Artigos com o marcador direito homoafetivo
Você é contra ou a favor o casamento homo?
27/08/10
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Uma das estratégias atuais da militância LGBT é fazer as pessoas serem a favor do casamento homoafetivo. Embora eu ache que este tipo de atitude seja importante e deva existir para consolidar sentimentos sociais, ter esta estratégia como o pilar de sua luta social é algo bastante sofrível.
Em primeiro lugar, a premissa está completamente errada. O que é ser a favor do casamento homo? É dar o “aval” para que um casal homoafetivo viva junto e busque sua felicidade? Isso não cabe a ninguém decidir e tampouco dar o aval. Será, então, que seria a pessoa ser a favor do reconhecimento jurídico do casamento homoafetivo? Se isto for ser “a favor ou contra o casamento homo”, é preciso fazer algumas considerações.
Apesar do termo casamento se reportar a algo religioso, não estamos falando de casamento religioso, onde cada um tem sua religião. Estamos falando de direitos civis para TODOS OS CIDADÃOS DE UM PAÍS e portanto, de casamento civil dentro de um Estado onde TODAS AS RELIGIÕES são respeitadas. Quem os heterossexuais pensam ou acham que são para se darem o direito de dizerem se são contra ou a favor o Estado reconhecer o casamento de cidadãos homoafetivos? Por algum acaso casais heterossexuais perguntaram a lésbicas e transgêneros se eles eram a favor deles se divorciarem e criarem seus filhos em casas de pais separados? Por algum acaso alguma menina de 16 anos perguntou a algum gay se ele era a favor o Estado reconhecer filhos de meninas tão jovens?
Assim, perguntar aos heterossexuais – evangélicos ou não – se as pessoas homoafetivas têm o direito de ter o seu casamento reconhecido pelo Estado, é colocar nas mãos dessas pessoas um poder que não possuem ou uma decisão que não lhes cabe. Um dos objetivos do Estado brasileiro é garantir o bem-estar de TODOS, sem quaisquer formas de discriminação. Por algum acaso um heterossexual quando vai se casar pergunta a opinião de todos os LGBTs da sociedade se eles têm permissão para isso? E mesmo se estivéssemos falando de casamento religioso, a Igreja contemporânea e alguns terreiros de candomblé fazem estes casamentos. Por que o Estado deveria preterir essas religiões, uma vez que a liberdade de consciência é inviolável para todas elas?
Naturalmente, numa retórica falaciosa poderíamos dizer que os heterossexuais poderiam decidir se o ordenamento jurídico brasileiro deveria ou não reconhecer as famílias homoafetivas porque eles são maioria, e assim teriam o direito de decidir sobre a vida de outros seres humanos. Tal premissa é burra e monstruosa. Os alemães, maioria, também decidiram sobre a vida dos judeus e ciganos durante a II Guerra Mundial. Durante a presidência de Rodrigues Alves, a maioria também decidiu que não ia se vacinar e fez a Revolta da Vacina. E por fim, a maioria também já elegeu Fernando Collor de Melo, um dos presidentes mais bandidos da história brasileira.
Assim, nem sempre as massas fazem as decisões mais sábias. Cabe lembrar que Confúcio dizia que a administração de um Estado devia ser feita pelos melhores – os mais inteligentes e sábios – daí a verdadeira aristocracia formada não pela plutocracia (riqueza) ou pelo sistema de apadrinhamento (como ocorre no Brasil), mas através de um funcionalismo público elitizado, intelectualizado, que tinha acesso somente aqueles que se dedicavam a difíceis e concorridíssimos concursos públicos. Isto era o Estado para Confúcio e não a opinião de uma gleba iletrada..
É com certo pasmar que vejo as pessoas quererem colocar os direitos civis das pessoas homoafetivas a plebiscito. Como é que o José do Nordeste, uma pessoa totalmente preconceituosa, ignorante, que estudou até a 5ª série, vai ter poder de decidir sobre a vida de outros seres humanos que não tem nenhuma relação com a vida dele? Por que não colocar em plebiscito o salário dos deputados, o destino dos criminosos, o fato de deputados e senadores não serem eleitos, mas adquirirem seus cargos por concurso público etc?
Alguém sabe as dificuldades práticas e sofrimentos que LGBTs sofrem na vida? Alguém sabe os sentimentos que há numa pessoa que não pode se casar, que não pode viver uma vida consagrada ao lado de alguém, tendo garantias e respaldos legais? Não, muito provavelmente não sabem porque não viveram na pele e ficam só a elucubrar sobre a Bíblia.
Assim, vejo que a estratégia do casamento homo não é somente fazer os heterossexuais “aceitarem” isso, até porque isso é algo que efetivamente não diz respeito a eles. Direitos civis de outros seres humanos não precisam ser um “favor” da maioria, mas um respeito ao HUMANISMO no sentido mais pleno deste termo. Qual a diferença, afinal, para um heterossexual entre dois homens se casando e sendo reconhecidos pelo Estado e dois homens “namorando” e vivendo juntos? Para o heterossexual nenhuma, para os homossexuais, várias. Eu realmente não consigo entender como é que alguns heterossexuais acham que o Estado deva ser propriedade deles e fazer leis apenas para eles. Por que os heterossexuais acham que devem ter o monopólio sobre as leis?
