sei que alguns crentes sentir-se-ão ofendidos, mas se se ofenderam, é porque isso bateu no Ego delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Conforme  afirmei acima, não pretendo ofender a crença de ninguém, pois meu  objetivo foi apenas estabelecer paralelos entre a atividade mental de  uma criança, as crenças evangélicas e o modo como estes elementos são  simbolicamente ligados através da preocupação evangélica com as crianças  da relação da homossexualidade com as mesmas, como no caso da  sistemática associação entre homo-afetividade e pedofilia.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao  vermos alguns cultos evangélicos, observamos que eles nunca exploram a  razão in totum, mas sim um sentimentalismo infantil baseada na proteção  de um Deus Pai Divino e que exploram a catarse coletiva. É possível repensar a imagem de Deus?</p>
<p style="text-align: justify;">Por  outro lado, sei que a crença evangélica da Divindade pode dar conforto e  auxílio a muitos seres que estão sofrendo e admiro e respeito o que de  positivo é encontrado no seio de algumas instituições religiosas, mas  não posso admitir que o obscurantismo religioso contagie as mentalidades  do mundo moderno sem ao menos questioná-lo. Sei que no seio desses  rituais acontecem de fato milagres que tem ajudado muitas pessoas. <em>Mas  será que compreendemos plenamente os mecanismos espirituais, materiais,  psicológicos e científicos destes milagres? Ou eles são a atuação de um  Deus em si mesmo?.. E se forem a atuação deste mesmo Deus, será que tal  imagem-símbolo é da mesma forma como os evangélicos a compreendem?<br />
</em><br />
Claro que não são todos os evangélicos que pensam da  forma como coloquei no texto, mas se pararmos para pensar com boa  vontade, veremos que boa parte deles assumi uma ou mais das posturas  mentais descritas acima. Não sei qual é a melhor concepção de Deus para  todos os seres, mas apesar de não saber o que quero, sei exatamente o  que não quero.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, a  melhor concepção de Deus é a Divindade da nossa compreensão e da nossa  compreensão e um modo menos impositivo de tratar esta divindade, sobretudo no que tange aos direitos dos seres homo-afetivos.  Lembro que sempre admito que posso estar errado em minhas conclusões,  pois sou um metamorfose ambulante e que toda e qualquer   crítica  construtiva é sempre bem vinda .</p>
<p style="text-align: justify;">E novamente ressalto que este  texto não é um ataque a quem quer que seja; ele é antes de tudo uma  forma de entendermos nossos inimigos –  sua mentalidade e comportamento   –  para que da próxima vez em que formos conversar com um, talvez seja  bom tratá-los da forma como eles se nos apresentam a nós.  E  lembremo-nos que uma boa forma de se educar uma criança é com EDUCAÇÃO,  exemplo, diálogo, compreensão e boa-vontade e nunca na base da  violência. Sei que é difícil, mas não conheço outro caminho</p>
<p style="text-align: justify;">Amor e Paz</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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		<title>Macho e Fêmea – As Leis da Natureza e os LGBT &#8211; Parte I</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:48:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. Este é um texto que tem como objetivo mostrar como alguns postulados metafísicos e espirituais têm tirado LGBTs da noção de natureza e mostrar como estes mesmos postulados são mal compreendidos e neles estão a semente de uma nova compreensão do mundo. Se você não gosta destes assuntos, NÃO LEIA, POIS NÃO VAI COMPREENDER]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Este é um texto que tem como objetivo mostrar como alguns postulados  metafísicos e espirituais têm tirado LGBTs da noção de natureza e  mostrar como estes mesmos postulados são mal compreendidos e neles estão  a semente de uma nova compreensão do mundo. Se você não gosta destes  assuntos, NÃO LEIA, POIS NÃO VAI COMPREENDER O QUE ESTÁ DITO.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos  dizem que a natureza é dividida entre macho e fêmea, entre o masculino e  o feminino e isto é uma Lei Universal. Ainda que muitos LGBTs virem a  cara para questões metafísicas, eles não percebem que é graças a muitos  destes postulados que eles são discriminados e postos para fora da noção  de “humanidade”. Mulheres masculinizadas, homens afeminados e pessoas  que mudam de sexo são postos para fora da noção das “leis da natureza”</p>
<p style="text-align: justify;">Não  só a própria natureza física e humana de gays, lésbicas e transgêneros é  degradada como também a sua sexualidade predominante – que foge ao  modelo macho – fêmea.</p>
<p style="text-align: justify;">A penetração do homem na vagina  da mulher é tido como a “lei natural”, um princípio da natureza e tudo o  que foge a essa simplicidade unicista é tida como fora da natureza.  Alguns “iluminados” das ciências ocultas e esotéricas do Ocidente,  imbuídos de um falso humanismo, dizem que devemos “tolerar” os  homossexuais ou ter “pena” deles, que devemos “amar” a todos <em>(mas  desde que não se rompa as barreiras entre o natural e o anti-natural,  entre o normal e o anormal, ou seja, aquela barreira que coloca homens e  mulheres heterossexuais dentro da natureza e LGBTs homossexuais fora do  Universo)</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, um postulado que tira gays e lésbicas  da dinâmica do universo é o que diz que eles não estão dentro da  dualidade positivo – negativo do Univero. Os rosacruzes trabalham com a  Lei do triângulo, que diz que toda manifestação perfeita obedece à união  de duas polaridades opostas, que dará origem a uma terceira  manifestação. Dessa forma, a união do homem e da mulher, (positivo + negativo)  dá origem a uma criança. Assim, a polaridade negativa com a polaridade  positiva dá origem à eletricidade, que sem a união de pólos opostos, não  aconteceria.