Dizer que o casamento homo vai “destruir” a família, até agora nenhuma pessoa conseguiu me dizer. Na Argentina, numa população de 8.000.000 de pessoas, apenas 82 casamentos homoafetivos foram realizados. Como é que isso destruiu todas as outras famílias heterossexuais do país? E como as famílias heterossexuais do Canadá, Espanha, Portugal, Massachussets, Holanda, Inglaterra, África do Sul, Dinamarca, Suécia etc foram destruídas? Como é que um casal de lésbicas se casando no Rio Grande do Sul pode destruir todas as famílias heterossexuais do Acre? Favor, alguém me diga. Dizer que isso vai “influenciar” as pessoas é ridículo e infantil, pois se um casal heterossexual tiver vontade de viver um relacionamento homo, ele vai fazê-lo com o casamento civil ou não.< /span>
Parece-me bastante óbvio que o argumento de destruição da família não pode ser verdadeiro, pois se assim o fosse, todos os heterossexuais dos países acima teriam se separado, o que não ocorreu. Muitas vezes vemos homens e mulheres heterossexuais se casando por obrigação, vivendo vidas de aparência, baseada na violência e no desgaste e agora querem por a culpa pelo “fim das famílias” nos homossexuais? Parece-me um bom bode expiatório para justificar a própria incapacidade destas pessoas de arranjarem famílias estáveis e felizes, pois quem é feliz, só pode querer a felicidade do outro e quem é infeliz é que deseja a infelicidade do outro.
Não vos parece louvável que em meio a tantas dificuldades, os casais homoafetivos lutem para construir suas próprias famílias?
Por fim, há argumentos teológicos sobre os homossexuais serem “contra” o casamento homo. Um deles é que estariam incentivando o pecado. É aí que eu vejo o quão imbecil a pessoa é. Um Estado não pode discutir as concepções de um ou de outro sobre pecado, pois o Estado é laico e deve preservar o bem-estar de TODOS os cidadãos. Até para aqueles que sequer são cristãos ou trabalham com o conceito de pecado.
Dessa forma, uma pessoa pode achar que casamento é apenas entre homem e mulher e que a homoafetivossexualidade é um pecado, mas há outras pessoas que não acham isso e que não podem ter seus direitos civis obliterados. Todos podem conviver, como convivem no Canadá, Holanda, Espanha, Portugal, Argentina etc.
Assim, a meu ver, a militância LGBT poderia ser mais agressiva, pois os heterossexuais não precisam dar seu aval para o casamento homoafetivo, pois o debate é JURÍDICO e que envolve a IGUALDADE entre cidadãos e não é sobre o juízo de valor que o heterossexual x ou y com sua religião faz do casamento dos outros. Eu particularmente posso ser católico e não concordar com que viúvas se casem novamente. Tenho eu o direito de impor minha opinião em uma viúva budista, por exemplo, que deseja reconstruir a sua vida? Eu posso até continuar achando que ela não deveria se casar, mas não posso impedir que o Estado não case-a alegando que isso fere a minha crença religiosa. Seria muita petulância, egoísmo e arrogância de minha p arte.
Portanto, acho que a militância LGBT peca muito em ficar com esse discursinho inócuo de “você é a favor ou contra o casamento homoafetivo”? Se você for a favor, vamos bater palminha, se for contra, vamos chamar de retrógrado e homofóbico. A militância social precisa educar as pessoas e acho que isso poderia ser feito em torno de algumas idéias-chave.
1- Não cabe a nenhum heterossexual decidir sobre a vida de outros seres humanos que possuem uma sexualidade diferente da dele
2- Debate do casamento homoafetivo é jurídico e não passa pelos conceitos teológicos que sua religião trabalha, pois no país há pessoas de religiões diferentes da sua
3- Desenvolvimento da idéia de igualdade jurídica entre todos os cidadãos.
4- Mostrar que o casamento homoafetivo não vai destruir lares heterossexuais, como não aconteceu na Holanda, Suécia, Finlância, Dinarmarca, África do Sul, Portugal, Espanha, Inglaterra etc.
5- Mostrar que a homoafetividade não é “contagiosa” e que o indivíduo que pensa assim, o faz por medos inconscientes de gostar da coisa.
6- Fazer entender que ninguém precisa do juízo de valor dele para uma lei, pois um Estado deve governar para TODOS.
7- Fazê-los compreender que ele pode continuar achando o que quiser da homoafetivossexualidade e do casamento homo, assim como eu posso achar errado uma mulher divorciada comungar na Igreja ou se casar novamente, mas não posso impor meus valores de forma unilateral nas leis.
Amor e Paz
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LGBTs – mais de 10 milhões ou pobre minoria?
27/08/10
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É com freqüência que ouço alguns ícones da militância LGBT falando que essas pessoas compõem milhões de cidadãos na sociedade brasileira e por isso os políticos deveriam dar atenção a esses grupos. No início do movimento de lésbicas, gays e transgêneros era inegável que havia ainda muita desinformação acerca desta realidade, como há até hoje. Por outro lado não podemos fechar os olhos e fingir que as coisas não mudaram. As pessoas estão mais informadas sobre sua própria condição.
Gradualmente os cidadãos homoafetivos têm tomado consciência política de sua condição e reivindicado direitos civis. Não obstante, este é um processo em eterna construção e que dificilmente atingirá todo o coletivo de LGBTs, pois as pessoas tem ideais, valores e consciências diferentes em relação a diversos objetos na vida. Assim, por mais que lutemos para politizar a comunidade, sempre haverá o gay alienado que só quer saber de sexo e ouvir Beyoncé. Isso é fato; e com essas pessoas só poderemos contar para engrossar os números das paradas LGBTs.
No seu alvorecer, o movimento LGBT estabeleceu como estratégia usar o número de pessoas que faziam parte desta comunidade como força de pressão política. A meu ver, isso foi e é um erro estratégico considerável. O número de pessoas assumidamenteo gays, lésbicas e transgêneros é e sempre será uma incógnita e isso acontece por dois motivos. Prática homossexual, embora todo LGBT saiba que seja mais comum do que imaginamos, não significa necessariamente identidade homossexual.