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de qualquer coisa, admito que eu  possa estar errado na tese que formularei a seguir, mas a meu ver, a  exclusão de LGBTs e da homossexualidade da Natureza baseada nas noções  de masculino e feminino, expressa uma compreensão muito mal do tema.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é masculino e o que é feminino no campo filosófico?  Masculino, ou seja, positivo, é tudo aquilo que penetra e feminino, é  tudo aquilo que é penetrado. Numa dimensão global, quando colocamos água  num copo, a água é positiva porque penetra o copo e este é negativo  porque é penetrado.  Ao colocarmos açúcar na água, esta é passiva,  receptiva, e o açúcar é ativo, ou seja, penetra. Quando bebemos a água,  esta é ativa e nossa boca é passiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta dualidade  ativo-passivo existe em basicamente todos os fenômenos da natureza, que  se processa numa espiral de fenômenos universais, que se reproduzem do  infinitamente micro ao infinitamente macro. Quando ouvimos uma música,  as vibrações sonoras são “masculinas”, ou seja, penetram, e nossos  ouvidos são a condição negativa, ou seja, são penetrados. Ao juntarmos  os dois pólos opostos (a vibração musical e o nosso ouvido), temos o  fenômenos conhecido como “música”. O mesmo ocorre com o fenômeno “cor”. A  luz que os objetos reflete penetra (+) os nossos olhos (-) e acontece o fenômenos cor (a terceira ponta).</p>
<p style="text-align: justify;">Os estudantes avançados de metafísica sabem como usar a lei  do triângulo de uma forma quase mágica, a ponto de criar fenômenos fora  do comum, mas isso é assunto restrito aos estudantes do misticismo.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesma lei se aplica em fenômenos como telepatia, por exemplo. A mensagem, gravada numa vibração mental, penetra (ou seja, é ativa, masculina +), na mente de quem recebe a “intuição” (ou seja, esta é passiva -). Quando as duas condições opostas se encontram, se processa a lei do triângulo, ou seja, a terceira ponta.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> Portanto, a lei do triângulo e a lei da união dos opostos  como forma de deslegitimar a homossexualidade, é mal compreendida,  porque estes “opostos” continuam existindo em tudo que há na natureza.  Se você está lendo este texto agora, o texto é a condição ativa,  masculina, aquele que penetra a sua consciência, que é passiva,  receptiva, feminina. Mas quando você repassa este texto para alguém,  você é o ativo e o texto é passivo, ou seja, recebe a ação. Quando você  escreve um texto, o papel é “passivo” e a caneta é “ativa”, mas quando  você pega a caneta, ela é passiva e sua mão é ativa e assim  infinitamente. Mas o seu sistema nervoso é “ativo” porque enviou a  energia nervosa para o seu corpo, que é <strong>“passivo”</strong> e assim passa a existir vários </em><strong><em>“micro-triângulos”.<br />
</em></strong><br />
Quando digo que esta lei do triângulo aplicada aos casais de  sexos semelhantes é mal compreendida é porque de fato o é. Quando um  homem faz sexo oral em outro, quem está sendo chupado é a condição <strong>“ativa”</strong>,  ou seja, penetra, e a boca de quem chupa é a condição passiva. O mesmo  se aplica quando ele é penetrado por um pênis. Este homem assume uma  condição <strong>“passiva”</strong>, ou seja, receptiva. A união destas duas condições opostas é que dá origem à excitação sexual.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando uma mulher coloca a língua no corpo de outra, a língua dela é <strong>“masculina”</strong> e o corpo de outra é <strong>“feminino”</strong>, ou seja, receptivo. Desta forma, a união destas duas condições <strong>“opostas”</strong> dá origem à excitação sexual.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, quando dizemos em união dos opostos, estamos falando de “fases”  de atuação e estas fases estão o tempo todo mudando. Na sexualidade,  quando um homem penetra uma mulher, ele é ativo e a mulher é passiva.  Não obstante, quando uma mulher lambe os mamilos de um homem, ela é  ativa e o corpo do homem é passivo, ou seja, recebe.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que uma “lei universal”, a lei do triângulo aludida pelos  rosacruzes e a união dos pólos opostos não se processa a partir de uma  foda homem e mulher somente, mas sim, ocorre em micro-ações no  cotidiano. Claro que as coisas não são sempre tão claras. Quando uma  mulher faz felação num homem, seria a boca dela ativa (porque esta “atuando”) e o falo do homem seria a condição receptiva (porque está recebendo)? Nem sempre as coisas estão claras, mas nos seus contornos gerais, é assim que se processa a tal <strong>“lei triangular”</strong> da natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, a condição <strong>“passiva”</strong> carrega algum grau da condição <strong>“ativa” </strong>e  vice-versa. Particularmente creio que é sobre esta característica que o  símbolo Yin-Yang alude ao mostrar a parte branca tendo uma bola preta e  a parte preta como tendo uma parte branca. A caneta, que é “passiva”  para minha mão, é “ativa” em relação ao papel.  Isto é um exemplo  trivial, mas estas reflexões guardam consigo dimensões filosóficas  enormes que deixarei a cargo da capacidade de vocês se aprofundar no  tema.</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro postulado interessante da Lei do  Triângulo é que ela afirma que pólos semelhantes se repelem e pólos  dissemelhantes se atraem. Isso é usado para afirmar que a atração entre  casais de sexos semelhantes é <strong>“fora da natureza”</strong>. Ora, mas então este tipo de <strong>“atração” (entre sexos semelhantes)</strong> não deveria existir, não concordam?</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás,  se pólos opostos se atraem, então se eu tiver pensamentos positivos,  vou atrair coisas negativas para minha vida? Consequentemente, se eu  levar uma vida <em>“negativa”</em>, vou atrair coisas boas para mim?  Novamente há um problema não só de compreensão sobre a lei do Triângulo  como também conceitual.</p>
<p style="text-align: justify;">Haveria muito mais para se  falar sobre este tema, mas sem entrar em detalhes que iria requerer não  somente um background metafísico complexo sobre as escalas vibratórias  do universo e o modo como as diferentes oitavas se harmonizam entre si,  usarei um exemplo para mostrar como a “atração entre opostos” é mal  compreendida.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato de eu ter pensamentos positivos e atrair coisas negativas, não constitui <strong>“opostos”</strong>.  Na verdade, ao emitir pensamentos positivos para o universo, eu sou a  condição “positiva e o universo é a condição negativa”. No movimento  cósmico pendular, conhecido pela lei do carma ou lei de compensação, o  universo exerce um movimento contrário, mandando para nós as influências  positivas do Cósmico.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o universo nos envia este influxo positivo, ele passa a ser o positivo (ou seja, o ativo, o que penetra) e nossa consciência e o mundo ao nosso redor é a condição negativa (ou seja, receptiva, passiva). Se esta tese estiver certa, é assim que os <strong>“pólos” </strong>opostos funcionam.</p>
<p style="text-align: justify;">A falta de compreensão deste princípio é usado para atacar a homossexualidade dizendo que ela não preenche a <strong>“lei do triângulo”</strong>. Mas é pura falta de compreensão e burrice mesmo. Como podemos observar, não tem nada a ver com <strong>“bem e mal”</strong> ou com o corpo masculino e feminino necessariamente. Este fenômeno se  processa em outras dimensões, que se relaciona a fases de atuação nos  diferentes fenômenos.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, os casais de sexos semelhantes não são contrários à <strong>“lei da natureza”</strong>.  A única coisa que vai contrária à natureza é a nossa compreensão. A  sexualidade entre sexos semelhantes obedece às leis místicas do  triângulo, da dualidade e da polaridade, como vimos aqui e  aprofundaremos na parte dois.</p>
<p style="text-align: justify;">Fim da parte I</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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		<title>Você me diz que seus pais não entendem, mas você entende seus pais?</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:47:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. Este texto é sobre a conflituosa relação entre pais e seus filhos LGBTs. Sei que hoje há felizes casos de filhos LGBTs perfeitamente absorvidos na família. E sei também que há casos patológicos cujos pais são ignorantes, obscurantistas e fanáticos e que não apresentam qualquer abertura para o diálogo. Não me proponho a ter]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Este texto é sobre a conflituosa relação entre pais e seus filhos LGBTs.  Sei que hoje há felizes casos de filhos LGBTs perfeitamente absorvidos  na família. E sei também que há casos patológicos cujos pais são  ignorantes, obscurantistas e fanáticos e que não apresentam qualquer  abertura para o diálogo. Não me proponho a ter respostas e soluções para  todos os casos do mundo. Estes casos são realmente difíceis de  resolver.</p>
<p style="text-align: justify;">Também não acho que haja uma fórmula mágica para  resolver todos os problemas do mundo e tampouco acredito que se  reconciliar com os pais seja o objetivo de todos. Cada situação é um  desafio particular.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar das gloriosas exceções, em boa parte  dos casos, a relação entre filhos gays, lésbicas e transgêneros e seus  pais é tensa, marcada de conflitos, dores e ofensas que ambos guardam a  maior parte de suas vidas. São dores difíceis de cicatrizar e que  costumam sumir somente com o passar dos anos. Seja na adolescência ou  vida adulta, geralmente existem muitas brigas e discussões.</p>
<p style="text-align: justify;">Este texto é um convite ao diálogo, à compreensão mútua e ao ouvir o  outro lado com amor, compaixão, comiseração, compreensão, paciência,  bondade, tolerância e paz. Apesar de tantas situações e tantos  conflitos, cabe a pergunta: Você já parou para tentar entender o  sentimento dos seus pais? Já ouviu suas angústias, dores, medos e  aflições? Já ouviu o outro lado?</p>
<p style="text-align: justify;">É! Este é um texto que fala de  Amor, Paz, Tolerância, Perdão, Superação e Aprendizado. Não, não acho  que essas coisas se tornaram clichê. Nem acho que sou um Cristão  disfarçado. Essas coisas não são propriedade de nenhuma religião,  filosofia ou de alguma moda ultrapassada. Estas coisas pertencem à  filosofia Universal, à filosofia humana. Essas virtudes são parte  daquilo que nos torna verdadeiramente humanistas e humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei  que o diálogo e a expressão sincera dos sentimentos, bem como a  boa-vontade para se resolver problemas e desafios não é bem uma prática  cultural das famílias brasileiras, mas é preciso tentar. E não espere o  outro começar, dê você mesmo o primeiro passo. Seja você mesmo as  transformações que deseja ver no mundo e não fique sentado no seu sofá,  