Assim como há infinitos homossexuais com práticas heterossexuais, há inúmeros heterossexuais com práticas homossexuais sem que essas pessoas se entendam necessariamente como parte de um determinado coletivo baseado na identidade de gênero e na prática sexual. Portanto, é difícil contar com um número inexato de pessoas para fazer pressão política. Embora as paradas LGBTs sejam gigantes em número, aquelas pessoas não são nada, perto do grosso da sociedade e isso sem contarmos que boa parte dos freqüentadores das paradas são heterossexuais “simpatizantes”.
Alguns anos depois do início do movimento LGBT, vemos políticos literalmente apunhalando LGBTs pelas costas e fazendo alianças com segmentos evangélicos de uma maneira acachapante. E isso é natural que ocorra. Falando em termos claros, os políticos ganham muito mais agradando evangélicos do que gays e lésbicas. Este é o preço que o movimento pagou ao apostar todas as suas fichas na esfera política e no apoio desta classe.
Se no começo os líderes LGBTs assustavam os políticos com ameaças de perder o voto dos LGBTs, hoje já está bem claro que esses votos não representam nada, ou representam apenas a eleição de um deputado ou de um único vereador e os candidatos já perceberam isso. Tal fato se dá por fatos bem precisos – quem votaria num candidato que defendesse exclusivamente direitos das pessoas homoafetivas? Teoricamente, os próprios LGBTs, mas nem eles votam em candidatos que os defendem, pois a maioria é despolitizada. Também poderíamos contar com os votos de pessoas “gay-friendly”, mas com quem você acha que essas pessoas seriam mais comprometidos – com candidatos que defendam os LGBTs ou com pessoas preocupada s com a redução da pobr eza no país?
Dessa forma, se conseguimos eleger um único deputado ou senador, como fica todo o resto da Câmara, uma vez que LGBTs não podem votar em vários candidatos? Assim, os “votos LGBTs” não são praticamente nada dentro do jogo político macro e os políticos comprometidos com a causa atualmente o fazem por questões ideológicas e de convicções pessoais. Dessarte, poderíamos concluir que precisamos politizar a classe LGBT. Claro! Precisamos sim! Mas hoje eu me pergunto se esta é a melhor estratégia. Mesmo se toda a comunidade LGBT fosse politizada, será que seria possível elegermos um presidente? JAMAIS.
O número de LGBTs dentro da sociedade baseia-se nos hipotéticos 10 % da população, pesquisa feita a partir dos trabalhos de Kinsey, sendo que esta pesquisa, além de ter uma metodologia bastante criticável e nunca ter sido confirmada posteriormente, muito provavelmente contabilizou apenas “práticas homossexuais” e não apenas “pessoas assumidamente homossexuais”. Assim, apesar da aparente abundância das paradas LGBTs e da corriqueira prática da homossexualidade nos motéis deste mundo afora, é hora de enfrentarmos a realidade: não somos “mais de 10 milhões (ao menos enquanto força política) e tampouco somos uma “enorme força política”. Nós somos de fato uma minoria.
E ao contrário de outras minorias, os LGBTs serão sempre minoria, pois seu nascimento ainda é um mistério para a civilização Ocidental. Se os negros são minoria, eles podem se reproduzir e aumentar o número de negros. Se os judeus são minorias, eles podem se reproduzir e aumentar o número de judeus. Se os evangélicos são minoria, eles podem converter pessoas e aumentar o número de evangélicos, o mesmo com outras religiões.
Mas no caso dos LGBTs, não podemos “converter” as massas e tampouco podemos “reproduzir” filhos LGBTs para aumentar nossa população. LGBTs nascem minoria e assim sempre serão, assim como o número de cegos, deficientes físicos e mentais, o número de crianças super dotadas etc. “Como” e “por que” essas pessoas nascem assim, não é um assunto para o momento. Ora, se os LGBTs fossem uma maioria tão assustadora capaz de alterar o rumo das eleições, por que então depois da aprovação do casamento homo na Argentina, apenas 82 pessoas se casaram numa população de 8.000.000?
Assim, hoje eu me pergunto se trabalhar com a força política LGBT seria a única estratégia viável. Lembro-me dos discursos do Silas Malafaia, que jogou na cara do Toni Reis que “os gays dizem que são mais de 10 milhões de pessoas quando interessa, mas quando não interessa, são minoria”. Silas está certíssimo! Devemos assumir uma postura e não ficar nesse jogo de empurra. Quando homossexuais são assassinados, somos uma pobre vítima da maioria opressora, quando há uma eleição, somos mais de 10 milhões.
Percebe-se que na Europa os direitos civis homoafetivos não foram conquistados na base do “somos milhões”, portanto vote em nós e garanta nossos direitos, caso contrário, você perde a eleição. O discurso na Europa é e sempre foi sobre a defesa das minorias.- um discurso bem fundamentado e certamente decorrente do mal-estar causado pelos nazistas e sua perseguição às minorias que não tinham como se defender. Hoje na Europa as minorias são respeitadas não porque são uma força política, mas por causa da experiência histórica que fez a Europa ver o quão cruel pode ser a perseguição às minorias que não tinham como se defender – judeus, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais etc. E o respeito às minorias passa necessariamente pelo humanismo e pela valorização do ser-humano em toda a sua plenitude e pelo respeito às diferenças e não porque esses seres humanos são uma máquina política para fazer votos, ideologia em cima da qual a militância LGBT no Brasil se construiu.
Assim, humildemente penso que devemos bater na tecla da verdade do que realmente somos – uma minoria sem força e consciência política, discriminada, que não tem ideologias políticas e religiosas fortes para se defender e que somos perseguidos por uma maioria egoísta, preconceituosa e fanática. Isso ficou bem claro quando começaram a dizer que casamento homoafetivo deveria ser decidido por plebiscito. Como é que uma maioria preconceituosa vai votar os destinos da Vida de uma minoria tão exígua? Isso é de uma crueldade ímpar. Isso é o mesmo que perguntar para os palestinos na Palestina se os judeus devem continuar “vivendo” – óbvio que o “plesbicito” será negativo. Direitos humanos JAMAIS poderão ficar nas mãos de uma maioria arbitrária e preconceituosa.