indignado com a <strong>“falta de diálogo entre pais e filhos”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">É comum ouvirmos gays e lésbicas reclamaram <strong>“meus pais não me aceitam”, “eles não me amam”, “minha mãe me odeia”. </strong>Já  ouvi casos de a mãe separar os talheres que o filho gay ia comer,  porque tinha medo do resto da família pegar HIV (sendo que o filho gay  nem tinha HIV!). Para LGBTs, seu universo minoritário é extremamente  natural, mas eles se esquecem que este mesmo universo é uma incógnita  para boa parte das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o tipo de coisa que a gente só percebe quando atinge uma certa maturidade. Hoje, penso que, atrás das aparências de <strong>“meus pais não me amam”, </strong>na  verdade, o que ocorre, é exatamente o contrário. Eles te amam sim e  muito. Eles apenas não sabem como lidar com isso. Mas a culpa não é  deles. A culpa é da ignorância, da falta de diálogo e boa vontade mútua.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhe para ti mesmo e se pergunte: quantos preconceitos você mesmo não tem com relação a LGBTs? <strong>“Ninguém quer nada sério”</strong>, <strong>“os gays são promíscuos”</strong>, <strong>“a homossexualidade é errada</strong>”, <strong>“em boate gay só tem putaria”</strong> etc.  Se você, que é um LGBT e vive no meio, é cheio de visões distorcidas  sobre seus semelhantes, por que seus pais haveriam de ter menos  preconceitos que você, sendo que nunca viveram esta realidade?</p>
<p style="text-align: justify;">Certa  vez um amigo meu se assumiu para os pais e seu pai na frente da mãe e  dele, o xingava, virava a cara, mas de noite, quando meu amigo ia para  boate, ele chorava feito criança e dizia que tinha medo do filho pegar  AIDS. Não é somente ignorância. Isso não é <strong>“opressão dos pais homofóbicos”</strong> (no melhor estilo maniqueísta – eu, vítima inocente e meus pais, homofóbicos malignos). Isso  é preocupação com o filhote, dor e desespero, que ocorrem devido à  ignorância, falta de diálogo, falta de conhecimento e falta de  referenciais positivos sobre LGBTs.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem nunca já ouviu gracinhas dos seus pais? Algo como <strong>“preferia ter um filho bandido a ter um filho viado?”</strong> ou <strong>“dois homens casando é uma aberração”</strong> ou ainda <strong>“homossexualidade é errada”. </strong>Pense  que seus pais são ignorantes mesmo, assim como você o é em muitas  coisas. Naturalmente, também há casos maravilhosos, onde após essas  tensões, os pais chegaram para os filhos, pediram desculpas e os dois se  abraçaram amorosamente, invocando o perdão e a reconciliação.</p>
<p style="text-align: justify;">Esses  daí souberam transmutar a dor, a ignorância e ignomínia humana no amor,  na bondade e na Paz. Eles conseguiram a alquimia espiritual tão aludida  pelos alquimistas do século XVII, alquimia que nada mais é do que  transformar os nossos sentimentos torpes em sentimentos sublimes.</p>
<p style="text-align: justify;">No  caso deste amigo citado acima, o pai, depois de tomar umas doses de  cachaça, disse para ele que se sentia muito culpado por aquilo, que se  sentia culpado pelo filho ser homo-vai ao cinema, homo-vai ao shopping,  homo-namora, homo-faz carinho, homo-etc. No fundo, o pai deste menino  deve ter pensado <strong>“E de pensar nisso tudo, eu homem feito, tive medo e não consegui dormir”</strong> (Teatro  dos Vampiros – Renato Russo). Igual a ele deve haver milhares de pais  que não foram ensinados a expor seus sentimentos, angústias e conflitos,  que não foram ensinados a dialogar com seus filhos e tampouco que não  foram ensinados a dar um outro tipo de educação baseada no respeito aos  sentimentos dos rebentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembra da frase do Renato Russo em “Pais e Filhos”: <strong>“quero colo, vou fugir de casa. Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo, tive um pesadelo, só vou voltar depois das três</strong>.”?Já  parou para pensar que esta frase pode não se referir aos filhos, mas  justamente aos pais? Os pais querem o melhor para os filhos, já dizia  Renatinho <strong>“Meu filho vai ter nome de santo. Quero o nome mais bonito.”</strong>, e a vida LGBT não é exatamente um bom referencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Este  é um texto que visa à reconciliação de filhos LGBTs e seus pais. Caso  tenha acontecido com você algo assim, aprenda a relevar e a perdoar.  Ora, o que é o verdadeiro perdão senão dar ao outro a mesma capacidade  de errar que você gostaria de ter? As pessoas não nascem sabendo. Seus  pais, assim como você, estão aprendendo e eles têm o tempo certo deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhe  seu pai e sua mãe, olhe o esforço que eles fizeram para te criar.  Entenda que de alguma forma você pode ter quebrado algumas expectativas  deles, afinal, eles não vão ter netos! Mas pelo poder do amor e do  diálogo, mostre a eles seu lado, diga que não é uma escolha. Diga que  você é feliz assim pelo diálogo e boa vontade.</p>
<p style="text-align: justify;">Haverão muitos conflitos, mas lembre-se que a verdadeira <strong>PAZ</strong> não está na ausência de conflitos, mas sim na maneira como os solucionamos. A verdadeira <strong>PAZ </strong>não  é uma situação exterior, mas uma condição interna, é aquele coração que  arde em perfeita sintonia com o amor, comiseração, paciência,  tolerância, compreensão e diálogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Seria o nosso objetivo  compreender o outro, sua lógica e seus sentimentos, e ao mesmo tempo nos  colocar assertivamente de modo a fazer o outro compreender-nos? Fácil  na teoria, não é? Mas o desafio está lançado. Só depende de você. O  esforço nosso de cada dia em prol do Amor, e da Paz é o que vale a vida  valer à pena. Não espere o governo ou os traficantes do Rio lutarem pela  Paz e pelo Amor. Essas coisas começam em você, no seu pequenino  Universo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já dizia o maior ídolo e poeta que esta terra brasilis já teve <strong>“é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar para pensar, a verdade não há”. </strong>Hoje,  o pai e a mãe que te oprime, que impede você de exercer sua afetividade  e sexualidade livremente, hoje aqueles pais que te xingam, porque no  fundo estão preocupados e não sabem como lidar com essa nova situação,  representam um obstáculo para você. Mas quando eles se forem, quando não  estiverem mais ao seu lado, talvez você sinta uma enorme falta daquele  colo que se preocupa com você. Preocupação de pai e mãe não tem igual e  namorado ou marido nenhum pode substituí-la, a despeito das ilusões que  temos sobre o amor romântico.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes que isso aconteça, levante e dê um abraço e tua mãe, em teu pai ou em quem te criou. E diga seu “muito obrigado”,  perdoe sinceramente, pois de uma forma ou de outra, tudo o que vivemos  contribuiu para nos tornarmos humanos e aprendermos alguma coisa, por  mais que não tenhamos imediata consciência disso. Ora, a experiência de  vida é o que dá o brilho à vida e nos faz aprender e no fundo, é o que  vale a vida valer a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagina você crescendo num mundo  homofóbico em que os afeminados são espancados, as sapatas são  discriminadas, os gays tem maior risco de pegar AIDS, onde essas pessoas  não tem relações estáveis, não tem o conforto de uma família, não há  filhos para cuidar deles no futuro, onde LGBTs tem o risco de perderem  seus empregos, de serem serem discriminados, de serem alvo de fofoca na  rua. Imagine o sentimento de seu pai e de sua mãe e a angústia que eles  sentem. Acha que eles são simples <strong>“homofóbicos opressores?”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mediante  o risco de tudo isso, você acha que seus pais simplesmente não gostam  de você? Você acha que eles não te amam? Não. Eles são pessoas que vivem  num mundo injusto, discriminador, num mundo muito louco. E o que eles  simplesmente não sabem fazer porque não aprenderam é conviver com isso e  pior ainda, ter um filho dentro deste universo. Como você reagiria no  lugar deles?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Você culpa seus pais por tudo. Isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?”</strong>. Isso é o que lhe pergunto. Seus pais são cheios de erros, assim como você.<br />
- <em>É possível que você aprenda a lidar com a dificuldade deles? </em><br />
<em>- O que você quer para você? Que eles aceitem teu companheiro ou tua companheira em casa e te considerem como parte da família? </em><br />
<em>- Ou você prefere fuder nos becos escuros ou ir para a boate sem que eles nunca saibam da sua vida? </em><br />
<em>- Você prefere guardar tudo o que eles te disseram de ruim ou prefere dialogar com eles e tentar resolver os problemas?</em></p>
<p style="text-align: justify;">O  que você quer ser quando você crescer? Onde você quer chegar na sua  relação com seus pais? Você prefere definir uma meta e envidar todos os  esforços mentais para chegar até ela, ou você prefere deixar estar,  fingindo que sempre ta tudo bem? Essas respostas, só você pode  responder.</p>
<p style="text-align: justify;">Por pior que seja a situação, no fundo, o que seus  pais sentem, é amor. Aprenda a compreender o outro, suas dificuldades e  medos. <strong>“Eu sei a barra de viver, mas se Deus quiser, tudo, tudo vai dar pé.” </strong>(by  Gilberto Gil). Você pode dizer que ser LGBT é algo muito bom e muito  rico e ficar reclamando que “a riqueza que nós temos ninguém consegue  perceber”, mas é certo que se você não mostrar a riqueza de seu  interior, se não for você mesmo um foco irradiador de paz, amor,  boa-vontade, diálogo e compreensão, ninguém vai perceber mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez  essas não sejam as melhores formas de se resolver as coisas, mas não  custa nada tentar. No fundo, o que importa mesmo não é a relação entre  você e o outro, mas entre você com você mesmo. Faça a escolha. Se a  solução for o diálogo, então tá bom. Se a solução for o “sentir pena”,  então tá bom. Se a solução for a hipocrisia, então ta bom. Mas não se  furte a tentar um outro mundo e uma outra forma de conduzir a relação  com seus pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo se eles não “aceitarem”, perdoe-os mesmo  assim. Dê ao outro a mesma oportunidade de errar que você gostaria de  ter. Mesmo se as dores e mágoas forem muito grandes e não for possível  uma aproximação física, do fundo de seu ser, envie pensamentos de amor e  paz para seus pais, e deseje e visualize do fundo de seu coração que  tudo se resolve e fique em Paz e Harmonia</p>
<p style="text-align: justify;">A superação do mal é a  grande meta da vida humana. Mas mais que isso, não só a superação do  mal, mas a transformação deste, em experiência de vida positiva e  transformadora é a grande meta de todos nós. Tem um carinha ai que disse  uma vez uma frase. Esse carinha ta meio ultrapassado e fora de moda,  mas algumas coisas que ele disse, nos servem até hoje:</p>