O Estado democrático de direito pressupõe direitos iguais para TODOS os seres humanos. Felizmente evoluímos na sociedade o suficiente para entendermos isso, mas espero que as forças reacionárias e conservadores não consigam tomar de assalto o Estado brasileiro e impor uma visão obscurantista, uma “ditadura da maioria”.
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Não somos caricaturas de nós mesmos!
22/07/10
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Até quando teremos que aturar personagens homossexuais masculinos cheios de trejeitos, se comunicando com quase miados lânguidos de tão moles ao falar? Por que sempre com profissões como as de cabeleireiro, costureiro, cozinheiro, mordomo etc, fazendo o lado cômico das telenovelas brasileiras? Quem disse que tem que ser sempre assim?
Quando os personagens gays são “discretos”, do tipo que poderia se passar por heterossexual, é tão discreto, que acaba parecendo uma figura que: não beija, não faz carinho, não recebe carícias de sua cara metade, praticamente um assexuado, o qual vive numa relação do dia a dia praticamente perfeita, sem problema nenhum, que não reclama de nada e nem se incomoda com o aumento da conta do supermercado, quase uma existência nula.
Infelizmente a sociedade brasileira do século XXI ainda não está preparada e nem aceita a normalidade dos personagens LGBTs, mas com certeza tolera bem ou faz vista grossa quando estes fazem papeis secundários e com tom cômico, quase como um palhaço, o que não corresponde à vida real, apenas serve para divertir os preconceituosos conservadores.
Na novela da Rede Globo, Caras e Bocas (2009/10) escrita por Walcir Carrasco tinha um personagem que ficava rosa chiclete, bege bebê e por ai vai seguindo a tabela de cores. Já na novela Bela a Feia (2010) exibida na Rede Record existia um personagem que era dono de um salão de beleza fazendo a linha bicha pintosa do núcleo pobre, e outro personagem que era funcionário da agência de publicidade Mais Brasil que dava mais pinta do que uma lata de tinta, com vasto conhecimento do que é bom, com cultura e alto poder aquisitivo que fazia a linha bicha fina, todos estes, fazendo papeis secundários e/ou terciários dentro do enredo.
Em Paraíso Tropical – Rede Globo – (2007), escrita por Gilberto Braga existia um casal gay assim tipo “discretão”, mesmo nas cenas que passavam na casa deles, não havia nenhuma demonstração afetiva, até parecia que eram dois colegas de trabalho que dividiam o apartamento. Em outra novela, Vale Tudo (1988), também do mesmo autor e emissora, escrita anos antes, existia um casal de lésbicas muito discreto e uma delas morre no meio da trama e a “viúva” só refaz a sua vida ao lado de outra companheira no último capitulo, ou melhor só fica a sugestão disto.
Neste meio tempo também houve uma outra novela chamada Torre de Babel na qual as duas personagens que formavam o casal de lésbicas foram explodidas junto com o shopping que existia na historia. Segundo as más línguas da época comentaram, só uma iria morrer na explosão, a outra que sobrasse iria ser o pivô da separação dos personagens de Glória Menezes e Tarcisio Meira e teria um romance com ela. Por isto que a segunda lésbica foi explodida também.
A pergunta que não quer calar neste momento é: quando vamos ver ao menos um personagem gay e/ou lésbica com destaque nas tramas das nossas novelas? Personagens com um comportamento comum, sem soltar plumas e paetês, sem rodar a mão mais que hélice de helicóptero, vivendo a sua sexualidade livremente, pelo menos beijando e fazendo carinhos em seu par romântico e com profissão de engenheiro ou médico ou jornalista ou advogado ou professor de luta ou jogador de futebol etc?
Na televisão paga, a cabo, encontramos filmes, séries onde existem personagens homossexuais em diversas estórias. E, por mais que não sejam os principais da trama, são retratados com dignidade, sem se parecerem com caricaturas, por mais pinta que dêem, porque o enredo da estória retrata os vários seguimentos da sociedade..
A variedade do mundo LGBTs “real” é muito grande: existe o gay enrustido que morre de medo de se expor; o gay discreto que pode ser confundido com um hétero; o gay afetado, que dá muita pinta, a drag queen, a transexual, a travesti, os bissexuais (masculino e feminino), a lésbica chique (discreta), a “caminhoneira”, e mais uma grande variedade de tipos. E por ai vai, mas todos querem ser tratados com respeito pelos meios de comunicação e não fazendo parte do lado cômico por que não são palhaços. Mas por serem cidadãos do mundo real. com direitos e deveres, que querem expressar livremente o seu lado afetivo, sem medo ou vergonha.
Isto é falta de respeito com o público LGBTs que assiste aos capítulos das novelas igualzinho ao público hétero. Os LGBTs, aliás, que também trabalham igual, pagam impostos igual, tem casa igual, come comida igual, utiliza os transportes igual, e mesmo assim só vêem personagens homoafetivos como palhaços, coisinhas frágeis e frívolas, como marginais, desequilibrados ou como um fantasma do que eles gostariam de ser (quando mostram os gays bem sucedidos e discretos) nos tele folhetins.
Tudo isto por enquanto não passa de um sonho. Estes telespectadores gostariam de ver com certeza mais personagens homossexuais nas novelas com peso no enredo e retratados dignamente. Com acertos e erros, com virtudes e falhas. Nem melhores nem piores do que qualquer outro personagem da estória, que demonstre seus sentimentos e carinhos em frente às câmeras, como qualquer outro ser humano. Afinal de contas, as novelas costumam reproduzir a realidade contemporânea.