<p style="text-align: justify;">Paz na Terra aos homens de boa vontade.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor e Paz</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.evolucaolgbt.blogspot.com/">http://www.evolucaolgbt.blogspot.com/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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		<title>Gays podem usar a palavra família e casamento?</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:31:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. Recentemente tenho acompanhado o pensamento de algumas pessoas, por vezes contrárias e por vezes favoráveis ao reconhecimento por parte do Estado das uniões homoafetivos. Embora haja uma gama infindável de argumentações pró e contra, um elemento que pode ser identificado nestes discursos é que alguns até são favoráveis às uniões civis homoafetivas, mas que]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente tenho acompanhado o pensamento de algumas pessoas, por  vezes contrárias e por vezes favoráveis ao reconhecimento por parte do  Estado das uniões homoafetivos. Embora haja uma gama infindável de  argumentações pró e contra, um elemento que pode ser identificado nestes  discursos é que alguns até são favoráveis às uniões civis homoafetivas,  mas que não acha certo usar a palavra casamento e família para designar estas uniões.</p>
<p style="text-align: justify;">O argumento destas pessoas é que a palavra casamento originalmente foi criada para designar a união entre um homem e uma mulher e igualmente a palavra família designaria o mesmo. Confesso que não procurei a origem etimológica dos conceitos de família e casamento. E também confesso que estou pouco me lixando para tal conhecimento,  até porque, é bem provável que eles estejam certos. Mas ao ler este  argumento etimológico para deslegitimar o casamento e as famíilas  homoparentais, eu me pergunto:<em> Isso é sério mesmo? As pessoas estão REALMENTE fazendo isso? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Então vamos lá. Se tal argumento fosse verdadeiro, não deveríamos mais usar a palavra <strong>átomo</strong>, pois originalmente este termo significa algo indivisível e hoje sabemos que o átomo é divisível. <em>Portanto, vamos abolir a palavra átomo</em>. Assim, não deveríamos usar a palavra <strong>democracia</strong>, pois a democracia originalmente era bem diferente do que temos hoje e as eleições não eram por voto, mas por sorteio. <em>Portanto, vamos abolir a palavra democracia</em>. Assim, mulheres não deveriam ter <strong>patrimônio</strong>, pois originalmente essa palavra era algo que se relacionava ao pai e ao homem. <em>Portanto, vamos abolir a palavra patrimônio</em>. Assim, também não deveríamos usar a palavra <strong>política</strong> pois originalmente ela significava a relação nas cidades-estado gregas, algo bem diferente das megalópoles modernas.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, também não deveríamos usar o conceito de <strong>Jesus Cristo</strong>, pois Cristo era o que ele era e não o seu “nome”. Igualmente, não deveria usar o conceito de <strong>religião</strong> para designar o hinduísmo, pois tal conceito provém de religare no  latim, que significa religar o Homem à Deus e para o hinduismo o  Ser-humano e Deus nunca estiveram separados.</p>
<p style="text-align: justify;">Também não deveríamos usar <strong>pneu</strong>, pois este conceito vem do grego pneuma e significa “ar”, enquanto que pneus são feitos de borracha. Também não devemos usar <strong>televisão</strong>,  pois isso significa visão à distância e no caso da televisão, além de  ver, também ouvimos, logo é um conceito que as pessoas não deveriam  usar. Também não deveríamos usar a palavra <strong>lésbica</strong>, pois ela originalmente significava os habitantes de uma ilha grega.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, eu poderia fazer uma pesquisa rasa, com um parco conhecimento de grego e de latim para mostrar que boa parte das palavras que usamos hoje tinham originalmente uma concepção bem diferente da que temos hodiernamente.  Portanto, querer usar a origem etimológica de uma palavra para  deslegitimar os casamentos homoafetivos e suas famílias é simplesmente  RÍDICULO. A pessoa que se utiliza deste argumento é, dentro outras  classificações possíveis, imbecil, idiota, sem caráter, pessoa que age de má-fé ou simplesmente burra e ignorante mesmo, com nenhum conhecimento de história, de lingüística e menos ainda de etimologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Quer  ser “contra” o casamento homoafetivo, tudo bem. Mas por favor, utilize  argumentos coerentes e inteligentes ou então pare de usar palavras como átomo, democracia, patrimônio, política, Jesus Cristo, pneu, religião, televisão, lésbica etc.  As palavras simplesmente se transformam, mudam, se adaptam e ampliam  seu escopo de significados e significantes. E os conceitos de “casamento” e de “família”,  apesar de sagrado para os heterossexuais, não são diferente disso.  Aliás, gostaria de lembrar aos heterossexuais que são contra o uso da  palavra casamento para pessoas homoafetivas, que este conceito  originalmente significava uma união para a vida toda. Que tal avisarmos  isso para heterossexuais divorciados? Eles estão contra a origem  etimológica do casamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Também gostaria de lembrar aos  incautos, aos burros e aos ignorantes, que na Idade Média, A Igreja  achava que o casamento de um homem mais velho com meninas de 13 anos já  era uma família. Oh! E agora, como fica a origem etimológica das coisas?  As idéias mudam e os conceitos se adaptam a elas.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor e Paz</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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		<title>Da diferença entre gay e two-spirit</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>GLS Legal</dc:creator>
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		<description><![CDATA[. Este artigo trata das formas que as diferentes sociedades ao redor do mundo viam ou ainda vêem os seres diversos do homem e da mulher comuns e da homo-afetivo-sexualidade. Como todos sabemos, o conceito de gay ou homossexual tem base na civilização ocidental, judaico-cristã que divide o mundo em homens e mulheres. Modernamente incorporaram-se]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Este artigo trata das formas que as diferentes sociedades ao redor do  mundo viam ou ainda vêem os seres diversos do homem e da mulher comuns e  da homo-afetivo-sexualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como todos sabemos, o conceito de  gay ou homossexual tem base na civilização ocidental, judaico-cristã que  divide o mundo em homens e mulheres. Modernamente incorporaram-se à  nossa civilização identidades sociais baseadas no objeto pelo qual você  sente desejo sexual. Até então inexistiam tais “identidades” sociais legitimadas e reconhecidas. Pederasta, viado, sodomita, sapatão etc eram quase xingamentos, mas representavam uma característica do ser, tal qual “gordo” ou “preto” e não um ser específico<em> (claro, com muitas considerações a se fazer sobre isso).</em></p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, por mais que um homem seja afeminado ou uma mulher masculinizada, a  base da sua alteridade e da sua identidade social está no seu desejo  sexual e não nas características masculinas e femininas que eles  manifestam. Por mais que um homem seja masculinizado, se ele tiver desejo por outro homem, ele já é jogado em outro grupo.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe lembrar que tal postura mental não é universal;  nos países árabes esta noção de identidade pelo desejo sexual inexiste  (ao menos da mesma forma como a conhecemos) e há uma identidade  diferenciada apenas para os afeminados e os sexualmente passivos, que  por se igualarem à mulher, ganham um status inferiorizado. Assim, o  “homossexual masculino e ativo” é simplesmente um homem como outro  qualquer.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a identidade de gay nos parece tão natural, ela não é  universal. Para entendermos melhor as diferentes classificações acerca  deste fenômeno, nada melhor do que voltar às sociedades indígenas  norte-americanas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando os europeus estiveram em contato com  estes povos perceberam que havia índios-mulheres e mulheres-homens  indígenas que desempenhavam alguns papéis específicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente  o preconceito religioso da época relegou estas pessoas a um limbo no  registro histórico, onde esses seres, para não chocar a mentalidade da  época, eram frequentemente registrados como mulheres ou simplesmente  como índios, pois mencionar travestis poderia causar escândalo à  mentalidade dos jesuítas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em muitas tribos norte-americanas estes índios eram tidos como possuidores de duas almas, uma masculina e outra feminina e pela sua natureza singular a eles eram dados papéis específicos em alguns rituais.  Isso é assim até hoje em algumas tribos, particularmente entre os  navajos. Para maiores informações busquem o livro “Cartas do Caminho  Sagrado”.</p>
<p style="text-align: justify;">A eles eram dadas tarefas especiais, pois como podiam  ver o mundo com olhos tanto de homem quanto de mulher, podiam prever o  futuro, eram mais aptos às atividades xamânicas, responsáveis por cuidar das crianças e repassá-lhes os mitos etc. Cabe nos perguntar se isso faz parte de uma “natureza”  destes índios ou se essas funções eram mais sociais do que espirituais,  pois uma vez que não se reproduziam, tinham mais tempo para se dedicar a  atividades outras que não a caça ou a cuidar dos filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante, os historiadores se esbarram com uma questão que não está muito clara nos registros: Até que ponto a identidade destes índios de duas almas estavam relacionados à homossexualidade? Será também que havia alguma diferença entre um gay mais ou menos afeminado e uma travesti?</p>
<p style="text-align: justify;">Os  registros não deixam claro, mas sabe-se que muitos índios de duas almas  viviam maritalmente tanto com o sexo oposto quanto com o sexo  semelhante. O que, do ponto de vista da nossa experiência atual, é  normal, pois sabemos que a sexualidade humana é plural e diversa. Contudo,  será que um índio homem masculinizado que se relacionava com alguém do  sexo semelhante era automaticamente categorizado como tendo “duas almas”? .</p>
<p style="text-align: justify;">Até agora parece-nos que não. Isso acontece pelo simples fato de que parece  que não havia uma identidade social para com quem você faz sexo, mas  sim pela qualidade dos princípios masculinos e femininos que você  manifestava, independentemente da prática sexual.</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas tribos indígenas tinham até nove gêneros,  como os antigos navajo. Esta postura talvez explicaria a pergunta se  eles faziam alguma diferença entre os diferentes graus de afeminamento e  masculinização que observamos no mundo LGBT. Também é provável que  embora tais identidades não sejam “orientações sexuais”, algumas tribos  categorizassem por nomes aqueles que podiam se reproduzir e aqueles que  não iriam se reproduzir.</p>