Para tornar este sonho realidade tem que haver uma maior união entre todos os seguimentos da grande comunidade LGBTs, para que todos juntos possam conquistar os seus direitos de cidadãos brasileiros, e serem retratados com dignidade e coerência nas estórias das tele novelas.
Os escritores tem pelo menos um e-mail de contato, as emissoras tem o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou algo parecido. Fazer contato seja com o autor ou com a emissora e manifestar o seu desagrado com as caricaturas lesbogay, ou com as criaturas homo perfeitas que não tem problemas, pode contribuir muito nesta mudança de visão dos personagens LGBTs.
Este texto começou a ser escrito antes da estreia da nova versão da novela Tititi na Rede Globo no horário das 19 horas. Esta versão é a junção de duas novelas, Tititi e Plumas e Paetês, ambas exibidas pela emissora há mais de 20 anos atrás.
O enredo desta nova versão apresenta um jovem casal gay, Júlio e Osmar, ao quais, surpreendentemente, não tem a fala pastosa e, nem mãos de hélice de helicóptero, nem tem um comportamento frívolo, não fazem gracinhas e ainda de quebra tem algumas demonstrações discretas de carinho e beijos no rosto, (quanto avanço para um folhetim deste horário e emissora). Mas infelizmente um deles morreu ainda no início da trama, só resta torcer que o outro continue na estória e consiga refazer a vida com um parceiro a altura.
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Oscar Neto | Jonalista e colabarador GLS Legal
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personagens homossexuais masculinos cheios de trejeitos, se comunicando com quase miados lânguidos de tão moles ao falar? Por que sempre com profissões como as de cabeleireiro, costureiro, cozinheiro, mordomo etc, fazendo o lado cômico das telenovelas brasileiras? Quem disse que tem que ser sempre assim?
Quando os personagens gays são “discretos”, do tipo que poderia se passar por heterossexual, é tão discreto, que acaba parecendo uma figura que: não beija, não faz carinho, não recebe carícias de sua cara metade, praticamente um assexuado, o qual vive numa relação do dia a dia praticamente perfeita, sem problema nenhum, que não reclama de nada e nem se incomoda com o aumento da conta do supermercado, quase uma existência nula.
Infelizmente a sociedade brasileira do século XXI ainda não está preparada e nem aceita a normalidade dos personagens LGBTs, mas com certeza tolera bem ou faz vista grossa quando estes fazem papeis secundários e com tom cômico, quase como um palhaço, o que não corresponde à vida real, apenas serve para divertir os preconceituosos conservadores.
Na novela da Rede Globo, Caras e Bocas (2009/10) escrita por Walcir Carrasco tinha um personagem que ficava rosa chiclete, bege bebê e por ai vai seguindo a tabela de cores. Já na novela Bela a Feia (2010) exibida na Rede Record existia um personagem que era dono de um salão de beleza fazendo a linha bicha pintosa do núcleo pobre, e outro personagem que era funcionário da agência de publicidade Mais Brasil que dava mais pinta do que uma lata de tinta, com vasto conhecimento do que é bom, com cultura e alto poder aquisitivo que fazia a linha bicha fina, todos estes, fazendo papeis secundários e/ou terciários dentro do enredo.
Em Paraíso Tropical – Rede Globo – (2007), escrita por Gilberto Braga existia um casal gay assim tipo “discretão”, mesmo nas cenas que passavam na casa deles, não havia nenhuma demonstração afetiva, até parecia que eram dois colegas de trabalho que dividiam o apartamento. Em outra novela, Vale Tudo (1988), também do mesmo autor e emissora, escrita anos antes, existia um casal de lésbicas muito discreto e uma delas morre no meio da trama e a “viúva” só refaz a sua vida ao lado de outra companheira no último capitulo, ou melhor só fica a sugestão disto.
Neste meio tempo também houve uma outra novela chamada Torre de Babel na qual as duas personagens que formavam o casal de lésbicas foram explodidas junto com o shopping que existia na historia. Segundo as más línguas da época comentaram, só uma iria morrer na explosão, a outra que sobrasse iria ser o pivô da separação dos personagens de Glória Menezes e Tarcisio Meira e teria um romance com ela. Por isto que a segunda lésbica foi explodida também.
A pergunta que não quer calar neste momento é: quando vamos ver ao menos um personagem gay e/ou lésbica com destaque nas tramas das nossas novelas? Personagens com um comportamento comum, sem soltar plumas e paetês, sem rodar a mão mais que hélice de helicóptero, vivendo a sua sexualidade livremente, pelo menos beijando e fazendo carinhos em seu par romântico e com profissão de engenheiro ou médico ou jornalista ou advogado ou professor de luta ou jogador de futebol etc?
Na televisão paga, a cabo, encontramos filmes, séries onde existem personagens homossexuais em diversas estórias. E, por mais que não sejam os principais da trama, são retratados com dignidade, sem se parecerem com caricaturas, por mais pinta que dêem, porque o enredo da estória retrata os vários seguimentos da sociedade..
A variedade do mundo LGBTs “real” é muito grande: existe o gay enrustido que morre de medo de se expor; o gay discreto que pode ser confundido com um hétero; o gay afetado, que dá muita pinta, a drag queen, a transexual, a travesti, os bissexuais (masculino e feminino), a lésbica chique (discreta), a “caminhoneira”, e mais uma grande variedade de tipos. E por ai vai, mas todos querem ser tratados com respeito pelos meios de comunicação e não fazendo parte do lado cômico por que não são palhaços. Mas por serem cidadãos do mundo real. com direitos e deveres, que querem expressar livremente o seu lado afetivo, sem medo ou vergonha.