<p style="text-align: justify;">Conforme os europeus foram destruindo  essas sociedades essas tradições e conhecimentos foram se perdendo e a  heteronormatividade imposta pela escola, pela televisão, jornais,  cristianização etc foi ganhando cada vez mais força. Hoje conhece-se  registros de tribos declaradamente homofóbicas, mas é muito difícil  saber se isto era original da tribo, se isso é influência dos europeus,  se isso foi alterado nos registros históricos ou se foi uma má  interpretação dos europeus “historiadores”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabe-se inclusive que  algumas dessas tribos tinham cerimônias de “união” especiais para  casais de sexos semelhantes. Nem precisa dizer que tudo isso se perdeu,  sobretudo porque o governo norte-americano até recentemente tinha uma  lei que tornava crime a propagação da crenças “pagãs” dos índios. MUITA COISA SE PERDEU. Lamentável.</p>
<p style="text-align: justify;">Na  década de 90 LGBTs indígenas norte-americanos, que sofriam grande  preconceito em suas tribos redescobriram essa qualidade dos índios de  duas almas associados aos seres LGBT, muito embora tal prática ainda  continue em algumas tribos. E a partir desta década eles cunharam o conceito two-spirit, unificando diversos conceitos indígenas diferentes. Entre os navajo eles eram chamados de índios Nadleeh, outras tribos os chamavam de índios Ma-ho.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe  lembrar que os espanhóis chamavam esses índios duais de berdaches, mas  este não é um termo nativo e origina de um termo árabe para prostituto.  Há uma região no México que a tolerância aos LGBTs indígenas permanece  até hoje como parte da cultura local e chama-se Oaxaca. Quem quiser mais  informações, procurem o filme Muxes.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente muitos LGBTs com  origem indígena norte-americana não são gays e nem lésbicas, mas sim  two-spirits, o que é muito bom, pois representa um novo entendimento  acerca de si mesmo e um descolamento deles da cultura Ocidental que  tanto destruiu suas vidas. Esta não é uma identidade de prática sexual, mas um conceito de gênero “espiritual&#8221;. Alguns  amigos meus que fizeram iniciações nos &#8220;mistérios&#8221; mais profundos da  espiritualidade xamânica garantem que two-spirit não é uma orientação  sexual APENAS, mas um princípio da natureza. Infelizmente, eles não me disseram tudo, mas fica a dica para quem quiser se aprofundar. Maiores detalhes podem ser obtidos por meio de meditação individual.</p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente da validade dos conceitos ocidentais ou indígenas, podemos tirar algumas conclusões importantes:</p>
<p style="text-align: justify;">- A noção de identidade pela prática sexual de uma pessoa não é universal e tampouco imutável.  Parece que muitos índios vivam maritalmente com sexo semelhantes sem  que isso designasse uma identidade com índios de duas almas. Em nossa  sociedade isso é muito visível quando olhamos a brutal diferença entre  gays e HSH* . Os primeiros sabem que são diferentes em algum nível dos  homens comuns, mas os HSH, embora façam o mesmo sexo que os gays, são  completamente indiferentes a estas identidades.</p>
<p style="text-align: justify;">- A possibilidade de identidades baseadas nos princípios masculinos e femininos que gays, lésbicas e transgêneros manifestam de maneira dual.  Tal conceito existe em boa parte do mundo dito primitivo e em muitas  sociedades “pagãs”. Para maiores informações procurem a entrevista na  internet com Malidoma Some, um dos responsáveis pelos mistérios  esotéricos da tribo dos Dogons na África. Em boa parte dessas culturas a  existência de pessoas “duais” significava possuir poderes diferentes da  maioria.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o pensamento moderno isto soa como fantasia. Portanto, será que é sábio “importar” essas culturas? – indago-me.</p>
<p style="text-align: justify;">-  Também podemos nos perguntar: será que são tão necessárias assim  identidades para definirmos com quem a gente ta fudendo? Poderia haver  outros princípios para a identificação? Não obstante, isso esbarra na  recusa de LGBTs de se identificarem como sendo seres duais e também na  recusa do pensamento materialista de admitir qualquer dimensão  espiritualizada para esta condição, tal como acontecia nessas sociedades  indígenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda há muitas perguntas sobre as identidades dos  índios two-spirits, mas sabe-se que eles eram predominantemente os  modernos LGBTs. Assim como, também há muitos limbos no entendimento do  que é ser gay. Ninguém até hoje sabe se gay é um tipo de homem, é uma  característica, se eles devem ou não ser chamados assim etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, o conhecimento humano ao longo das inúmeras sociedades parece ser dinâmico e se amplia com os novos entendimentos.  Independentemente de como os índios-norte americanos “eram” ou “são” é  importante entendermos essas visões do passado para compreendermos nossa  própria natureza atual e revermos nossas visões sobre temas que nos  parecem tão naturais, mas que não o são.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor e Paz</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>*HSH:</strong> homens que fazem sexo com homens, sem necessariamente serem  homossexuais. É o que ocorre, por exemplo, nos presídios, onde, na falta  da figura feminina, alguns homens, mesmo heterossexuais, passam a se  relacionar sexualmente com outros homens. O mesmo podemos identificar  nos casos de pedofilia religiosa, onde os clérigos, cuja sexualidade é  tolhida pelos dogmas da Igreja, vêem nos indefesos mais próximos a si  (geralmente meninos, os coroinhas, pois são os indefesos que mais  convivem com os clérigos) as suas vítimas preferidas para expressar a  sua libido aprisionada.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>

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