Isto é falta de respeito com o público LGBTs que assiste aos capítulos das novelas igualzinho ao público hétero. Os LGBTs, aliás, que também trabalham igual, pagam impostos igual, tem casa igual, come comida igual, utiliza os transportes igual, e mesmo assim só vêem personagens homoafetivos como palhaços, coisinhas frágeis e frívolas, como marginais, desequilibrados ou como um fantasma do que eles gostariam de ser (quando mostram os gays bem sucedidos e discretos) nos tele folhetins.
Tudo isto por enquanto não passa de um sonho. Estes telespectadores gostariam de ver com certeza mais personagens homossexuais nas novelas com peso no enredo e retratados dignamente. Com acertos e erros, com virtudes e falhas. Nem melhores nem piores do que qualquer outro personagem da estória, que demonstre seus sentimentos e carinhos em frente às câmeras, como qualquer outro ser humano. Afinal de contas, as novelas costumam reproduzir a realidade contemporânea.
Para tornar este sonho realidade tem que haver uma maior união entre todos os seguimentos da grande comunidade LGBTs, para que todos juntos possam conquistar os seus direitos de cidadãos brasileiros, e serem retratados com dignidade e coerência nas estórias das tele novelas.
Os escritores tem pelo menos um e-mail de contato, as emissoras tem o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou algo parecido. Fazer contato seja com o autor ou com a emissora e manifestar o seu desagrado com as caricaturas lesbogay, ou com as criaturas homo perfeitas que não tem problemas, pode contribuir muito nesta mudança de visão dos personagens LGBTs.
Este texto começou a ser escrito antes da estreia da nova versão da novela Tititi na Rede Globo no horário das 19 horas. Esta versão é a junção de duas novelas, Tititi e Plumas e Paetês, ambas exibidas pela emissora há mais de 20 anos atrás.
O enredo desta nova versão apresenta um jovem casal gay, Júlio e Osmar, ao quais, surpreendentemente, não tem a fala pastosa e, nem mãos de hélice de helicóptero, nem tem um comportamento frívolo, não fazem gracinhas e ainda de quebra tem algumas demonstrações discretas de carinho e beijos no rosto, (quanto avanço para um folhetim deste horário e emissora). Mas infelizmente um deles morreu ainda no início da trama, só resta torcer que o outro continue na estória e consiga refazer a vida com um parceiro a altura.
Comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina
18/07/10
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Paulo Nassar
De São Paulo
Novos desafios para a comunicação empresarial são presentes e também trazidos pelo futuro. O ontem, embora próximo, está marcado por regulamentações de todo tipo, produto da cultura de controlar os empregados e pela necessidade de conquistar metas quantitativas, de qualidade total ou de redução de problemas provocados por assédio sexual e moral no trabalho, o que resulta na imensa quantidade de manuais e códigos de ética, de conduta, segurança, meio ambiente, saúde.
Mas tome nota: o ambiente empresarial será novo, marcado pela liberdade do empregado para afirmar sua identidade: o somatório das dimensões subjetivas e objetivas de homens e mulheres.
Nos últimos 50 anos, o entendimento da comunicação pela administração experimentou uma evolução sem precedentes, provocada de fora para dentro das empresas. Essa transformação, no Brasil, provocou uma nova visão comunicacional e relacional em três grandes movimentos. O primeiro, nos anos 1980, foi conseqüência da democratização do país, quando demanda de trabalhador deixou de ser assunto de polícia e alcançou a mesa de negociação. Um segundo movimento, no início dos anos 1990, estava ligado à internacionalização da economia brasileira, que provocou mudança nos processos de produção para promover ganhos de produtividade e competitividade e minimizar os impactos ambientais e sociais. A comunicação empresarial atuou fortemente na capacitação e no comprometimento de trabalhadores semi-analfabetos com as causas das empresas. E um terceiro, a conscientização crescente do empreendedor sobre o conceito de empresa produtiva e afetiva, uma extensão da sociedade. Ou seja, a empresa não cresce ou se mantém sustentável se o administrador não considerar os desejos, os sonhos de seus empregados e os acontecimentos sociais, históricos e culturais no âmbito da sociedade – tudo o que era visto como fator externo ao processo de produção.
Portanto, a administração deve assumir novas formas de se relacionar com a diversidade comportamental, etária, étnica, religiosa. Imagine, neste momento, no mundo do trabalho, tão regulamentado e preconceituoso, as mudanças inevitáveis de áreas como comunicação e recursos humanos diante da conquista de direitos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada recentemente na Argentina e em discussão no Brasil.
O gestor conectado no mundo, já entendeu que é preciso preparar a empresa, aprender a se relacionar, beneficiar e capacitar pessoas diversas, surgidas e legitimadas pela afirmação positiva dos homossexuais, das mulheres, dos índios, dos negros, dos mulatos, na sociedade. Em breve, teremos uma comunicação empresarial mais gay, mais feminina, mais mestiça. E por isso, mais humana.
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Fonte:
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HOMOFOBIA JÁ ERA – MAS INTOLERÂNCIA, NÃO
05/07/10
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Algumas pessoas estão impossibilitadas de fazer uso de uma das armas mais importantes de todo ser humano: a opinião.
Esse tópico é mais um retrato da triste situação dessa comunidade, em que poucas vozes têm direito a ecoar. Represálias são válidas pelo conteúdo das mensagens; não pelo simples fato de discordar. Uma pena.
Por causa dessas mensagens, fui excluído sumariamente da comunidade do Orkut “Homofobia Já Era” (HJE), da qual fazia parte há cerca de dois anos.
Na verdade, esse episódio não é esporádico ou exclusivo meu. De uns tempos para cá, vários membros têm sido expulsos da mesma forma – arbitrária e sem justificativas razoáveis. De comum entre as expulsões, o fato de as pessoas manifestarem opiniões diversas das de alguns membros-chaves da comunidade (os quais, imagino, também compõem a moderação ou são bastante próximos dela).
Venho representando muitos indivíduos que discordam da atual política da moderação da comunidade – opressora e que não aceita questionamentos a seu discurso unilateral, por mais que os comentários não contenham ofensas, xingamentos e similares. O fato é que eu já sentia pouquíssima vontade de acompanhar as discussões pela HJE. Também observava diversas pessoas inconformadas e que deixaram a comunidade, seja de forma voluntária ou compulsória.
O cabresto da expressão
A HJE peca ao ignorar e oprimir as discussões. Quem se aventura a compartilhar um pensamento sobre questões polêmicas que destoe da opinião dos membros-chave, é tachado de relativista, troll, semeador de discórdia, “deslegitimador da comunidade” (seja lá o que signifique isso) e afins.
Obviamente, há indivíduos que disseminam opiniões polêmicas apenas para bagunçar os tópicos e desferir ataques. Eles devem, sim, ser advertidos e eventualmente expulsos. Mas eu não sou troll – e conheço vários membros que também não o são, mas estão sendo suprimidos como se fossem. É uma questão de, no mínimo, péssima moderação, exemplificada na parca análise dos debates individuais que têm se instaurado.
Na HJE, há uma minoria, opressora, que se julga mais sábia para defender anseios que não são de boa parte das pessoas pelas quais ela diz lutar. Será que representa o desejo da maioria? Meu palpite é: não, nem de longe.
Falam muito do perigo da segregação do movimento LGBT, que estaria cada vez mais fraco e com pouca amplitude. Porém, a adoção de posicionamentos veementes e irredutíveis como a de alguns membros do supracitado fórum só contribui para isso. Vivemos em um tempo em que radicalismos, mesmo os da chamada militância LGBT tradicional, terão cada vez menos espaços para a maioria. Deve-se lutar por igualdade, mas com respeito. Se não se consegue respeito já na base do movimento, como pretendemos alcançá-lo para com a sociedade em geral?
Sete cores reduzidas a uma
No fórum, os membros-chaves concordam uns com os outros; reiteram-se; batem palmas para opiniões de seu círculo de amizades já conhecido de todos. Pergunto-me como essas pessoas pretendem ampliar seu senso crítico convivendo em uma comunidade em que apenas os mesmos indivíduos trazem as suas posições, impermeáveis como pedras.
Aqui segue um argumento dos membros que defendem a atual radicalização da comunidade.
“Se a garantia da defesa incondicional da diversidade, pelas regras, é opressora, eu não tenho o menor interesse nesse simulacro de ‘liberdade’ apregoado.”
A frase se trai nas primeiras palavras. O que propõem não é a defesa da diversidade, mas o oposto. Imagino que oprimir pensamentos divergentes, excluir membros sem aviso prévio, bloquear-se a debates e atacar quem possui uma visão minimamente destoante não representem “defender a diversidade”.
Nessa empreitada de excluir quem têm pensamentos mais coloridos, muitos usuários que contribuíam e contribuem para debates sadios têm sido oprimidos. Parece que a moderação da HJE não entende que eu e ela temos, em um nível profundo, os mesmos desejos: construir uma realidade social mais justa e menos homofóbica. E constatar isso me deixa extremamente magoado. Caramba: eu, como bom ativista, só tentava ampliar o debate e procurar esclarecer e ser esclarecido.
Com a ação opressora da moderação da HJE, acontece justamente o que todos temiam: presença de mais animosidades entre os gays ativistas, o que contribui para a desorganização na luta pela ampliação dos direitos civis. De maneira geral, pode-se depreender desse episódio que o movimento e a identidade LGBT passam por uma crise. E, a meu ver, a atitude da HJE só aumenta a rachadura.
Você que lê esse texto pode discuti-lo logo aqui embaixo. Comentários, desde que respeitosos, são válidos. Você não será punido por discordar. Afinal, diversidade inclui também respeito a pensamentos diferentes, certo?
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Autor: por uma questão pessoal, o autor pediu para não ser identificado.
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Relação homoafetiva pode ser equiparada à união estável
30/06/10
A 1ª Turma do TRF da 1ª Região manteve inclusão do companheiro de funcionário público aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) como beneficiário da pensão vitalícia.
Alega o funcionário que vive há mais de 20 anos em união homoafetiva, que a relação com o companheiro é pública, contínua e duradoura, à semelhança de verdadeira união estável. Defende o direito de indicar o companheiro ao benefício, conforme disposto no art. 217 da Lei nº 8.112/90.
Direitos Homoafetivos – O indivíduo em uma organização do trabalho
27/06/10
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É impressionante como em pleno século XXI, mesmo após constatarmos na história elevados índices de violência, mortes, entre outras coisas, motivadas por preconceitos e racismos; a sociedade persiste em preconceitos banais.
Homem que mudou de sexo consegue se aposentar com idade mínima para mulheres
25/06/10
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Um homem britânico casado que mudou de sexo aos 58 anos ganhou na Justiça o direito de receber aposentadoria a partir dos 60 anos, idade mínima para as mulheres se aposentarem.
O Direito de o Homoafetivo ter Direito
20/06/10
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Primeiramente devemos definir o que é direito. Direito são normas editadas pelo Estado, que disciplinam as relações entre os indivíduos que vivem em grupo social. Em se tratando de estado democrático de direito, as normas são elaboradas por representantes eleitos pelo povo. O direito de uma pessoa sempre se volta contra outra pessoa ou o próprio Estado. Portanto, a todo direito corresponde um dever de respeitar o direito do outro. Podemos dizer que o direito é uma rua de mão dupla, pois ao mesmo tempo em que respeito alguém, quero ser respeitado também.
Evolução e Racionalidade
11/06/10
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“Eu te amo!”
Não há expressão mais perfeita que esta – obviamente, se dita com toda a força do sentimento que ela carrega. Por que? Porque o amor é sublime. Não dá para explicar exatamente o que é o amor, apenas senti-lo. Com grande simplicidade, podemos dizer que é a união de carinho, cuidado, preocupação, esmero, respeito, atenção, apoio, força, alegria, incentivo, cumplicidade, e, principalmente, incondicionalidade. Porque amar não é escolha, ele simplesmente acontece – e nunca ninguém conseguiu explicar por que.
Cartilha Eletrônica de Direitos Homoafetivos – 1ª edição
10/06/10
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O GLS Legal apresenta a 1ª edição da Cartilha Eletrônica de Direitos Homoafetivos.
Para fazer o download do arquivo, clique no link ou na figura abaixo:
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Cartilha Eletrônica de Direitos Homoafetivos – 1ª edição
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O poder dos gays
06/06/10
Não é de hoje que afirmo que aos gays é dado mais poder do que eles realmente têm, por parte de algumas pessoas heterossexuais. Eu nunca vi nenhuma outra categoria social com tanto poder para “destruir todas as famílias do Brasil, degenerar toda a juventude do Brasil, influenciar milhões de pessoas ao redor do mundo e até mesmo gerar terremotos, furacões e tsnuamis”.
Mas paralelo a isso, vocês já repararam que a fonte de tais impropérios é, em sua maioria, originada de homens heterossexuais para com os gays e nunca para com as lésbicas? Vai entender, né? Deve haver algum bom motivo para tal… Mas vamos ver como os gays são poderosos?
Transexual pode manter mudança de sexo em sigilo
06/06/10
O transexual que tenha se submetido a cirurgia de mudança de sexo pode trocar nome e gênero em registro sem que conste anotação no documento. O sigilo é para manter a harmonia social e combater o comportamento preconceituoso da sociedade. Esse é o entendimento do juiz José Walter Chacon Cardoso, da 8ª Vara Cível de Campinas (SP), que aceitou o pedido de um transexual para alterar seu sexo e nome no registro de nascimento, sem que conste anotação no documento.
AGU aprova pensão do INSS para casal gay
05/06/10
BRASÍLIA. A Advocacia Geral da União (AGU) deu parecer favorável ao pagamento de benefício previdenciário para parceiros de trabalhadores da iniciativa privada nas relações homoafetivas.
O parecer impede o governo de recorrer de qualquer decisão judicial que determine o pagamento da pensão. O parecer, no entanto, não é válido para os servidores públicos federais, segundo a AGU.
Transexualidade
04/06/10
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Diante das atuais decisões favoráveis aos homossexuais, como adoção de crianças, gostaria de colocar em debate a questão da transexualidade. Eu mesma já tive o privilégio de defender judicialmente o direito à dignidade de um transexual, no intuito de ter deferido o direito de constar em sua certidão de nascimento seu nome e sexo como masculino, proporcional a seu aspecto físico e orientação psicológica.
O nosso objetivo é o seu bem-estar
12/05/10
Dias atrás, durante uma ligação, tive que fazer algumas analogias para que a cliente entendesse a importância do nosso trabalho. Acompanhem comigo o que foi dito:
“Da mesma forma que o médico cuida da sua saúde física e busca o seu bem-estar, nós cuidaremos da sua saúde social, e também buscaremos o seu bem-estar. Os caminhos são diferentes, mas o objetivo é o mesmo: a sua tranquilidade, felicidade e satisfação”.
GLS Legal recomenda: Tango, Bolero e Cha Cha Cha
10/05/10
Ontem fui ver a peça Tango, Bolero e Cha Cha Cha, de Eloy Araújo, no teatro Clara Nunes. Trata-se da história de uma transexual e sua relação com a família, a qual deixou há dez anos.
Alguns poderiam levantar o seguinte questionamento: “Vocês viram? Essa coisa de homossexualidade só pode dar em problemas!”. Ledo engano!
Após revelar para a família a razão da ausência por tão longo tempo, “Daniel”, agora conhecido como “Lana Lee”, reserva uma surpresa incrivelmente agradável para toda a família – a antiga e nova!
Adoção homo – a criança sofrerá preconceito?
04/05/10
Após as mais recentes decisões na Justiça sobre as decisões de crianças por famílias homoparentais, vemos diversas reações na sociedade. Felizmente encontrei opiniões bastante positivas. Parece que até os mais aguerridos reacionários concordam que é muito melhor uma criança ser amada, criada e sustentada por um casal formado por sexos semelhantes do que ficar à mingua nos orfanatos.
Naturalmente, tal postura não é uniforme e há muita gente que se dar ao luxo de “ser contra” os direitos de outrem – posição esta tomada sem nem consultar a criança e aos pais em questão. Parece que o Ego do vaidoso acha que a opinião dele contra tal adoção deve prevalecer sem nem consultar as pessoas envolvidas.
Carta resposta à CNBB.
04/05/10
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Recentemente o Superior Tribunal de Justiça deu uma decisão favorável à decisão de adoção conjunta de duas crianças por um casal homoafetivo. Em resposta a esta decisão, Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB afirmou “Nem sempre o que é legal é moral e ético. “Cremos que a questão da adoção por casais homossexuais fere o direito da criança de crescer nessa referência familiar.”
Bem, inicialmente é preciso nos perguntar qual é o objetivo deste homem: prejudicar a vida de um casal buscando a construção de sua família e sua felicidade ou “ajudar as crianças”?
Sejam muito bem-vindos ao GLS Legal.
04/05/10

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